29 de julho de 2012

Uma carta à burrice

Hoje nasceu mais uma sobrinha, filha da minha cunhada. Gorduchinha, cabeludinha, um pacotinho fofo. Não sei quem está mais feliz, se a mãe, se o pai ou se a irmã babona de 8 anos que tanto queria uma irmãzinha.

Aí marido, que está longe e não pôde visitá-las, manda uma carta. Que não só parabeniza a irmã, como me inclui e ao Bento. Para quem o conhece, sabe que não escreveria uma carta tradicional, com um texto comum. Mas sim um texto com suas divagações peculiares. Taí embaixo.

Ah, e parabéns mais uma vez à minha cunhada, por mais uma florzinha em sua vida.


"À Burrice

É necessário haver dúvidas para não progredir.
Ou seriam elas necessárias para isso?

Um dia desses a mãe de meu filho ria de sua burrice.
Acreditava ela que acreditar era tolice.

Há dúvida quando seu filho pula em suas costas?
Há dúvida quando a pele fala?
Quando ele cobre seus beijos com as mãos para mantê-lo lá?
Quando te abraça e diz “eu amo você”?
Sério? Há?

Estar junto, rir, brigar, construir, chorar…
E procriar…
Termo estranho, mas verdadeiro: Procriar.

Persistência.
Mas, não há persistência sem perspectiva.
Você persiste em que acredita, em que ama.
E voltamos à burrice: amor.
Amor.
Pela pessoa com quem morou junto, pela pessoa que te suportou, te acompanhou e ainda por cima te deu algo que “só tendo”: um filho.
Bento, benedito, abençoado.

Hoje nasceu nossa segunda sobrinha, filha da minha irmã Marisa.
(ok, sei que estou sem foco)
Queria parabenizá-la e lembrá-la (assim como o marido dela) que nossos filhos somos nós.
Que nossos amores somos nós.
Que a mãe e o pai são a mesma pessoa.
E que um dê o equilíbrio ao outro.

Parabéns irmã pela nova filhota, parabéns Sarah por ser uma mãe espetacular.
Amo vocês.

Obs.: ah! A tal burrice leva a coisas verdadeiras."

Por Matuza, pai do Bento.

27 de julho de 2012

Uma criança, um balão, e nada mais

Um videozinho para esse último dia de férias: Bento se diverte com seu balão de avião. E ri. E corre. Para o infinito e além.



Bom fim de semana... e ótima volta às aulas!

25 de julho de 2012

Saudades das férias

Eu tenho saudades das minhas férias de criança. Às vezes viajávamos, mas a maior parte das minhas lembranças feriasísticas é recheada com brincadeiras com meus amigos. Na rua, na casa dos vizinhos, ou em casa mesmo. A melhor parte era brincar com meus amigos da rua, todas as tardes.

Aí fiquei pensando, será que Bento terá essa saudade? Na verdade nem sei se um dia ele se lembrará das férias atuais, no alto de seus três anos. Mas as sensações boas, as bagunças, as risadas... acho que ficam guardadas na cabecinha dele sim.

Nessas férias nós fizemos um passeio bem legal, que ele adorou. Mas fora o passeio, os outros dias foram mais comuns, com brincadeiras em casa mesmo. Porém, ele interagiu mais e mais com as crianças da vizinhança. Todos os dias encontramos uma ou duas no parquinho, na quadra, ou na rua mesmo.


E ele brincou de pega-pega. Jogou bola. Soltou pipa. Aprendeu uma nova forma de brincar no escorregador. Brincou com água. Passou parte de algumas manhãs na casa da vizinha, de 3 anos como ele. E fizeram cabaninha, desenharam, brincaram de esconde-esconde. E ele riu, riu, riu. E dizia sobre a amiga "ela é tão legal né mãe! A gente brincou de riso, assim ó, hahahah!".


Ele também comeu porcaria, comeu doces, comeu pipoca antes do almoço. Acordou tarde, dormiu mais tarde ainda.

