31 de maio de 2012

As reações do Bento

Antes de mais nada, obrigada a todo mundo pelo carinho no post anterior. Eu me apego bastante, foi assim com todos os bichinhos que tive. Recebi muito carinho aqui, obrigada!

Algumas pessoas me perguntaram como foi a reação do Bento. Eu ia escrever tudo no mesmo post, mas achei que ficou longo demais e minha prioridade naquele era recordar e me despedir da minha pretinha.

Bento sempre soube que ela estava doente. Não entendia a dimensão toda da coisa, claro. Mas também não dava para esconder dele o tumor, por ter surgido na pata, na parte externa. Então simplificamos a coisa, e só dissemos que ela estava doente.

Quando ela foi operada, eu também contei a ele. Disse que ela estava no médico de animais e que ele estava cuidando do machucado na perninha dela. No dia da alta, eu disse a ele que a Tcheca estava voltando para casa, mas que tinha uma novidade. Disse mais ou menos assim:

"Lembra que ela tinha um machucado na perninha? Então, o médico cuidou bastante, mas a perninha estava muito dodói. Então agora ela vem pra casa sem aquela perninha."

Ele me questionou: "sem a perninha??". Eu disse que sim e ficou por isso mesmo. Quando ele a viu, ela estava ainda com os pontos e sem vários pelinhos na região. Foi na época em que fiz o vídeo do post anterior. Mas ele nem ligou. Acariciou e brincou com ela da mesma forma que antes.

Quando ela se recuperou e aprendeu a andar sem aquela pata, Bento brincava com ela normalmente. Dizia às pessoas que ela "só tem uma perninha", mas nunca dizia isso com entonação de pena. Era como se dissesse "ela tem pelos de três cores" ou "o nome dela é Tcheca". A ausência da pata não significava nada para ele. Era apenas uma característica nova dela.

Quando ela voltou a adoecer e foi internada, Bento ia comigo vê-la. Em um dos dias comprei um patezinho especial recomendado pelo veterinário, para ajudá-la a comer. Pois Bento quis levar na mão de casa até o hospital veterinário e, chegando lá, entregou a ela pessoalmente, dizendo: "oi Tcheca, olha seu papá novo". Em outra visita, quis levar um band-aid para ela, para colocar na patinha e ela melhorar.

Ela se foi enquanto ele estava na escola. Por isso, fui me despedir dela sem ele. Ao buscá-lo, eu disse que tinha uma coisa para contar a ele sobre a Tcheca. Chegamos em casa, sentamos no chão do quarto. Ele estava com dois carrinhos na mão. E eu disse:

"Filho, lembra que a Tcheca estava muito dodói? Lembra que nós fomos lá visitá-la e ela nem queria comer?"
 Ele nem me olhou, continuou brincando com seus carrinhos. Mas fez que sim com a cabeça.
"Então, ela tava muito muito dodói, aí o médico deu remédio mas ela não melhorou. Ela foi ficando mais dodói. Aí ela morreu."
"A Tcheca morreu?"
"Morreu, filho. Agora ela vai ficar dormindo, não vem mais pra casa."
"Ah..."
E alguns segundos depois:
"Mãe, pega aquele carrinho?"

Simples assim.

Não sei se ele entende que ela não volta. Não sei se ele voltará a perguntar dela. Mas achei importante dizer a verdade. Não amenizei a doença, não escondi que ela iria ficar sem uma perna, não inventei para ele uma realidade paralela onde ela estaria viva. Também não omiti a palavra "morreu", pois foi isso que aconteceu. É triste, mas lidar com a morte também faz parte da vida.

29 de maio de 2012

Uma despedida

Três meses atrás, no dia 28 de fevereiro, eu contei uma historinha aqui. Contei como era minha relação com os animais, como sempre tive bichinhos, como as coisas ficaram depois que Bento nasceu. Contei que queria ensiná-lo a conviver com os animais, a brincar com eles e a respeitá-los.

Contei também que nossa gatinha estava bastante doente. Um câncer de tipo maligno e bastante agressivo começou a despontar em sua perninha esquerda. Contei que, mesmo sabendo dos riscos e da alta probabilidade de recidiva da doença, optei pela vidinha dela e por permitir a cirurgia de amputação da patinha.

