30 de agosto de 2012

Os prós e contras de trabalhar em casa quando se é mãe

Daqui a alguns meses completo 1 ano trabalhando em casa como freelancer. Um ano equilibrando prazo, pesquisa e compromisso profissional com rotina doméstica e brincadeiras de criança.

Quem acompanha este blog sabe que sou tradutora e que já trabalhei como freelancer antes de ser mãe. Que voltei a trabalhar fora, em empresa, com horário e salário fixo. E que, depois de muito considerar, abri mão do previsível e voltei a trabalhar em casa. Agora, tendo se passado quase 1 ano dessa nova etapa, fiz uma análise do que eu considero bom e ruim de trabalhar em casa após ser mãe.

Prós
- O primeiro ponto positivo para mim, sem dúvida, foi ter mais tempo com meu filho. Agora sempre fazemos todas as refeições juntos (com exceção do lanche da tarde, feito na escola), vamos sempre ao parquinho ou brincamos em casa mesmo. Antes, trabalhando fora, às vezes ele tomava seu leite no carro, no trânsito. Jantávamos juntos, mas o almoço era no berçário. Parquinho, só de final de semana.

- Temos uma rotina mais livre. Às vezes pulo da cama bem cedo para trabalhar, antes que ele se levante e o dia comece. Mas não preciso mais tirá-lo da cama porque eu tinha que sair, porque eu tinha horário a cumprir e precisava deixá-lo no berçário. Isso me cortava o coração, principalmente em dias mais frios.

- Eu faço meus horários e, consequentemente, posso assumir compromissos fora de casa sem precisar dar satisfação. Não preciso mais justificar para chefe que Bento tem pediatra nem sair mais cedo para não perder uma festinha da escola.

- Não enfrentamos trânsito, nem greve, nem obras, nem absolutamente nada no ambiente externo que influencie nosso dia a dia. Nada nos impede de viver nossa rotina, de brincar, de almoçarmos juntos, ou que ele tire uma soneca se quiser. A única intempérie é a chuva, que impossibilita brincadeiras ao ar livre. Mas nunca mais ficamos longos períodos em congestionamentos, estressados, cansados e perdendo tempo de fazer qualquer outra coisa.

- Ele me acompanha na rotina da casa e consigo incorporá-lo ao meu cotidiano. Ele está sempre comigo quando faço almoço, lavo roupa, arrumo um armário ou vou ao mercado. Acho isso muito importante para a educação dele, para que ele veja como uma casa funciona, para que entenda que temos obrigações também e para que nossa casa seja mantida em ordem. E ele entra na dança, com pequenas participações proporcionais ao seu tamanho e entendimento: me ajuda a levar o lixo, a tirar a mesa, a pendurar roupas escolhendo os prendedores "mais legais".

Contras
- Muitas vezes, o trabalho se estende durante todo o dia. Como não dá mais para fazer tudo de uma só vez, trabalho em intervalos menores. Não há horário fixo. A concentração também, vira e mexe vai pro espaço. Muitas vezes trabalho até de noite, bem depois de Bento dormir, ou em períodos dos finais de semana. Acaba sendo bem cansativo, às vezes sinto como se não descansasse nunca.

- Quando trabalhamos fora, normalmente nos dedicamos apenas (ou com mais intensidade) durante o expediente. Naquelas 8 horinhas (ou mais, ou menos, enfim) de trabalho estamos concentradas no campo profissional, o trabalho é o nosso foco. Às vezes eu trazia trabalho extra para casa, mas era raro. Em casa eu era tudo, menos tradutora. Agora sou tudo, e ao mesmo tempo.

- Acabo ficando muito no computador, o que significa que filhote me vê trabalhando. Quer ajudar, quer apertar teclas, escolher cores, participar. Se tenho algo urgente a fazer, tento driblar: coloco o pequeno ao meu lado com seus livrinhos de pintura e giz de cera, ou pegamos massinha, carrinhos, um jogo simples estilo dominó e brinco e trabalho ao mesmo tempo. Se não tem jeito e preciso me concentrar, apelo para desenhos.