Em breve acabam as férias dele. Ele comentou da escola algumas vezes, lembrou dos amiguinhos e da professora. Como para ele, a escola ainda é mais diversão do que obrigação, mais brincadeira do que tarefas, ele acaba vendo como mais um local para se divertir. E sente falta sim.

Semana que vem, volta para a escola, para o uniforme, para a professora e os amigos. Semana que vem, volta a dormir cedo e a comer em horários mais regulares. Semana que vem, voltamos à rotina. Com a certeza de que, se soubesse escrever e fizesse a clássica redação "Minhas Férias", Bento teria coisas bem divertidas para contar.

19 de julho de 2012

As várias maneiras de se usar um escorregador

Por que escorregar da forma tradicional e usar a escadinha, quando se pode inovar?



16 de julho de 2012

Uma fazenda na cidade

Sábado de sol, friozinho de leve, sem previsão de chuva. Dia perfeito para um passeio ao ar livre. O local escolhido foi a Cia dos Bichos, localizada próximo à Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo.

A Cia dos Bichos é uma fazendinha. As crianças conhecem e interagem com os animais, todos mansos e dóceis - com a ajuda de monitores do local também. Lá dá para entrar dentro dos cercados e pegar coelhos no colo, dar feno às cabras e vacas, dar alface para os patos, banana para as emas. Dá para andar a cavalo e passear de charrete. Dá para tirar leite da vaca, com uma explicação simples sobre as funções e utilidades do leite. Tem burrinho, sagui, pavão, mini-cabras. Tem parquinho com brinquedos de madeira. Tem restaurante com comida caseira e sorvete de frutas. E não, não ganhei nada para divulgar o local, é mesmo muito bacana!

Achamos o passeio perfeito para crianças pequenas. Vimos muitas famílias com bebês também, já que o espaço é amplo para a circulação de carrinhos. Eu particularmente acho que crianças com mais de 2 anos aproveitam mais, mas dá pra levar os piticos numa boa.

Chega de falação. Agora Bento é quem vai mostrar o que tem nesse passeio:

 dando feno para as cabras...
 e para os cabritinhos
 levando uma lambida da vaca na mão
piscadinha antes do passeio de charrete
será esse o coelho branco da alice?
 dando alface para os patos (que já comeram a folha dele)
vendo a ordenha da vaca
 Bento cavaleiro
 alguém quer sorvete de melancia?

Deu para perceber o quanto ele adorou. Correu, comeu, riu, se divertiu. Recomendamos!

Dicas:
- Vá em um dia com tempo bom. O local é aberto, com bastante espaço ao ar livre.
- Chegue cedo. Há várias atividades com os tratadores, e os próprios animais ficam mais dispostos no início do dia.
- Se forem comer no restaurante, das duas uma: ou cheguem cedo ou deixem o nome na lista de espera enquanto curtem algumas atrações. O restaurante é muito bom e todos costumam almoçar ali. Ou seja, fica lotado.

Mais informações sobre a Cia dos Bichos aqui!

11 de julho de 2012

Pequeno geniozinho

Com base em evidências científicas de alta complexidade, as quais foram repetidamente comprovadas em diferentes situações, concluiu-se que: Bento é um gênio.

Experimento 1:
Bento brincava com um foguete imaginário. De repente, começou a contar:
"cinco, quatro, três, dois, um!"
Repetiu a contagem duas vezes, sem errar.
Conclusão do experimento: Meu filho sabe contagem regressiva!

Experimento 2:
Voltando da escola, pergunto se ele comeu a pêra que mandei de lanche. Na escola dele, as frutas são cortadas e servidas para todas as crianças comerem juntas. Ou seja, eu mando uma fruta, mas ele não necessariamente come só aquela. Pode comer a do amigo.

Pois bem, ele respondeu:
"Comi mãe. Comi duas misturadas, uma sequência: maçã, pêra, maçã, pêra, maçã, pêra".
Conclusão do experimento:  Meu filho sabe o que significa sequência!

