28 de fevereiro de 2012

Das relações com animais e do poder de decisão

Desde que me entendo por gente temos animais de estimação em casa. Até onde consegui me lembrar foram 3 cachorras, 2 passarinhos, 3 pintinhos, 1 coelho e uma infinidade de gatos. Um animalzinho de cada vez, no máximo dois ao mesmo tempo, cada um com sua história.

Entretanto, sempre gostei mais de gatos. Em uma época em que não se falava em castração nem em evitar que os gatos saíssem para a rua, tivemos mais ou menos uns 9 (de novo, um de cada vez). Tivemos uma gata "matriz", que foi deixada em frente de casa em uma caixa de papelão. A cada vez que dava cria era uma festa. Eu, meu primo e outras crianças do bairro saíamos à procura de possíveis donos para os gatinhos. E, vez ou outra, um filhote ficava em casa com a gente.

Tempos depois, já casada, adotamos um gatinho. Depois mudamos de casa e esse gatinho escolheu uma gatinha da vizinhança para ser sua companhia. E esse casal de gatos conviveu com a gente por bastante tempo. Até que engravidei. E, ao contrário do que muita gente previa ou recomendava, não nos desfizemos dos gatos. Eles continuaram com a gente, pois sempre foram parte de nossa família. Para mim, bichinho de estimação completa, contribui, agrega. E eu queria ensinar ao Bento essa relação de amizade, companhia e responsabilidade.

Tcheca com Bento aos 5 meses

Tcheca com Bento aos 9 meses

Mais um tempo se passou, o gato macho faleceu e ficamos apenas com a fêmea. E, no final do ano passado, essa gatinha ficou bastante doente, com tumor no fêmur. Ficou magrinha, passou a andar com dificuldade, sentia dor. Após consulta a três veterinários, confirmamos o diagnóstico e as duas únicas opções existentes para ela: cirurgia de amputação ou eutanásia.

Aqui cheguei ao título do post: o poder de uma decisão. Estávamos com a vida da nossa gatinha em nossas mãos. Podíamos autorizar a cirurgia, que era arriscada pelo estado de saúde dela mas lhe proporcionaria uma sobrevida. Podíamos autorizar a eutanásia e encurtar sua vida e seu sofrimento que tenderia a piorar. Ou poderíamos não fazer nada, dar apenas medicações paliativas e acompanhá-la até quando aguentasse.

Eu não consegui não fazer nada. Não consegui vê-la sofrer, vê-la pedir que aliviássemos sua dor. Também não consegui me acostumar com a ideia da eutanásia. Ela comia, mesmo que pouco; caminhava, mesmo que lentamente; e pedia carinho. Gostava de se deitar ao nosso lado e pedir um cafuné. Ela estava lutando para viver. Então autorizei a cirurgia.

Ontem, no final da tarde, minha pretinha foi operada. À noite recebi o primeiro retorno do veterinário com boas notícias, com a total retirada do tumor. Hoje, pela manhã, me informou que ela está reagindo bem, comendo bastante e já querendo andar. Segue em recuperação, ainda inspira vários cuidados, mas está com outra carinha. Está viva.

 Força minha pretinha!

E é essa a lição que quero deixar para Bento. Que os animais são nossos companheiros não apenas quando estão brincando. Que eles também precisam de atenção, de carinho, de cuidado. Que ficam doentes e sentem dor. Que, se um dia nos propusemos a cuidar de um deles, esse cuidado incluirá limpar cocô, levar para vacinar, dar comida, para o resto da vidinha deles. Que, se ficarem doentes, dependerão de nós para melhorarem. Que podem morrer e nunca mais voltar. Que não são descartáveis porque "quebraram" ou "estragaram". E que, como nós, estão vivos, merecem respeito, merecem amor.

18 de fevereiro de 2012

Fantasia econômica

Quatro dias de carnaval mais a quarta-feira de cinzas resultam em cinco dias em que o país pára. Já pulei em salão, já assisti carnaval de rua... agora prefiro aproveitar os dias de folga para descansar, curtir o filhote, fazer nada.