- Às vezes bate uma sensação de culpa dupla. Sinto como se eu não estivesse trabalhando o suficiente, com a mesma qualidade ou com o mesmo nível de produção de antes. Ao mesmo tempo, também sinto que não dedico ao pequeno tanta atenção como gostaria. Parece que estou fazendo algo errado ao ficar no computador enquanto ele está em casa, mas é impossível trabalhar só apenas enquanto ele está na escola, já que ele a frequenta por meio período. Não gosto de recusar trabalho e até me sinto mal quando estou sem nenhum, mesmo que tenha acabado de entregar um gigantesco. Se estou trabalhando fico mal de ver o pequeno brincar sozinho ou pedir minha atenção; se estou com ele, fico pensando em como vou cumprir o prazo combinado.

Estou aprendendo aos poucos a conciliar o trabalho em casa e a maternidade. Enquanto Bento está em casa, só trabalho o essencial - ou se ele tiver alguém para brincar com ele (santa vovó!). Quando está na escola procuro render ao máximo, até para poder ficar um pouco com ele quando voltar. Ou então encaro o trabalho noturno mesmo, paciência.

Por fim, analisando todos os pontos, concluo que não pretendo voltar a trabalhar fora novamente. Nem gosto de lembrar o tempo perdido no trânsito e em deslocamentos, nas horas perdidas longe do meu filho, no cansaço de ficar o dia todo fora de casa e, principalmente, na agonia de não vê-lo aprendendo coisas novas todos os minutos. Conseguir conviver diariamente com meu filho, fazer todas as refeições com ele, brincar entre um trabalho e outro e até mesmo incorporá-lo à rotina doméstica são itens essenciais para mim, para o meu entender sobre maternar. O trabalho em casa é bem cansativo, exige disciplina, compromisso e um eterno equilibrar de pratos entre as várias obrigações. Mas, pensando bem... qual trabalho não é assim?

24 de agosto de 2012

Os sentimentos do menino

Outro dia eu reli o livro Criando Meninos, de Steve Biddulph. Em um trecho o autor diz "a mãe tem muito a ensinar ao filho sobre a vida e o amor. (...) Os meninos têm sentimentos de ternura e a mãe é essencial para fazer dele uma pessoa inteira. Dê a ele a chance de brincar com crianças mais novas, de cuidar delas, de tomar conta de um animal. Veja como ele pode ser carinhoso". É óbvio que o pai também tem um papel essencial, até específico em alguns pontos. Mas o que me despertou a atenção na verdade foi a forma como os pais podem ajudar os filhos a manifestarem seus sentimentos.

Todo mundo sente raiva, medo, dor, cansaço, alegria, tristeza, emoções das mais diversas. Porém, podemos reparar que muitas vezes os adultos são mais duros com meninos. Alguns são mais exigentes, outros mais ríspidos. É como se ficasse implícito que os meninos precisam ser criados como "fortes". Um exemplo? Todo mundo conhece a frase "menino não chora". Oras, chora sim! Não me refiro ao choro sem motivo, aquele fingido de manhas infantis, mas o real. O choro manifesta o que a criança sente: dor, medo, ao se machucar, ao enfrentar uma situação com a qual não sabe lidar.

Da mesma maneira, os carinhos. Alguns pais (e por pais leia-se pais e mães) reprimem abraços e beijos. Outros simplesmente sentem vergonha de demonstrar afeto. Por que não abraçar e beijar os meninos? Por que não dizer com todas as letras que os amam? Seria mesmo vergonha ou receio de demonstrar fragilidade?

Eu acho importante que a criança veja o adulto demonstrando o que sente. Aquele adulto, para a criança, é um modelo a se espelhar, é sua primeira base sobre como ser um indivíduo. Ao vê-lo demonstrando suas fragilidades, seus medos e suas alegrias, a criança aprende que pode fazer o mesmo. Aprende que os sentimentos fazem parte do ser humano e são uma forma de expressar o que pensam. Quando o sentimento é seguidamente reprimido, a criança vai ficando mais e mais encabulada. Já imaginaram a tristeza de uma criança que não sorri?

É curioso observar como com as meninas essa questão já é diferente. As meninas costumam demonstrar mais os sentimentos, não ficam tão envergonhadas em beijar e abraçar. Meninas não são reprimidas em seu choro, ao menos não da mesma maneira que os meninos. Meninas conversam e são mais carinhosas. Mas será que essa é uma característica típica feminina, ou falta um empurrãozinho aos meninos para demonstrarem o que sentem?

