29 de junho de 2012

Eu que achava...

Eu que achava que sabia muita coisa, cada dia sei menos. Achava que conhecia comportamentos, reações... e sempre me surpreendo. Nem sempre para o bem.

Eu que achava que sabia para onde estava indo, muitas vezes me vi deixando a vida me levar. Achava que ia para frente, e me vi tendo que retroceder.

Eu que achava que estava tudo em seu lugar, dentro do previsto, dentro dos padrões. Vem um vendaval e sacode tudo, levando o cotidiano e trazendo incertezas.

Eu que achava que sabia o que queria e o que não queria, o que era certo e o que era errado. E me vi questionando o antes inquestionável.

Eu que achava que meu comercial de margarina seria como todos os outros, com uma vida comum e todos em paz, mesmo com os percalços da vida. Mas que descobri estar mais para comercial de carro, que mostra sua potência passando sobre o barro e sujando a tela.

Eu que achava que havia aprendido o caminho, a direção, o destino final... me vi perdendo o rumo.

Eu que achava que o segredo para ser feliz era se sentir feliz... E me vi sem resposta.


* Post reflexivo, escrito pela mulher, não pela mãe.

25 de junho de 2012

O Fofão, o balão e a festa junina

Tempos atrás, mais precisamente em meados dos anos 80, havia um personagem televisivo conhecido como Fofão. Oriundo do planeta Fofolândia e surgido primeiramente no saudoso Balão Mágico, Fofão fez tanto sucesso que ganhou até um programa diário.

 

Eu fui uma criança dos anos 80. Adorava Balão Mágico, Trem da Alegria e toda a gama de programas infantis da época. Portanto, não só assistia como adorava o Fofão.

Um dia, a cidade do interior em que eu morava organizou um evento infantil. Não lembro exatamente o motivo, se era dia das crianças ou algo assim. Mas seria uma grande festa no maior parque da cidade, tipo um Ibirapuera interiorano. O evento teria atrações diversas e, entre elas, o Fofão. Sim, o famoso personagem da tv foi à minha cidade natal. E a escola em que eu estudava fez um sorteio: um passeio de balão com o Fofão.

A escola era grande, com centenas de alunos do jardim à oitava série do ginásio (quando ainda se usavam tais nomenclaturas - favor ignorar a idade desta que vos escreve, grata). E, entre essas centenas de alunos, alguns, se não me engano três, seriam sorteados para o passeio com o Fofão.

No dia do sorteio, a alunada toda foi reunída no pátio do colégio na hora do intervalo. A diretora sobe no palco, pega o microfone e começa o sorteio. Nome A, viva, viva! Nome B, parabéns!

Alguém arrisca dizer qual foi o nome C dito pela diretora?

Pois é, eu merma. Mal acreditei quando ouvi meu nome. Na época não se falavam em pegadinhas, mas eu tinha certeza de que estava em uma. Porque voar num balão com o Fofão em plenos anos 80 era equivalente a entrar na nave da Xuxa.

Chegou o fim de semana e o dia do tal passeio. Lá fomos nós, eu, minha mãe e não lembro mais quem. Talvez meu pai, uma irmã ou meu primo. O que lembro nitidamente, como se fosse hoje, é o momento da chegada no parque. Um mar de gente superlotava o local. Crianças mil foram ver o Fofão. Lááá longe, o balão amarrado a uma corda e uma muvuca básica ao redor. O tal passeio consistia apenas em subir e descer com o balão, com a corda amarrada. Nada de voo panorâmico pela cidade, nada de brincar de esconde-esconde numa nebulosa e voltar pra casa num lindo balão azul. Nem lembro se o balão era azul.


Só sei que, ao ver aquela multidão, aquele sem fim de pessoas querendo ver o Fofão e passear de balão com ele... amarelei. Não quis ir, fiquei com vergonha. Não lembro se chorei, mas pedi pra sair pra ir embora. E fomos.

Sim, você leu direito. Eu ganhei um passeio de balão com o Fofão no auge da fama... e apavorei. Sempre fui tímida, detesto um monte de gente olhando pra mim, detesto ser centro das atenções (daí anos depois invento de escrever um blog - aloka). Por vergonha, perdi uma oportunidade única na vida. Única sim. Porque voar de balão eu ainda posso, um dia, quem sabe. Mas tendo Fofão como companhia... nunca mais.