Ontem teve carnaval na escolinha, e Bento foi vestido de jogador de futebol. Acho muito fofo as crianças fantasiadas, mas esse ano escolhi uma roupa mais simples. As fantasias tradicionais vendidas em loja geralmente são de super-heróis ou personagens de desenhos animados. Não comprei nenhuma por dois motivos: primeiro porque está muito quente para vesti-lo com roupas sintéticas, mais capa, mais máscara... Segundo porque ele ainda não se encantou por nenhum herói em especial, já que os desenhos que assiste não incluem esses personagens. A paixão atual são carros, e ele se contentou com um chinelinho com desenhos nesse motivo.

Portanto, aqui está meu mini-jogador, um corinthianinho! Ele ficou feliz da vida de ir para a escola com a roupa do time.


Boa folia para quem é da folia, bom trabalho para quem vai trabalhar, bom descanso para quem vai relaxar... bom feriado a todos!

17 de fevereiro de 2012

Mamatracando sobre desfralde

Hoje estou no Mamatraca falando sobre o tema da semana por lá: desfralde!

Contei um pouquinho da minha experiência com o desfralde do Bento, dizendo o que achei que deu certo e o que não deu pra ele. Confiram aqui!

E quem quiser conhecer mais detalhadamente como foi o desfralde do filhote, clica aqui!

E pra quem já desfraldou o filhote... o que deu certo pra vocês?

16 de fevereiro de 2012

Os melhores posts - blogagem coletiva


A Celi me indicou para participar da blogagem coletiva que começou com o blog Aprendiz de Viajante. A ideia é selecionar nossos melhores posts em 7 categorias e falar um pouco sobre os escolhidos. O mais legal da blogagem é revisitar o próprio blog. Li posts antigos, alguns até que eu tinha esquecido que tinha escrito! E aí estão os posts que escolhi para cada categoria: 

1) O post mais bonito
2 anos e Explicando a saudade
Não consegui escolher só um. Esses dois posts foram feitos em forma de cartinha para Bento, escritas com todo coração. O primeiro foi quando ele completou 2 anos, e fiz uma mini-retrospectiva do que sentia na gravidez. Já no segundo tentei explicar a ele o que é saudade e como sinto isso o tempo todo!

2) O post mais popular
Cachinhos Dourados
O campeão de visualizações do blog é um em que escrevi sobre os cabelos do filhote: loirinho e cheio de cachinhos. Acho que é tão popular por causa do título, que se refere a uma história infantil.

3) O post que mais gerou discussão ou polêmica
Foram dois:
Mãe Vaca? - sobre uma matéria controversa a respeito de amamentação
Dilemas de uma mãe que trabalha - sobre o embate maternidade x carreira
Os dois posts geraram comentários acalorados e posts sequenciais para continuar os debates.

4) O post que ajudou/ajuda mais gente
Manual do Desfralde - o que funcionou por aqui
Nem preciso explicar o motivo né?

5) O post cujo sucesso me surpreendeu
De Touro Ferdinando a Touro Indomável
Fiz esse post em tom de brincadeira, relacionando títulos de filmes famosos ao signo do filhote: touro. O sucesso me surpreendeu porque esse é o segundo post mais visualizado entre todos do blog. 

6) O post que não recebeu a atenção que deveria
Das coisas que aprendi com meu filho: a Redescoberta
Post sobre como nosso mundo muda de perspectiva depois da maternidade. Toda mulher passa por isso em maior ou menor grau, e todas levam um certo tempo para "voltarem ao eixo". Acho esse assunto importantíssimo, mas acabei tendo pouco retorno.

7) O post de que tenho mais orgulho
Das responsabilidades das mães de meninos e da criação dos futuros homens
Porque é um assunto difícil e uma mudança enorme a ser feita em toda a sociedade. Porque é um grão de areia em meio a séculos de costumes e a questões culturais. Porque detesto machismo e não quero que meu filho seja criado achando que tarefas domésticas são coisa só de mulher.

Por fim, queria citar mais um post que gosto muito e não achei categoria para encaixar: A história do Pula Pirata. Contei uma história verídica de um brinquedo que Bento adora e que fez parte da infância do pai, de uma forma especial. Gosto bastante desse post.