Talvez eu pense assim por gostar muito de beijar e abraçar Bento. Pego, aperto, amasso, dou ataque de beijo. Às vezes ele fala "chega de beijo mãe", mas na maioria das vezes gosta, ri, e retribui o carinho. Diz "eu amo você" ou "eu sempre amo você", uma variação do "te amo para sempre". Às vezes "limpa" os beijos que recebe, em outras põe a mãozinha em cima e diz que está "cobrindo" para guardar. Outro dia pegou seu sapinho de pelúcia, beijou e disse "meu amor".

As crianças absorvem e repetem tudo o que está ao redor delas. Se recebem demonstrações de carinho, de afeto, de amor, retribuem, do jeitinho deles. Por isso eu acho que os sentimentos não devem ser reprimidos nos meninos. Aliás, em criança nenhuma.

E digo mais: não basta dizer "eu te amo", mas abraçar, brincar juntos, rir juntos. Que delícia que é rir junto com uma criança! Não é vergonha nenhuma mostrar que aquela pessoinha é tão importante pra gente. Demonstrar sentimentos ajuda a construir uma boa relação pais-filhos, a autoestima da criança... e faz um bem danado. Para todo mundo.

21 de agosto de 2012

Divagações sobre o tempo

Eu já tive aqui no blog uma tag (ou marcador, como queiram) para o termo "tempo". Não sei o que pretendia com ela, não sei se destacar a passagem do tempo ou a falta dele. Mas sei que logo ela perdeu o sentido e ela se foi, perdida entre as outras.

Eu já tive muito tempo de sobra. Obviamente, quando não era mãe. Nem sei o que fazia com tantas horas disponíveis em uma época em que não havia (ou eu não tinha) blog, facebook, nem mesmo tanto conteúdo na internet. Eu lia, eu me pendurava no telefone com as amigas, eu via tv, eu comia, eu saía de casa. Opa, então eu lembro sim o que fazia: ocupava o tempo de outras maneiras, diferentes das de hoje.

Daí veio Bento e, principalmente no primeiro ano, passei a implorar por tréguas temporais. Pedi mais horas de sono e procurei formas de otimizar o tempo enquanto ele dormia. Queria tempo para coisas cotidianas como ir ao banheiro sem ouvir o bebê chorando ou para tomar um banho mais demorado. Queria tempo para mim, para fazer minhas coisas - ou para não fazer nada.

E o tempo, esse danado, passa e a gente nem vê. Foi-se o tempo das gracinhas, dos balbucios, das risadinhas por qualquer movimento engraçado. Foi-se o andar cambaleante, os olhares curiosos para gavetas misteriosas, o chorinho sem palavras. Foi-se o cotidiano atribulado e, ao mesmo tempo, previsível de uma casa que se organiza para dar uma rotina a um bebê.

Mas, em troca, vieram outros tempos. Vieram os tempos de palavrinhas erradas, depois de frases inteiras e até de pensamentos mais abstratos e surpreendentes. Vieram brincadeiras novas e mais complexas, com enredo e personagens imaginários. Vieram desenvolvimentos de habilidades físicas e um crescer a olhos vistos. Vieram novos horários e novas rotinas e, dentro delas, um novo desenrolar do tempo.

Eu me surpreendo com as transmutações temporais e, mais do que isso, com a sabedoria que isso traz. Como há grandes verdades nos dizeres "tudo a seu tempo", "o tempo dirá" e "o tempo é senhor da razão"! Clichê, eu sei, mas verdades muitas vezes são clichês.

Só sei que quero ser amiga do tempo. Que ele corra devagar o suficiente para que eu mantenha minhas boas lembranças, mas também que passe rápido nos momentos de tempestade. Que ele preserve aquela sensação feliz perante uma boa descoberta e que leve o entristecer perante uma decepção. Que me traga mais motivos para sorrir quando eu for velhinha do que sentimentos de ter deixado coisas inacabadas ao olhar para trás.

E, com isso, um post que era simplesmente para dizer que tenho escrito menos no blog por falta às vezes de tempo, às vezes de inspiração, virou esse texto. Meio sem sentido, eu sei, é apenas uma divagação. Nem sei mais onde queria chegar, às vezes começo pensando em uma coisa e, quando vejo, fui parar em outra bem diferente. Mas sigo escrevendo, às vezes mais, às vezes menos, até ser interrompida - por um menininho que me chama, por um bloqueio no fluir do texto, por preferir fazer outra coisa... ou por chegar ao ponto final.