Experimento 3:
Um dos desenhos que ele adora repete algumas palavras e expressões em inglês. Ele quase sempre repete junto. Aí que, outro dia, sem o desenho e sem nem entrar em contexto nenhum, fiz um teste. E ele passou, sem nenhum errinho. Ele disse:

"uân, thú, fri, for, fai!" (one, two, three, four, five)
E ainda completou: "mãe, já sei! você chama mommy e o pai chama daddy!"
 Conclusão do experimento:  Meu filho sabe inglês!

Conclusão final: Considerando o alto grau de dificuldade de tais experimentos, considerando sua idade atual (3 anos), considerando que ele adquiriu tais conhecimentos sozinho e não na escola, e desconsiderando qualquer parcialidade materna que possa ser alegada, pode-se concluir, a partir das evidências aqui relatadas: meu filho é um gênio. Sem mais.

6 de julho de 2012

Sobre as férias e o ócio

Hoje Bento entra em férias. Pois é, a maioria das escolas já está de recesso, mas a dele ainda teve atividades por mais essa semana. Aí comecei a pensar no que fazer nesse período sem a escola, principalmente porque eu não tenho férias do trabalho.

Uma das recentes invenções de escolas, berçários, creches e afins foi o curso de férias. O que, dentro da minha realidade, foi uma ideia boa (e esperta, claro, já que a maioria cobra uma taxa por esse período extra). Na época em que eu trabalhava em período integral fora de casa e Bento frequentava um berçário, eu apelei para o curso de férias. Ajudava a mim, que não tinha quem ficasse com ele enquanto eu trabalhava, e ele curtia e brincava com outras crianças.

Nesse ano, a escola é outra e eu trabalho em casa. Portanto, ele não irá ao curso de férias. Pensei em fazermos alguns passeios por locais que ainda não conhecemos, como o Aquário e a Cia dos Bichos. Mas e no dia a dia? Como entreter o menininho?

Então me lembrei de um artigo que li outro dia, não lembro onde (se alguém souber me avise que coloco a fonte!). O texto dizia que, com os cursos de férias, muitas vezes esquecemos o real significado do recesso: o tempo para o descanso e o ócio. Descanso da rotina, das atividades mentais, das obrigações. Alguns cursos realmente oferecem brincadeiras, diversão, bagunça sem compromisso. Outras instituições proporcionam tantas atividades que a criança não descansa. A autora do artigo sugeriu, por exemplo e se possível, uma semana no tal curso e o restante... nada. Não fazer nada, deixar a criança descansar. Até para que a própria criança possa descobrir formas de se entreter, inventar brincadeiras, criar.

Com isso, tentei me lembrar do que eu fazia quando estava em férias da escola. Às vezes viajava com a família, mas nem sempre. E, tirando os passeios, o mais legal das férias para mim era... não fazer nada! Era poder acordar e ir dormir mais tarde do que o horário habitual. Era passar uma tarde vendo desenhos e comendo pipoca e bolo de chocolate. Era ir até a sorveteria ou clube. Era ir dormir na casa de uma amiga ou convidá-la a vir dormir em casa. Era fazer uma bagunça imensa com minhas bonecas. Era passar a tarde andando de bicicleta com meu primo.

É bem legal quando dá para aproveitar as férias para fazer passeios, visitar parentes, viajar pra um lugar novo. Também dá pra se divertir muito em cursos de férias sim. Mas, pra quem não puder ou não quiser fazer nada disso... também dá pra ter ótimos momentos em casa mesmo, convidando os amigos do filhote para brincar, descansando, deixando o pequeno sair da rotina. E criar suas próprias brincadeiras, ter o dia mais livre... ou não fazer nada.

3 de julho de 2012

Sob a lente do microscópio

Dia desses levei Bento ao shopping. Precisava comprar uma bolsa, a minha rasgou na lateral e, vira e mexe, perdi coisas por isso. Mas... quem é mãe sabe: shopping e criança pequena nem sempre combinam.