Alguns blogs que participaram da blogagem incluíram indicação de outros para continuarem a brincadeira. Mas outros blogs não indicaram ninguém e nem fizeram menção a isso... Então deixo em aberto para quem quiser participar, ok?

Ufa! Esses foram os textos que escolhi. Achei bem difícil fazer a seleção, confesso, pois há posts que escrevo com mais tempo e mais dedicação, enquanto outros são rápidos, apenas para registrar um momento ou uma reflexão. Mas adorei participar e reler meus próprios textos! Digam aí, gostaram da minha seleção?

14 de fevereiro de 2012

Destro ou canhoto?

Todas as crianças, quando nascem, são ambidestras. Usam as duas mãos para pegar os brinquedos, para tocar nas pessoas e objetos, para interagir. Em determinado momento, entre 2 e 3 anos (segundo o Babycenter), passam a usar uma das mãos com mais frequência, e a mão dominante aparece.

Bento ainda usa as duas mãos para tudo. Segura o talher com a mão direita, depois troca para a esquerda durante a refeição. Pega o lápis de cor para pintar com a mão esquerda, depois troca para a direita. Chuta a bola com os dois pés (não ao mesmo tempo, vocês entenderam né?!).

Já percebi uma leve preferência dele pela mão direita. Mas é leve mesmo, no geral ele ainda usa as duas mãos. Então não sei ainda se ele será destro ou canhoto... Alguém sabe me dizer quando essa definição ocorre, se é mesmo até os 3 anos, genericamente falando? Ou será que terei um filhote ambidestro forever?

13 de fevereiro de 2012

Ogrinhos versus ladies

Desde que começou na escolinha, pergunto ao Bento se brincou com as outras crianças e se já fez algum amiguinho. Como fiquei com ele por algumas horinhas durante os dias da adaptação, sei o nome de algumas crianças da mesma turma dele. Então pergunto sobre esta ou aquela criança, até para ajudá-lo a se familiarizar com os novos amigos.

Porém, toda vez, eu disse t-o-d-a vez que pergunto sobre isso, ele só me diz nomes de meninas. Diz que brincou com a Sofia, que a Lara chorou, que a Mel levou uma boneca, que a Bia estava de boné rosa. É uma mulherada sem fim. Aí eu pergunto pelos meninos: "você brincou com o Breno? e com o Luis? e com o Nathan?". Ele sempre responde que não. Não brincou com nenhum menino. E pior, ainda respondeu duas vezes que "aquele cara me empurrou" (sim, ele disse "cara").

Aí pensei em várias hipóteses:

a) Os meninos são verdadeiros ogrinhos anti-sociais que só empurram o tempo todo. Precisam ser adestrados para aprenderem a socializar. Menos o meu filho, é claro.

b) As meninas são docinhos-meiguinhas-gracinhas que brincam feito ladies e recebem bem os novatos.

c) As meninas são espertinhas demais e já estão garantindo o futuro, sendo simpáticas com os loirinhos de cabelos cacheados.

d) Os meninos, que lutam pelas fêmeas desde os tempos primordiais, levam a disputa eterna para o ambiente escolar e repudiam outros meninos, principalmente os... loirinhos de cabelos cacheados.

e) Bento cita apenas nomes de meninas porque sabe que não gosto dessa coisa de namoro infantil e só quer me provocar com as candidatas a futura norinha.

E aí? Qual a alternativa menos pior?

*Post inspirado pelo caso Emma, relatado pela Carol.

12 de fevereiro de 2012

A gente sabe que o filho cresceu quando...

... ele vai passear com a avó, a tia, o tio e a prima, sem pai nem mãe. Foi passar a tarde em um clube, nadar um monte nas piscinas, comer porcarias e voltar exausto. E o pior é que nem sente a nossa falta.

Mãe com ciúmes e saudades... volta logo filhote! E nada de crescer tão depressa e ficar tão independente, viu?!

9 de fevereiro de 2012

E quem quer dormir?

Um dos assuntos top da maternidade, ao lado de parto, amamentação e tantos outros... é o sono. Toda mãe se pergunta quando é que o filho vai dormir a noite inteira, e quando é que ela mesma vai voltar ao dormir, mesmo que por apenas algumas horinhas seguidas.