15 de agosto de 2012

Menino ou moleque?

Eu tinha um pouco de implicância com a palavra moleque. Antes de Bento nascer, sempre que pensava nela, a palavra me vinha associada à travessura, desordem. Muitas vezes me soava até perjorativa. Tanto que, quando descobri que o bebê que habitava minha barriga era do sexo masculino, raramente usei outro termo que não menino.

Menino é uma definição de um sexo, apenas. A palavra, por si só, traz consigo adjetivos de todos os tipos, dá espaço a variações de sentido, é ampla e, ao mesmo tempo, concreta. Menino pode ser esperto, forte, veloz, alto, magro, gordo, baixo, tranquilo, agitado, qualquer coisa. Infinitos termos cabem em menino.

Já moleque não. Moleque, pela definição dos dicionários, é o "garoto travesso" (Houaiss), o que acaba por ser dúbio. Travessuras são coisa de criança, seja menino ou menina. Travessuras são legais, são divertidas, são infantis. Mas aí o mesmo dicionário continua: "indivíduo sem integridade, capaz de procedimentos e sentimentos vis, canalha". E fornece sinônimos: "canalha, diabo, pulha". Pronto, acabou com o moleque travesso.

Outro dicionário (Aulete) segue a mesma linha: começa bem, depois denigre o pobre termo: "menino que vive solto nas ruas, indivíduo brincalhão, gozador..... pessoa sem integridade, sem caráter, safado, patife" e por aí vai. Engraçado que os dois dicionários mencionam a integridade. Coitado do moleque, não só é travesso como é mau caráter!

Acho que sempre pensei em Bento como menino, não como moleque. Menino é fofo. Faz gracinha, faz bagunça, mas mantém a inocência. Porém... conforme foi crescendo, foi deixando a meiguice de bebê de lado e aprendendo mais e mais travessuras. E eu fui absorvendo o termo moleque sem nem mesmo perceber.

imagem: We heart it

Porque é o moleque que sobe em árvore e pega insetos com a mão. É o moleque que brinca solto, que perde o controle da bicicleta e arranha o joelho. É o moleque que passa o dedo na cobertura do bolo e ri estourando balões. É o moleque que se mela de sorvete e que limpa caca de nariz na camiseta. É o moleque que pula do balanço quando está bem alto e que sobe no escorregador pela rampa. É o moleque que descobre o mundo com curiosidade e volta imundo pra casa após suas aventuras.

E percebi ainda não apenas a liberdade do moleque, mas também a do gênero. Porque menina também pode ser moleque, eu mesma fui! Andava de carrinho de rolimã, descia ladeira de bicicleta, subia em muro. Tenho 4 cicatrizes: 2 no joelho, uma no braço, uma no queixo. Levei ponto, trinquei dedinho da mão e usei gesso. Fui sim uma criança moleca.

Então eu fiz as pazes com a palavra moleque. Que meu filhote seja livre, que se divirta sem amarras e descubra muitas e muitas formas de brincar. Mas, se possível, sem muito sangue e braço quebrado, por favor, que o coração aqui não é de moleque, é de mãe mesmo.

8 de agosto de 2012

Competição e autonomia

Em tempos de olimpíadas, lembrei de escrever sobre um assunto que estava há tempos no rascunho: o espírito competitivo das crianças.


Desde que começou a adquirir habilidades de fazer coisas sozinho, Bento quer ser o primeiro em tudo. Corre para entrar primeiro no carro e ser o primeiro a se sentar. Quando chegamos em casa, quer entrar na minha frente. Quer se vestir primeiro, tomar banho primeiro, escolher tudo primeiro. Acredito que seja um comportamento natural desta fase por dois motivos: a idade e o fato de ser a única criança da casa.

Aos 3 anos, Bento já sabe fazer várias coisas sozinho. Vai ao banheiro, faz xixi e lava as mãos. Sabe tirar a roupa (menos camiseta) e consegue colocar o tênis. Escova os dentes sozinho - sempre escovo de novo depois, mas incentivo que ele aprenda. Come sozinho - a não ser quando está com preguiça e vem com sem-vergonhice dizendo que ainda é "Bento pequeno". No geral, gosta de se sentir independente, gosta de mostrar que já consegue fazer algo sem ajuda.