Minha gatinha se recuperou muito bem. Em poucos dias voltou a se alimentar, os pelinhos cresceram e a cicatriz logo desapareceu. Ela se adaptou à ausência da pata. Andava aos pulinhos e até corria e subia em alturas baixas, como cadeiras e sofás. Minha pretinha estava de volta.

 vídeo feito em março, poucas semanas após a cirurgia


Porém, na semana passada ela não estava bem. Passou a comer muito pouco e a respirar muito ofegante. Na sexta-feira foi internada. Um raio-x mostrou: metástase no pulmão. Passei o final de semana triste, com crises de choro. Levei o que pude para que ela tivesse um pouco de conforto em seus últimos dias: comidinhas, caminha, coberta, colo.

E nessa segunda-feira, 28 de maio, no início da tarde, minha Tcheca se foi.



Minha pretinha,

Você passou por tantas coisas na sua vidinha! Você sobreviveu na rua até vir morar com a gente, e chegou já grandinha, trazida por seu irmão felino Bubbles. Você aguentou a perda de seu filhotinho, que nasceu grande demais e você não conseguiu parir sozinha. Você viajou e mudou de casa conosco várias vezes, sendo a prova de que gato se adapta sim ao dono. Você aguentou a tristeza, sua e minha, quando nosso Bubbles se foi.

Você foi uma guerreirinha, preta. Você aguentou o câncer o quanto pôde. Aguentou a dor na patinha, aguentou a ferida aumentar enquanto fazíamos exames e diagnósticos, aguentou a perninha se tornar um obstáculo para sua caminhada. Aguentou viagens até o médico, a internação, a cirurgia, os remédios. 

Teve uma sobrevida curta depois da cirurgia, apenas 3 meses. Pouco perto do tanto que eu queria, pouco perto do tanto que você merecia. Mas pudemos ficar juntas, e você engordou, corria e pulava quase como antes.

Desculpe, minha preta. Desculpe por eu não poder fazer mais. Desculpe por eu não conseguir tirar essa doença de você, esse bicho mal que foi te corroendo por dentro até o estrago ser impossível de ser consertado. Eu sei que você queria ter vivido mais. Desculpe.

E obrigada, xeco, por esses 8 anos em que você ficou com a gente. Já sinto muitas saudades. Sinto saudades dos seus miadinhos insistentes logo cedo, para me acordar, para pedir comida, para me dar bom dia. Sinto saudades da sua companhia sempre presente ao meu lado e de você se enroscando feito rolinho para dormir. Sinto saudades de te procurar e te achar embaixo das cobertas, escondidinha.


Vai, preta. Vai descansar, livre-se da dor. Vai encontrar seu irmão-namogato Bubbles. Ele vai lhe dar muitos lambeijinhos no pescoço, como você gostava. Juntos vocês vão correr pelo céu dos gatos. Lá você não vai sentir dor, nem falta de ar, nem nada. E vai poder correr e pular com as suas quatro patinhas.

25 de maio de 2012

Mãe também é gente

Tempos atrás, quando eu tinha uma folga no trabalho ou na rotina da casa, eu vinha blogar. Quando trabalhava fora e passava o dia inteiro na frente do computador, óbvio que dava uma respirada blogando, lendo, comentando (quem nunca, né Lia?). Já em casa o tempo tem que render, porque há um monte de outras coisas a serem feitas. E a principal delas é brincar com o filhote. É ver um desenho com ele. É ajudar na tarefa de casa. É ler um livrinho.

Além disso, filho de 3 anos é bem diferente de filho recém-nascido. Filho de 3 anos não fica pendurado na gente o dia todo, não mama, não dorme picado. Ao contrário. Filho de 3 anos come nossa comida. Filho de 3 anos pede para ir ao banheiro. Filho de 3 anos dorme das 20:30 às quase 9:00 do dia seguinte (mães de bebezicos, acreditem, esse dia vai chegar!).

Aí a gente se descobre com mais tempo.

Ou melhor, a gente redescobre nossos gostos, nossos compromissos, nosso novo tempo. E com esse novo tempo, queremos fazer outras coisas. E blogar vai ficando de lado.