***

Sábado à tarde, sol, friozinho. Festa junina da escolinha do Bento. Festa essa que foi organizada para participação de todos os alunos, com seus respectivos pais, mães, avós, tios, agregados, professores. Festa grande, animada, cheia, com muita música, brincadeiras e comidas.


Com Bento devidamente vestido de caipirinha, com camisa xadrez, chapéu de palha e bigodinho, fomos à festa. Ele se divertiu na pescaria, na bola na boca do palhaço, na cama elástica (coisas de festa junina muderna). Comeu pipoca e pastel. Logo começariam as danças.

Assim que começaram as apresentações, um mundo de pais, mães e outros familiares se plantou na frente do palco com suas máquinas fotográficas e filmadoras em punho. Ficamos junto à turminha do Bento, com seus amiguinhos, que tiravam fotos em grupo. Ele não queria nada. Não quis tirar nenhuma foto, nem com a amiguinha preferida. Quando eu lhe disse que logo seria a dança dele, me respondeu: "mãe, quero dançar só aqui com você". Era um sinal.

Chegou a hora. A fila de crianças subiu ao palco com as professoras. Todas sorriam, cantavam, pulavam. Bento subiu com os amigos. Na escada, ao lado do palco, vi o pequeno perdido entre os amigos, sem saber o que fazer. Quando virou o rostinho, vi que estava chorando. Subi ao palco, falei com ele. A professora tentou ajudar, ofereceu colo, deu a mão para ele. Perguntei se queria que eu ficasse lá. Ele dizia entre lágrimas, apavorado: "não queeeero dançaaar!".

Descemos do palco.

Vi os amiguinhos dançando, uma coreografia bem simples e bem bonitinha. Que ele tinha ensaiado e até mostrado um pedacinho pra mim em casa. Mas que não quis fazer. Não naquele lugar estranho, na frente de todas aquelas pessoas. Não com uma música tão alta, com flashes de fotos e palmas.

E, depois de ter ficado um pouco chateada de não ter visto meu filho dançar sua primeira mini-quadrilha, lembrei a vergonha que eu sentia em festas grandes e barulhentas. Lembrei do pânico em meio aos fãs do Fofão no parque. Lembrei que muitas outras festinhas virão, em várias ocasiões da vidinha dele. Com palco, sem palco, com personagens famosos ou até com passeio em balão. Mas que ele tem todo direito de não querer participar daquilo e de preferir brincar na cama elástica.

15 de junho de 2012

O maior amor do mundo

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree

Entre as milhares de coisas que todo mundo sabe que irá aprender com a chegada dos filhos, a mais comentada delas é sobre o tal "maior amor do mundo". O amor de uma mãe por seu filho é mesmo imensurável e, eu diria ainda, inigualável. Nada se compara ao que sentimos por aquela pessoinha que chega bagunçando toda nossa vida.

Aí fiquei pensando no que seria esse tal maior amor do mundo. Pensando no tanto que filhote me ensinou. E lembrei de algumas coisinhas.

Ele me ensinou, por exemplo, a vivenciar todos os estereótipos maternos: estou carregando uma blusa para ele para o caso de esfriar? ele fez cocô hoje? ele comeu os legumes? está com sede?

Ele me ensinou a dar valor a uma boa noite de sono. Ensinou que, sem dormir direito, não funciono, não raciocino, até perco as boas maneiras.

Ele me ensinou que possuo músculos que nem lembrava que existiam. Os dos olhos, que teimavam em querer fechar; os das pernas, que corriam para acudir qualquer choramingo; os das costas, que doeram de tanto dar colo.

Ele me ensinou a chorar de cansaço, de nervoso, de receio por aquela vida nova tão amedrontadora.

Ele me ensinou a sorrir por besteiras, por brincadeiras das mais bobas. Por vê-lo todos os dias ao acordar.

Ele me ensinou a brincar no meio do dia, deixando todas as outras tarefas de lado. Independentemente da importância, da urgência ou da necessidade.

Ele me ensinou que dói em mim quando ele fica doente. Que é duro vê-lo abatido, sem comer, sem vontade de brincar. Que não importa se terei que dormir com ele no colo a noite inteira, mas por favor, que ele melhore. E que alívio que dá quando ele se recupera.