Eu gosto de incentivar sua autonomia, dentro do possível, claro. Às vezes ele até recusa ajuda, manifestando sua vontade de tentar. Todo esse aprendizado incentiva e lhe enche de orgulho de suas próprias conquistas. Por isso, às vezes se empolga e quer fazer algo para o qual ainda não tem habilidade. Ou então, já que não consegue, resolve fazer o que sabe primeiro que os demais. Acrescentando o fato de ser o único ser infantil reinante na casa e pimba, temos um menininho que usa a competição para mostrar suas capacidades aprendidas. Mas autonomia é uma coisa, competição é outra.

E Bento é competitivo. Gosta de brincadeiras de jogos, adora dominó e memória, quer "ser o campeão". Aos poucos vamos ensinando que nem sempre se ganha. Claro que às vezes ele se chateia ao perder, afinal ainda é pequeno. Mas seguimos as regras, sem tanto rigor e ele reage bem: festeja quando ganha, entende empates mas, se perde, não emburra nem chora, apenas pede para jogar de novo.

Percebi sua competitividade também na escola. Sempre que chegamos para a aula, Bento quer correr e entrar primeiro. Por outro lado, também é lá que ele aprende a esperar a vez, a ouvir os amigos, a perder. Na escola a atenção é dividida, ele não é atendido imediatamente, nem sempre é o primeiro a falar ou fazer uma atividade.
 
É importante que a criança entenda que nem sempre será vitoriosa e, mais do que isso, nem sempre será o centro. Vai ganhar sim, muitas vezes, mas vai perder também. Lidar com perdas, mesmo que pequenas, é essencial para o desenvolvimento. Aliás, lidar com perdas é essencial para qualquer pessoa - até para um campeão.

2 de agosto de 2012

Do caos à borboleta

Recentemente vivi tempos bastante atribulados. Às vezes a vida nos surpreende com suas reviravoltas, nos tirando da zona de conforto e nos propondo grandes reflexões e questionamentos. Nem sempre damos atenção aos sinais, aos indícios das grandes mudanças. A vida nos chacoalha, por seus infinitos métodos.

Eu tinha uma vida comum. Trabalho, casa, marido, filho, gata. Cansaço, estresse, reclamações, mimimis. Sorrisos, passeios, sonhos. Tudo o que pertence ao pacote de uma vida trivial.

Um belo dia acordo e vejo pela janela uma garoa. Sabem a típica garoa paulistana, fininha, gelada, incessante? Essa mesma. A garoinha virou chuva, tempestade, temporal. Depois de bastante tempo, voltou à chuva fina. E só recentemente foi aberto um espaço para raios de sol.


E a vida comum virou de cabeça para baixo. Rotinas mudaram, hábitos foram questionados, mudanças foram sugeridas. Dúvidas muitas, certezas algumas, receios todos, resposta nenhuma.

Nesse período, foi bom descobrir os ouvidos e conselhos amigos. Foi bom saber que temos com quem contar. Foi bom ouvir opiniões sensatas de quem se preocupa e, ao mesmo tempo, tem a imparcialidade relativa de quem assiste aos acontecimentos sem vivenciá-los de fato.

Também foi muito bom deixar o tempo fazer seu trabalho. Esperar a calmaria, esperar a poeira baixar. Muitas vezes tomamos decisões em momentos atribulados, e estas acabam por se mostrar inoportunas. O tempo foi para mim um ótimo apazigador, e o travesseiro um grande conselheiro.

Agora surgiram novas questões: O que aprendemos com isso? O que se manterá igual, o que pode ser aprimorado? Algumas decisões foram enfim tomadas. Se são decisões corretas, só o tempo, novamente o tempo, nos dirá. Mas acredito que sempre é válido tentar por coisas positivas.

De tudo, ficam grandes lições. Que o amadurecimento decorrente desse caos nos traga serenidade para enfrentar novas batalhas, se estas surgirem. E que o todo permaneça maior do que a soma de suas partes.

"Se nada nunca mudasse, não haveria borboletas"

Imagens We Heart It.
 
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