Eu, por exemplo, comecei a fazer duas coisas esse mês. Pilates e terapia.

O pilates está me ajudando bastante com dores na coluna e um tal de abaulamento que surgiu em três discos. Não sei explicar muito bem o que é isso, mas desconfio que está diretamente relacionado a passar o dia inteiro sentada no computador, acrescido de carregar um certo menininho no colo (hoje menos, mas já dei muuuito colo) e arrematado por falta de exercícios físicos. Após a devida bronca do meu ortopedista, tomei vergonha e comecei aulas de pilates. E está funcionando, a coluna tem chiado menos.

A terapia ainda estou no começo, nas primeiras sessões. Resolvi fazer por vários motivos, entre eles as mudanças pós-maternidade, o abalo no casamento, a "perda" de identidade, e otras cositas más. Já na segunda sessão chorei o tempo inteiro e, no final, queria um abraço. Mas terapeuta é terapeuta né, não é amigo. Saí de lá com meu lencinho e pronto, na próxima tem mais.

Também voltei a fazer outras coisas que gosto, como ver filmes (inteiros, de uma tacada só, sem pausar para atender o filhote) e ler. Já li 7 livros esse ano, estou no oitavo. É mais do que li nos 3 últimos anos, desde que Bento nasceu. Agora consigo ler capítulos inteiros e emendo um livro no outro, de diferentes estilos. Adoro.

Ou seja, filhote cresce e... olha só, eu ainda existo! Também gosto de fazer outras coisas além da maternidade. Também preciso de médico, do corpo e da mente. Também preciso de roupa, de corte de cabelo, de cuidado, de lazer. Mãe é mãe, e essa nossa faceta ocupa uma parte enorme do nosso todo. Mas temos vários outros lados. Também somos mulher, esposa, filha, amiga, profissional, estudante, tudojuntomisturado. Mãe também é gente, e não deixa de ser mãe quando exerce suas outras vidas.

Ah, não vou deixar isso aqui não. É minha terapia também, é o registro do meu lado materno, é o conjunto das recordações sobre o Bento. Continuarei escrevendo, continuarei contando fofurices, continuarei desabafando sobre perrengues, desafios, dúvidas. Só não na mesma frequência.

15 de maio de 2012

Beijinhos, Histórias e Pum

Estou sumida, eu sei. Muitas coisas em tão pouco tempo, a festinha de 3 anos do Bento, festinha das mães na escola, muito trabalho. A vida real acontecendo. Mas lendo o post de hoje da Paloma lembrei de uma fofurice do pequeno que quero registrar.

Já contei que ele adora o livro A Casa dos Beijinhos. Gosta tanto que até decorou a história e parece que está lendo sozinho. Desde que comprei esse livro há tempos, em 2010, foi paixão à primeira vista. Sucesso absoluto até hoje.


Pois bem. Toda sexta-feira as crianças podem levar algum brinquedo de casa para a escola. É uma prática que ajuda na socialização, já que as crianças brincam e compartilham seus próprios brinquedos. Uma coisa é brincar com os que estão na escola e são divididos entre todos, outra bem diferente é emprestar um pessoal, pelo qual a criança tem mais apego.

Daí que, entre carrinhos e motos e caminhões e bonecos, por duas vezes Bento escolheu levar um livrinho para a escola. E um dos escolhidos foi qual, quem adivinha? A Casa dos Beijinhos, é claro. Disse a professora que fizeram uma roda para lerem todos juntos, e que Bento "leu" o livro todo para a turma, sozinho. Como faz em casa e como mostrei aqui. Orgulho master mode on.

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Bento ganhou dois livrinhos novos de aniversário. Ambos eu enviei, entre outros títulos, como dica à minha irmã, que pediu sugestões de presente. São eles:


Livro de Histórias, de Georgie Adams

Livro com 8 histórias, quatro delas clássicas: Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, João e o Pé de Feijão e Cachinhos Dourados; e mais quatro outras. Bento adorou, mesmo sendo histórias com textos mais longos ele presta atenção até o final. As ilustrações são lindas! As histórias da Chapeuzinho Vermelho e Três Porquinhos ele conheceu recentemente e gostou, apesar de ter ficado com medo do lobo. Mas a preferida do momento é Cachinhos Dourados - da qual eu também adorava quando criança. Mais sobre o livro aqui.