Já passei por toda fase de sono, ou melhor, não-sono. Bento foi um bebê com refluxo, que mamava picadinho por não poder mamar muito de uma só vez. E isso quer dizer... acordar várias vezes durante a noite e sonecas diurnas curtas. Aos poucos foi mamando em maior quantidade e aumentando as horinhas de sono. Aí, quando eu achava que ia voltar a dormir... Começava a despontar um dente e ele se incomodava com a gengiva inchada. Ou pegava um resfriadinho e não conseguia dormir com narizinho entupido. Ou aprendia a sentar/comer papinha/engatinhar/qualquer coisa nova e o sono também se alterava.

Só fui conseguir dormir um pouco melhor quando ele já tinha pouco mais de um ano. Aí fui voltando a dormir " a noite inteira", o que significava a última mamada por volta das 23h e a primeira no máximo às 6h da manhã, muitas vezes entrecortadas por acordadinhas rápidas. Era uma vitória, quantas horas de sono!

Hoje, vira e mexe ele ainda acorda à noite. Basta uma novidade, uma mudança de rotina (ou de casa, ou de escola, ou de fralda para cueca, ou de qualquer coisa) e o sono fica alterado. Mas agora é diferente, ele acorda, choraminga, chama, e volta a dormir. Não mama mais à noite e não leva muito tempo para adormecer de novo.

E agora, com a escola, tem dormido super cedo. A soneca diurna, que já vinha sendo suprimida por ele esporadicamente (o que acho uma pena!), agora sumiu de vez. Ele chega da escola às 17h30, brincamos um pouco, ele janta, toma banho... e pumba. Por volta das 19h já está dormindo. Acorda entre 21h e22h pedindo leite, mas toma e já dorme outra vez. Daí, só acorda mesmo no outro dia. Bem cedo, no máximo 7h30 (e já chegou a acordar às 5h30!). Mas dorme por várias horas seguidas e sempre acorda bem, descansado e disposto.

A conclusão é que depois que temos filhos nunca mais dormimos como antes. Primeiro porque eles mamam durante a noite, depois porque qualquer alteração na rotina os desperta, depois porque estão dormindo tão bem que vamos lá dar uma olhada para ver se está tudo bem. Sono despreocupado é incompatível com vocabulário de mãe!

E aproveitando... falei sobre sono também no meu segundo post como colaboradora do blog Chegou Bebê. Quer ler mais? Clica aqui!

8 de fevereiro de 2012

O nascimento do Mãe do Bento - Blogagem coletiva


Eu sempre gostei de escrever. Na escola, adorava fazer redações. Tive diários, agendas, anotava tudo. Escrevia poesias, reinventava letras de música. Sendo assim, nada mais natural que, um dia, eu tivesse também um diário virtual.

Mas o blog Mãe do Bento não nasceu assim, de cara, falando de maternidade. Meu blog tem dois partos. Pois é, dois! Quando criei meu blog, ele não era exclusivamente materno. Tinha outro nome, outro endereço, e eu postava textos e pensamentos meus sobre vários assuntos. Eu não escrevia com muita frequência, na verdade nem conhecia a blogosfera.

Até que engravidei. E, naturalmente, comecei a escrever mais sobre as mudanças e as expectativas para essa minha nova fase. A gravidez, os ultrassons, a escolha do nome do bebê, o enxoval, o parto. Os primeiros dias com ele, a amamentação, o refluxo, os primeiros dentinhos, as primeiras papinhas, a escolinha. O volume de posts aumentou e foram raros os textos em que não escrevi sobre maternidade. Até que decidi mudar o nome do blog, para ficar mais com cara de nome de mãe.

Então veio o segundo parto do meu blog e nasceu o "Mãe do Bento". Quem já tem filho sabe que, automaticamente após o parto, os novos pais passam a ser conhecidos por "pais do fulano" em todos os lugares e situações: a "mãe do Bento" trouxe o material escolar, a "mãe do Bento" quer marcar consulta no pediatra, a "mãe do Bento" ligou, vem buscá-lo mais cedo. Assim surgiu este cantinho.

