Dia desses levei Bento ao shopping. Precisava comprar uma bolsa, a minha rasgou na lateral e, vira e mexe, perdi coisas por isso. Mas... quem é mãe sabe: shopping e criança pequena nem sempre combinam.
Naquele dia, em uma área do shopping, havia uma atração infantil com carrinhos e uma mini-pista. Obviamente, Bento se interessou. Conversei com ele, disse que ok, eu esperaria que ele brincasse e depois ele iria comigo à loja.
Alguém adivinha o que aconteceu? Depois de brincar, ele pediu para ir de novo, claro. Lembrei a ele sobre o combinado. Ele insistiu. Mostrei que outras crianças esperavam para brincar também. Ele insistiu de novo. Seguiu-se um mini-diálogo básico que toda mãe já deve ter feito. Mas quem também me conhece sabe que não sou uma pessoa das mais pacientes. E, uma vez tendo explicado e relembrado o que combinamos, peguei Bento pelo braço e saímos.
Ele foi resmungando. Chegamos à porta da loja. E o que ele fez? Um mini-piti com direito a pezinhos sapateantes e eu queros. E se tem uma coisa que me irrita é teimosia e pezinhos sapateantes. Eu me abaixei para falar com ele. Disse que nós havíamos combinado assim e que poderíamos voltar ao brinquedo
DEPOIS que eu escolhesse a bolsa. Mas que, se ele continuasse a birra, iríamos embora sem brincar. E entrei na loja.
Funcionou? Não de imediato. Ele ainda resmungou, pediu, reclamou. Não dei atenção. Depois de um tempo, ele brincava com espelhos e produtos expostos. Após minha compra, cumpri o combinado e voltamos ao brinquedo para uma última volta.
Nem sempre consigo ser, ao mesmo tempo, firme e serena. Eu dialogo, converso, mostro alternativas. Mas, como nem sempre funciona, sou mais durona. Não tenho a menor tolerância para pitis e manhas. Sei que, muitas vezes, minha falta de jeito em lidar com um comportamento infantil inadequado gera estresse. Já vi que situações simples que poderiam ser relevadas tornaram-se maiores do que efetivamente são. Outras vezes funcionou, e fez com que Bento entendesse que não se consegue o que quer no grito ou na insistência.
É claro que cansa, como cansa! Cansa explicar, argumentar, combinar... e um tempo depois, tudo acontecer de novo. Mas também dá uma sensação boa saber que estamos agindo corretamente. Como quando a vendedora da loja elogiou minha atitude, dizendo que precisamos ser firmes e que estou no caminho certo. E eu nem tinha percebido que ela estava me olhando.
O que me fez pensar em outro ponto. Tempos atrás, era eu quem observava outras mães com seus filhos. Era eu quem analisava comportamentos, tanto da mãe como da criança. Pensava em como lidaria com determinada situação se fosse eu a mãe (e obviamente pensava
"imagina, meu filho não vai fazer birra em shopping!" puf!).
Hoje sou eu a observada. Sou eu o foco de outras mães, gestantes ou até mesmo não-mães, que analisam e julgam minhas atitudes. Que com certeza pensam em como agiriam ou não agiriam se estivessem em meu lugar. E que medo que isso dá! Que estranho é estar sob a lente do microscópio, com cada atitude sendo minuciosamente escancarada. Porque, vendo de fora, tudo é mais fácil. É fácil simplesmente olhar e ditar atitudes. Não sabemos o quanto aquela mãe já conversou ou não com a criança, o que está por trás daquele comportamento ou o quanto está cansada por um dia difícil.
Por essas e outras, não julgo ninguém. Eu mesma já perdi o controle, já ralhei com Bento de forma exagerada. Como também já cedi e permiti concessões. Duas das coisas que acho mais difíceis em educar são a repetição das regras e o fato de lidarmos com pessoas. Pessoas são inconstantes, têm seus altos e baixos. Em certo dia Bento está bem, dócil, obediente; em outros, cansado e irritadiço. Assim como eu. Assim como tantas outras mães e pais.
*** Muito obrigada pelo carinho no post anterior. Estou em uma fase bastante reflexiva mesmo... Respondi lá no próprio post, ok?