O segundo livrinho que ele ganhou foi esse:

Quem soltou o Pum?, de Blandina Franco

Uma história simples e divertida. Pum é o nome do cachorrinho da capa, e a história vem cheia de trocadilhos e situações engraçadas contadas pelo menininho dono do Pum. Frases do tipo "acho que quem soltou o Pum foi a tia Clotilde", "meu pai falou que não posso soltar o Pum no meio da festa" e "soltei o Pum debaixo do lençol e minha mãe nunca descobriu" renderam boas risadas por aqui. Mais sobre o livrinho nesse link.

Duas dicas bacanas de leitura para pequenos!

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E agora uma dica de leitura para as mamães: vocês conhecem a Revista KIDs In? É uma revista para mamães com formato e design diferenciado e com matérias bem bacanas. O exemplar de abril/maio, por exemplo, traz uma matéria bem legal sobre pesadelos em crianças, outra sobre propagandas e alimentação infantil, tem até uma matéria das meninas Mamatracas. Gostei bastante e recomendo!

Em tempo: esse post não é um publieditorial nem ganhei nada para recomendar a revista. Indico porque gostei mesmo!

7 de maio de 2012

O que você quer ser quando crescer?

Essa foi a pergunta que fez parte da lição de casa da semana na escola do Bento. Como tivemos o feriado de 1° de maio, foram trabalhadas algumas profissões com os pequenos. E no caderno de casa veio a já conhecida perguntinha, para que as crianças respondessem da forma que quisessem.

Então lembrei de quantas vezes já me deparei com essa pergunta.

Quando eu era criança... queria ser bailarina. Eu pensei mesmo nisso, já que fazia ballet. Mas a empolgação foi passageira, até porque nunca fui magricela e levinha, nem conseguia fazer todas aquelas aberturas malucas. Não tinha toda a disciplina de comer feito faquir e andar toda reta. Gostava mesmo era de andar de bicicleta pela cidade e brincar na rua. Então o ballet ficou para trás.

Quando eu era pré-adolescente... queria ser jogadora de vôlei. Cresci mais rápido que outras meninas, ganhei uma vaga no time da escola e depois virei titular e capitã. Treinava, participava de campeonato e cheguei a entrar para o time de um clube da cidade. Mas sentia umas dores esquisitas na parte de trás do joelho. E torcia muito os tornozelos. Muito mesmo, coisa de semana sim outra também. Até fiz fisioterapia para parar de cair. Depois mudei de escola, não me adaptei à nova professora. Então o vôlei ficou para trás.

Quando eu era adolescente... queria ser publicitária. Sempre me interessei por comerciais e anúncios, prestava atenção em tudo, até decorei vários. Admirava a criatividade e como conseguiam transformar um produto banal em algo imprescindível. Prestei vestibular, adorei o curso e a faculdade. Trabalhei em agência de propaganda e em departamento de marketing de multinacional. Então o mercado mostrou suas garras. Vi que a competitividade era imensa e que, para crescer nessa área, era preciso bem mais do que boas ideias. Aos poucos fui me desencantando desse mundo. Então a publicidade ficou para trás.

Hoje a bailarina, a jogadora de vôlei e a publicitária deram lugar a uma tradutora. Demorei a encontrar meu caminho, e ainda quero estudar mais. O que me leva a concluir que estamos sempre nos questionando, sempre procurando e encontrando novos caminhos.

Mas e a lição de casa do Bento? O que afinal ele respondeu? No dia anterior tinha até respondido "jogador de futebol", então eu estava na expectativa do que viria. Fiquei ao lado dele e li a pergunta: "o que você quer ser quando crescer, filho?" E ele disse: "é... o papai!" E desenhou o pai, bem alto e de boné, como ele o vê. Então perguntei: "pronto? quer desenhar mais alguma coisa?". E ele: "a mamãe!". E me fez mais baixa que o pai, e com uma cabeça enorme. Perguntei de novo: "pronto?" E ele: "agora o Bento", e se desenhou pequenininho ao lado. Então concluí: "é isso tudo o que você quer ser, filho?". E o pequeno concluiu: "é, bem grandão".