Nesse segundo nascimento eu achei que estava inventando uma novidade. Achei que seria o máximo registrar a maternidade e todas as dúvidas que ela traz, para que eu pudesse ler depois e a família, que mora longe, pudesse acompanhar. Mal sabia eu que havia um novo mundo no ambiente virtual. Fui conhecendo um blog aqui, outro ali, e o mundo da blogosfera se revelou para mim. Aliás, um dos primeiros blogs que conheci foi o Projetinho de Vida, da mamatraca Roberta! Eu não sabia que existiam tantos blogs maternos, tantas mães, grávidas e tentantes relatando os aprendizados e travessuras de seus filhotes, tirando dúvidas e trocando ideias e experiências. É impressionante como o volume de blogs maternos cresceu e cresce a cada dia, nem consigo acompanhar tudo!

Hoje, meu blog é mais do que apenas um registro do crescimento e do desenvolvimento do meu filho. É um local para minhas reflexões, para trocar ideias com outras pessoas, para trocar experiências. É onde posto fotos e vídeos, onde desabafo, onde questiono. É onde escrevo cartas pra ele, cartas que espero que ele leia um dia. É meu diário virtual mesmo sem que eu escreva diariamente. É meu filho eletrônico, aquele que alimento com posts, que cuido, que vejo crescer. É mais um local onde exerço a maternidade.

Post para a blogagem coletiva proposta pelas meninas do Mamatraca.

PS: escrevi sobre isso um tempinho atrás a pedido de uma amiga blogueira... o original está aqui, mas agora detalhei um pouco mais para a blogagem coletiva!

7 de fevereiro de 2012

Adaptado e... abandonado?

A adaptação do Bento na escola vai evoluindo. Já se foram cinco dias (de terça a ontem), e a cada dia ele ficou um pouquinho mais. Em dois deles, já ficou por algum período só com as professoras, sem que eu estivesse por perto.

Ele adora arrumar as coisas para a aula. Adora passear pela casa de mochila, adorou ver cada item do material escolar, inclusive até quis me ajudar a etiquetar tudo - tive até que colocar etiquetas em alguns de seus carrinhos, ele achou o máximo ver seu nome nos objetos e ficava repetindo "Bento", "Bento", enquanto passava o dedinho sobre as etiquetas. Também gosta do uniforme, se sente todo importante de "roupa nova igual aos amigos". Em um dos dias da adaptação, quando ele viu a professora foi correndo mostrar o uniforme: "olha tia, tô pronto!".

Por outro lado... ainda fica receoso quando chegamos lá. Quer que eu fique junto, enrola para entrar na sala. Precisamos de várias estratégias e brincadeiras para que ele se envolva e não sinta tanto quando saio. Ainda chora quando me despeço.

Tenho conversado bastante com ele e destacado as várias coisas legais que há na escola. Falo das brincadeiras, das outras crianças, da professora, do lanche, do parquinho com balanço e túnel, do parquinho de areia, da quadra com bolas e bambolês. Enfatizo que fico com ele um pouco, mas preciso ir trabalhar e que sempre volto para buscá-lo. "Você vai tabalá no poncutador, mãe?" "Sim, filho, vou trabalhar no computador enquanto você brinca aqui na escola. E volto rapidinho para te buscar!"

Mas o menininho é esperto que só ele. Ao mesmo tempo em que conta todo feliz da escola para mim, para o pai e para a vovó... solta suas perolinhas. Já disse que não quer comer o lanche da escola. Contou que a professora falou "não, não, não" pra ele. E, nos dois dias em que vim embora depois de ficar lá por um tempo, reclamou: "eu fiquei solando, solando, solando e você foi embora". Toooma mamãe! Ou pior: "eu solei, solei e você não voltou". Na hora respondi: "claro que voltei filho, olha a mamãe aqui! Enfatizei que sempre vou voltar e blá blá... Mas é dose. Meu coração já fica pequenininho de deixá-lo lá, se ele ainda me diz uma dessas... Ainda bem que já conheço as sapequices do filhote.

1 de fevereiro de 2012

A busca pela escola - parte 3: Definição e Adaptação

A Definição
Acertou quem disse que eu escolhi a escola 4. Aliás, todas que arriscaram um palpite chutaram essa e/ou mais uma opção. Então concluí duas coisas: 1) vocês que me leem já conhecem meus valores no que diz respeito à criação de filhos; e 2) falamos a mesma língua, pois vocês escolheriam a mesma escola!