Ele me ensinou a tentar ter mais paciência. A esperar o tempo dele, a esperar passar um acesso de teimosia, a conter os ânimos quando o que eu mais queria era sair correndo.

Ele me ensinou a determinar prioridades. A abdicar de coisas que não eram relevantes, das que comprometiam sua rotina deixando-o cansado, das que pertenciam à outra vida não-materna.

Ele me ensinou que cuspir pra cima faz cair na testa. Que o que a gente acha que não vai fazer, não vai acontecer com a gente, "com meu filho não"... Vai sim, não se iluda.

Ele me ensinou a me reencontrar. Ensinou que não sou exatamente a mesma desde que ele chegou... mas que ainda sou eu. Que ainda tenho minhas necessidades, vontades, que existe vida além da maternidade.

Ele me ensinou o tamanho da responsabilidade que é cuidar de alguém. Ter alguém que depende da gente para absolutamente tudo: comer, beber, ir ao banheiro, ter uma roupa limpa, ter um sapato no pé. Escolher uma boa escola e acompanhar lição de casa. Ensinar a dizer por favor, obrigado, desculpa. Ensinar a ter respeito, a ser generoso, a ser amigo, a saber perder. Ensinar, ensinar, ensinar.

Eu poderia escrever aqui indefinidamente, de tantas foram as coisas que ele me ensinou. Ainda ensina, todos os dias, e assim será para sempre. Então eu concluí que acho que é por isso que amor de mãe por filho é chamado de "maior amor do mundo". Porque tem que caber tudo dentro dele: o amor da mãe, o amor do filho, e os aprendizados todos.


***
Para votar neste post no concurso, curta a página da Limetree no Facebook e depois vote no meu post: link aqui!

7 de junho de 2012

Cartas na manga para feriados chuvosos

Feriadão. Dois dias de folga mais final de semana. Aí São Pedro resolve sacanear e acrescenta à essa equação muita chuva e frio. Os quais inclusive variam em intensidade: de garoinha fina e constante a temporal, de ventinho gelado à neblina e temperatura em queda livre. E o resultado disso tudo é.. quatro dias de criança em casa.

Aí o cérebro tem que trabalhar e buscar ideias mirabolantes na cartola. Ou na manga. Ou na caixa de brinquedos, na coleção de DVDs ou onde preferirem.

E criança é bichinho sabido que gosta de testar nossa criatividade. Ao contrário do resto da humanidade, criança nem liga se está frio e dificilmente quer ficar vendo filminho com pipoquinha e cobertinha. Até topa, às vezes assiste um filme inteiro. Mas logo a energia infantil acumula e querem mais é brincar.

Aí partimos para o rol de brincadeiras indoor: esconde-esconde, pega-pega, cabaninha, carrinhos, massinha, pintar e desenhar, jogos, leitura etc. Há ocasiões em que estamos inspiradas e com pique compatível (dentro do possível) ao deles, e inventamos atividades com sucata, colagens, farra culinária com bolo/bolinho/biscoito ou qualquer coisa divertida e gostosa para pequenos. Mas e nos dias em que a inspiração não vem e tudo que gostaríamos era que dormissem o dia inteiro brincassem sozinhos?

Nesses dias eu tiro uma carta da manga. E é tiro e queda, sempre dá certo. Acompanhem:

Em todos os seus três aniversários, Bento ganhou bastante presente. Nos dois primeiros vieram mais roupas, mas nesse último... infinitos brinquedos. De todo tipo: carrinhos, massinhas, jogos. No auge da emoção da festa, das brincadeiras com amigos e primos e das guloseimas liberadas, a criança nem se dá conta de tudo que ganhou.

Então que, no meio de tanta novidade, eu sempre guardo uma parte dos presentes. Até deixo ele abrir o pacote, ver o que ganhou, escolher seus favoritos para aquele momento. Aí recolho tipo 10% ou 15% do total e...guardo em um armário no qual ele não vá mexer.

O pequeno brinca, brinca e brinca com seus presentes. Os dias passam. Até que chega um dia como hoje: frio e chuva em pleno feriado. É chegado o momento de tirar a carta da manga!