Naquele dia, em uma área do shopping, havia uma atração infantil com carrinhos e uma mini-pista. Obviamente, Bento se interessou. Conversei com ele, disse que ok, eu esperaria que ele brincasse e depois ele iria comigo à loja.

Alguém adivinha o que aconteceu? Depois de brincar, ele pediu para ir de novo, claro. Lembrei a ele sobre o combinado. Ele insistiu. Mostrei que outras crianças esperavam para brincar também. Ele insistiu de novo. Seguiu-se um mini-diálogo básico que toda mãe já deve ter feito. Mas quem também me conhece sabe que não sou uma pessoa das mais pacientes. E, uma vez tendo explicado e relembrado o que combinamos, peguei Bento pelo braço e saímos.

Ele foi resmungando. Chegamos à porta da loja. E o que ele fez? Um mini-piti com direito a pezinhos sapateantes e eu queros. E se tem uma coisa que me irrita é teimosia e pezinhos sapateantes. Eu me abaixei para falar com ele. Disse que nós havíamos combinado assim e que poderíamos voltar ao brinquedo DEPOIS que eu escolhesse a bolsa. Mas que, se ele continuasse a birra, iríamos embora sem brincar. E entrei na loja.

Funcionou? Não de imediato. Ele ainda resmungou, pediu, reclamou. Não dei atenção. Depois de um tempo, ele brincava com espelhos e produtos expostos. Após minha compra, cumpri o combinado e voltamos ao brinquedo para uma última volta.

Nem sempre consigo ser, ao mesmo tempo, firme e serena. Eu dialogo, converso, mostro alternativas. Mas, como nem sempre funciona, sou mais durona. Não tenho a menor tolerância para pitis e manhas. Sei que, muitas vezes, minha falta de jeito em lidar com um comportamento infantil inadequado gera estresse. Já vi que situações simples que poderiam ser relevadas tornaram-se maiores do que efetivamente são. Outras vezes funcionou, e fez com que Bento entendesse que não se consegue o que quer no grito ou na insistência.

É claro que cansa, como cansa! Cansa explicar, argumentar, combinar... e um tempo depois, tudo acontecer de novo. Mas também dá uma sensação boa saber que estamos agindo corretamente. Como quando a vendedora da loja elogiou minha atitude, dizendo que precisamos ser firmes e que estou no caminho certo. E eu nem tinha percebido que ela estava me olhando.

O que me fez pensar em outro ponto. Tempos atrás, era eu quem observava outras mães com seus filhos. Era eu quem analisava comportamentos, tanto da mãe como da criança. Pensava em como lidaria com determinada situação se fosse eu a mãe (e obviamente pensava "imagina, meu filho não vai fazer birra em shopping!" puf!).

Hoje sou eu a observada. Sou eu o foco de outras mães, gestantes ou até mesmo não-mães, que analisam e julgam minhas atitudes. Que com certeza pensam em como agiriam ou não agiriam se estivessem em meu lugar. E que medo que isso dá! Que estranho é estar sob a lente do microscópio, com cada atitude sendo minuciosamente escancarada. Porque, vendo de fora, tudo é mais fácil. É fácil simplesmente olhar e ditar atitudes. Não sabemos o quanto aquela mãe já conversou ou não com a criança, o que está por trás daquele comportamento ou o quanto está cansada por um dia difícil.

Por essas e outras, não julgo ninguém. Eu mesma já perdi o controle, já ralhei com Bento de forma exagerada. Como também já cedi e permiti concessões. Duas das coisas que acho mais difíceis em educar são a repetição das regras e o fato de lidarmos com pessoas. Pessoas são inconstantes, têm seus altos e baixos. Em certo dia Bento está bem, dócil, obediente; em outros, cansado e irritadiço. Assim como eu. Assim como tantas outras mães e pais.


*** Muito obrigada pelo carinho no post anterior. Estou em uma fase bastante reflexiva mesmo...  Respondi lá no próprio post, ok?
 
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