Ou seja, dentro de seu entendimento, o que ele quer ser quando crescer é, simplesmente, ser grande. Ter sua família. O que achei incrível pela obviedade, na cabecinha dele. Seja qual for o caminho que ele escolher, de jogador de futebol a astronauta, de escritor a pipoqueiro, de médico a músico, o que ele quer mesmo... é crescer.

3 de maio de 2012

O Sr. 3 Anos

cortando o bolo na festinha da escola

Bento acaba de completar 3 anos e está se achando todo grande. Está mesmo bastante esperto, desenvolto, aprendendo milhares de coisas a cada dia. É engraçado acompanhar esse aprendizado, incrível como cada vez mais ele se torna um menino e deixa o bebê para trás.

Daí que lembrei de um livro no qual o personagem é um menino de 5 anos que, ao fazer aniversário e se encantar com a nova idade, ganha da mãe o apelido de Sr. 5 Anos. O foco do livro nem é esse (um livro ótimo aliás: Quarto, de Emma Donoghue, recomendo), mas adotei o apelido e o adaptei para destacar as mais novas fofurices bentísticas:

O Sr. 3 Anos adora a escola e raramente faz manha para entrar na sala. Na maioria das vezes, diz tchau, dá beijo e vai brincar com os amiguinhos. Às vezes até se esquece de me dar tchau.

O Sr. 3 Anos fala mais e mais, cada vez melhor. Tenta conjugar verbos e solta perolinhas como "eu já dizi" (disse) "já fali" (falei), "você não dizeu", "eu já fazi". Pronuncia bem quase todos os fonemas, com destaque para um "R" bem forte e tremido, como em "prrrrronto", "brrrrranco" e "prrrrrato", assim mesmo, cheio de erres. Um dos poucos fonemas que ainda não sai é o "g/j", que ele troca por "z": "zelatina, zirafa, zente".

O Sr. 3 Anos obedece mais do que o Sr. 2 Anos. Ainda tem momentos de recusa, de preguicinha, de contestação. Aliás, o Sr. 3 Anos adora a palavra "não". Mas as peraltices e rebeldias estão mais contornáveis do que antes.

O Sr. 3 Anos tem muuuita energia. Não tira mais soneca diurna, apenas de vez em quando. E, mesmo indo à escola à tarde, muitas vezes ainda chega ao fim do dia cheio de gás. Pedala super bem sua motoca, faz até curvas. Adora brincar de correr, de pega-pega e está aprendendo a pular em um pé só.

O Sr. 3 Anos come muito bem. Já degusta porcarias de vez em quando, mas os bons hábitos prevalecem, menos com verduras. Outro dia a tarefa da escola era desenhar, com a ajuda de um adulto, os alimentos preferidos. Pois ele quis desenhar arroz, feijão, banana, leite, suco de uva e ovo.

O Sr. 3 Anos tem alguns pequenos medos e desenvolve a imaginação. Brinca sozinho (não muito, mas brinca), fala com os brinquedos. Faz vozes com entonação diferente e cria diálogos com o que estiver brincando - podendo ser entre carrinhos, entre bonecos, entre frascos de shampoo.

O Sr. 3 Anos está ficando mais independente. No último feriado dormiu a primeira vez fora de casa sem mim, lá na vovó. Passou o dia, almoçou, jantou, tomou banho, brincou, dormiu. Todo moço.

O Sr. 3 Anos é muito carinhoso. Às vezes não quer beijo, limpa e "joga fora". Mas na maior parte do tempo recebe o carinho e retribui. Sabe nomear e diferenciar os sentimentos, percebe se estou triste, ou brava, ou feliz. Encantou-se por uma amiguinha da escola. E entende o que é saudade: ao voltar do dia fora na casa da avó, o abracei e disse "estava com saudades... te amo", e o pequeno respondeu: "também te amo".

O Sr. 3 Anos tem só 3 anos... mas já me ensinou muito mais do que muita gente bem mais velha.
 
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