Por aqui, as cartas guardadas eram três: um carro grande modelo jipe, uma lousinha mágica e um jogo de madeira chamado "bingo dos bichos". Bento adora jogos, tem quebra-cabeças, memória, dominó. Por isso o escolhido para sair do exílio foi o bingo dos bichos. E o resultado? Uma brincadeira divertida, cheia de risadas, e uma nova opção em sua caixa de brinquedos.

Incrível como uma supresinha fora de hora anima uma tarde. E nem precisa ser brinquedo: pode ser um DVD novo, um livrinho, um petisco diferente, até brincadeiras antigas como adivinhas e jogos de palavras. Eu mesma já tinha testado essa tática em outras ocasiões. No carnaval, por exemplo, saquei da cartola um kit de carimbos de esponja com tinta, que ele ganhou de Natal, e foi um sucesso. Agora são a lousinha e o carrinho que continuam na manga, esperando a próxima oportunidade... ou o próximo temporal.

4 de junho de 2012

Mãe tem que ser chata

Eu já fui chamada de chata. E de ter cara de brava também. Atribuí essas características ao meu apego a horários, ao respeito à rotinas e costumes, ao meu conforto ao seguir padrões.

Não que não tente algo novo, não que nunca fure esquemas preestabelecidos, não que faça necessariamente as mesmas coisas todo santo dia. Isso seria metódico demais, e também não gosto de tanta rigidez. Mas me sinto sim mais confortável com aquilo que já conheço.

Aí me tornei mãe. E uma das primeiras coisas que a gente ouve falar é em rotina. Confesso que, para mim, foi muito fácil estabelecer uma para o cotidiano com Bento. Ele sempre teve costume de acordar cedo e dormir cedo, tirar suas sonecas, além de também se cansar e mostrar irritação quando a rotina era bruscamente alterada. Obviamente nunca foi algo do tipo "almoço pontualmente ao meio-dia, soneca tem que começar às 13h, banho tem que ser às 18h...". Havia uma sequência e alguns horários, mas nada inflexível.

Aí fiquei pensando na rotina de uma mãe. Claro que dá para inventar diferentes formas de se levar o dia, mas fazer a mesma coisa infinitas vezes, sempre com um sorriso no rosto e ideias mirabolantes é impossível. Eu até que tento agir diferente, tornar a atividade ou obrigação divertida. Mas quem consegue fazer isso todo dia? Até porque a rotina de mãe é essencialmente chata. É chato fazer tudo praticamente igual todo dia, é chato fazer papinha, insistir pra comer, colocar pra dormir, dar banho, seguir horário de remédios. É chato acordar de madrugada, costurar furo de cueca, limpar caca de nariz. É beeem chato dar bronca, repreender, conter um ataque de birra. E é chato pra caramba repetir repetir e repetir as mesmas coisas, tanto as cotidianas quanto as ladainhas "não pode isso", "precisa fazer aquilo".

Mas, ao mesmo tempo, acho que essa chatice toda faz parte do pacote. Mãe tem que ser chata! Mãe tem que cobrar, tem que ensinar, tem que repreender, tem que educar. Mãe tem que acompanhar a lição de casa, tem que ver se comeu, tem que ver se está bem agasalhado. Mãe tem que conferir se tomou o remédio, tem que ver se está fazendo cocô direitinho, se as orelhas estão limpinhas. Mãe tem que fazer todas essas coisas.

Óbvio que ser mãe não é ser chata. Ser mãe também é ser chata. E se eu já era chata de nascença... acho que agora estou até com bônus.

1 de junho de 2012

Esconde-esconde

Para amenizar os posts tristes dessa semana, uma fofurice.

Bento adora brincar de esconde-esconde. Prefere se esconder do que procurar, como eu acho que toda criança dessa idade. E quando é a minha vez de me esconder, não posso escolher esconderijos muito difíceis que ele acha que sumi de verdade.

Então lá fui eu contar até 10 e procurá-lo. Onde estará o Bento? Alguém arrisca dizer?

Mas o que será que tem nesse sofá...

Epa, o sofá está se mexendo!

Achei!!

Bom fim de semana!
 
© 2011 - Mãe do Bento Desenvolvido por Flavia S | Lu Azevedo - todos os direitos reservados