Algumas citaram como opção a escola 2. Sim, é uma escola ótima. Mas quando eu disse "mensalidade com preço elevado", é elevado meeesmo, do tipo que não dá para arcar nesse momento, apesar de ser um valor compatível com a estrutura e as atividades oferecidas.

No caso da escola 3, também seria uma opção se alguém da escola que não a recepcionista tivesse me atendido e/ou me retornado. Eu liguei antes de ir até lá para agendar uma visita, considerando que eu queria conversar com alguém responsável que pudesse sanar minhas dúvidas. A pessoa que me atendeu disse que não era necessário agendar, era só ir até lá. Fui, deu no que deu. Preenchi uma ficha com os dados da vaga de interesse e nela incluí meus telefones de contato. Sem retorno. Até tentei telefonar outra vez, mas novamente não encontrei nem a coordenadora pedagógica nem a diretora. Portanto, instituição descartada.

A Adaptação
Definimos a escola e essa semana começaram as aulas. Ontem foi o primeiro dia, e com ele começamos a adaptação do pequeno a uma escola nova, com tudo que isso traz: novos amigos, nova professora, novos funcionários, novo ambiente, nova rotina. Apesar de já ter frequentado escola desde o berçário, percebi que agora o negócio é outro. Primeiro porque ele ficou alguns meses comigo em casa, e isso o desacostumou da rotina de distanciamento, mesmo que agora apenas em meio-período. Segundo porque é uma escola maior, mais movimentada, com mais crianças e estrutura.

Bento ficará na escola das 13h às 17h30. No primeiro dia ficou por duas horas, e fiquei sempre por perto. Na primeira hora ele quase não deu trabalho. Passada a inibição inicial, brincou com os briquedos da sala e no parquinho, já com alguns amiguinhos e a professora. Eu e outras mães com filhos também em adaptação ficamos na área verde da escola, que é ao lado do parquinho e próxima às salas. De vez em quando Bento vinha me procurar, mostrar um brinquedo ou pedir algo. Sempre que me pedia alguma coisa (se podia pegar um carrinho, se podia ir na motoca, quando quis água), eu dizia para pedir à professora, já incentivando que ele a procure futuramente.

Na segunda hora na escola o bicho começou a pegar. Bento ficou mais manhoso, me solicitando mais. Em determinado momento, todas as crianças estavam na sala, brincando de massinha e pecinhas de encaixar. De repente vejo, pela janela, Bento aos prantos. Vou até lá e ele: "quero sair daqui mãe... me salva!". Peguei-o no colo e fiquei com ele até se acalmar.

Pouco tempo depois, hora do lanche. A princípio Bento adorou a rampa de acesso ao refeitório, subia e descia sem parar. Passam alguns minutos e escuto ele chorando novamente. Vou até lá, ele se agarra a mim e recusa o bolo e o suco oferecidos pela escola. Na sequência, brincadeiras com bola na quadra. Achei que ele fosse adorar. Até interagiu um pouco, mas precisei sentar com ele na quadra e brincar junto.

Em certo momento de chororô, pensei "o que estou fazendo com meu filho? vamos para casa!"... Mas vi que outras crianças também requisitaram bastante seus pais, principalmente as que foram à escola pela primeira vez. A cada vez que chorou, perguntei ao Bento se ele queria ir para casa. Se ele não se acalmasse, se demonstrasse desconforto, medo ou qualquer outra reação ruim, iríamos embora. Mas se a criança demonstra apenas receio ao novo, também é necessário ser firme e passar segurança, para que ela se sinta bem e se adapte ao novo ambiente.

Essa noite ele dormiu um sono agitado, me chamou várias vezes. Mas acordou muito bem, calmo e descansado. Hoje é o segundo dia da adaptação. Se tudo correr bem, ficamos um pouco mais de tempo e eu ficarei mais afastada da sala. Se chorar, estarei lá. Se não chorar... estarei também, um pouquinho mais longe... mas deixo meu coração com ele.
 
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