Todas as vezes em que contei sobre o desfralde do Bento aqui no blog, sempre recebi comentários de outras mães que passavam ou vão passar por essa etapa e me pediam dicas. Agora que o desfralde está praticamente concluído (é, não acabou ainda, conto no final), resolvi fazer um resumão do que funcionou pra gente. Chamei de "manual", mas na verdade não existem regras. Cada um deve adaptar cada dica - tanto as minhas quanto as que encontrar por aí - à sua realidade, ao seu filho. Há coisas que funcionaram para mim que não funcionarão para outras pessoas, e vice versa. O post ficou grande porque tentei contar tudo que lembrei, separado em tópicos. Vamos lá?
1)
O tempo: A primeira dica que deixo vale não apenas para o desfralde, mas para qualquer etapa de desenvolvimento: cada criança tem seu tempo. Algumas desfraldam perto de 1 ano e meio, outras perto dos três, outras antes, outras depois. A criança tem seu ritmo próprio, que deve ser respeitado. Tentar adiantar o desfralde sem ela estar pronta vai gerar infinitas tentativas frustradas e pode desanimar - tanto a mãe quanto o filho.
2)
O pré-desfralde: Uma coisa que funcionou bastante foi o que chamei de pré-desfralde. O pré-desfralde consistiu em aproveitar o interesse dele e deixá-lo conhecer o penico, ver a gente fazer xixi, incentivar com livrinhos sobre o assunto. Nada forçado. Nessa fase o coloquei no penico algumas vezes, só quando ele quis. Ele fez um ou outro xixi e só. Alguns pediatras aconselham levar o pequeno todos os dias no mesmo horário, para criar um hábito principalmente para o cocô. Achei interessante, mas não cheguei a colocar em prática. Mas achei essa fase super importante para prepará-lo aos poucos, sem surpreender quando o desfralde começasse pra valer.
3)
O arsenal: Penico, redutor de assento, panos de chão e produtos de limpeza. Itens essenciais. Algumas crianças preferem penico, outras o redutor. Bento começou no penico e só fazia xixi. Para o cocô ele não quis penico: fazia na cueca, depois foi direto no vaso, com redutor.
Acrescento ao arsenal os livrinhos (dicas
aqui). E cuequinhas novas, com desenhos que a criança goste (no caso do Bento, desenhos de carrinhos).
4)
Os incentivos: Ver o pai e a mãe indo ao banheiro ajuda os pequenos a entender que é algo comum e que faz parte da rotina de todos. Isso foi especialmente importante no quesito cocô ("
todo mundo faz cocô!"). É natural, já que até então, com a fralda, ele podia fazer xixi e cocô a qualquer hora e lugar. Restringir as necessidades ao banheiro, no vaso ou penico, é uma novidade a ser entendida e incorporada à rotina deles.
No caso dos meninos há outro fator: o xixi em pé. Bento via tanto a mim quanto ao pai fazendo xixi, e obviamente notou a diferença. Para mim, não importava a forma que ele quisesse fazer xixi, se de pé ou sentado. Eu achava mais importante nesse começo que ele entendesse que o xixi era para ser feito no banheiro e não mais na fralda. Então ele começou fazendo sentado no peniquinho. Depois passou para o ralo do box, durante o banho. Daí para fazer em pé no vaso foi um pulo. Hoje, sentado só o cocô.
5)
O início: Quando percebi que ele tinha real interesse em ficar sem fralda, fui deixando que ele ficasse de cueca em casa de vez em quando. Nessa etapa há escapes (que aliás vão acontecer várias vezes), os quais são importantes para que ele veja e sinta o xixi. Com a fralda, os pequenos muitas vezes nem percebem que fizeram alguma coisa ou, se percebem, nem se importam. Estão acostumados. Ficar de cueca ajuda a sentir o xixi saindo, ajuda a entender que aquilo sai deles.
Também achei importante só iniciar de verdade quando estivesse calor. No inverno fazemos mais xixi e isso dificulta o processo - com exceção da
Lu, que desfraldou o filhote em pleno inverno canadense!
6)
O discurso: Reforçar que ele cresceu, que não precisa mais da fralda, que já é "grande". Se houver outra criança maior que ele goste para servir de estímulo, melhor. No caso do Bento, o primo de 4 anos não usa fralda e é um ídolo para ele.
7)
Criar um hábito: Quanto a ficar lembrando a criança se ela quer fazer xixi, aqui há controvérsias. Já vi dicas para se perguntar à criança a cada 15 minutos se ela quer ir ao banheiro. Eu não agi assim. Perguntava de vez em quando, sem intervalo definido, mas em momentos chave: logo que acordava de manhã, depois da soneca, antes de dormir. Nem sempre ele queria ir e, quando ia, nem sempre fazia alguma coisa. Mas isso foi criando hábito.
Também fiquei bastante atenta aos sinais de que ele queria fazer xixi. No caso, quando já fazia tempo que tinha ido ao banheiro e, principalmente, colocar as mãos no pipi e andar trançando as perninhas. Sim, muitas vezes ele se recusava a ir mesmo morrendo de vontade, e fazia na calça segundos depois. Daí entrava em cena o discurso de reforço: "
viu só, você estava com vontade, o pipi queria fazer xixi... da próxima vez vamos ao banheiro tá?"
No caso do cocô, geralmente a criança faz em determinado horário, naturalmente. Bento criou sozinho o hábito de fazer depois do jantar, por volta das 18h, 19h. Nesse horário ele sempre fica com vontade e faz. Ciente disso, ao primeiro sinal dele já íamos ao banheiro. E assim ele aprendeu a fazer no vaso.
8)
Tirar pra valer: Quando decidi tirar a fralda, tirei e pronto. Ele ficava de cuequinha ou pelado mesmo pela casa. Fazia xixi na roupa, no chão, no tapete. Às vezes queria se esconder atrás da porta para fazer. Isso faz parte do processo. Apenas nos primeiros dias eu colocava a fralda para passear, mas só no comecinho mesmo. Depois de uns 3 dias, só cueca. Quando saíamos, levava uma ou duas trocas de roupa para o caso de acidentes - que aconteceram, claro. Fez xixi no chão da casa da tia, na feira, dentro de uma livraria. Aí é limpar e repetir o discurso - "
você já é grande, já usa cueca, quer fazer xixi vamos ao banheiro"...
9)
O cocô: Antes de iniciar o desfralde, eu achava que o cocô seria mais fácil e seria aprendido primeiro. Na minha cabeça, como o cocô é mais sólido e precisa de força pra sair, além de ser feito apenas uma vez ao dia e não várias como o xixi, facilitaria o entendimento de que era para fazer no banheiro. Pois o cocô por aqui foi mais difícil. No começo, Bento travou, ficava com receio de fazer. Ele queria fazer e não conseguia, pois sentia vontade e segurava. Chegamos a ficar horas no banheiro até o cocô sair. Eu até oferecia a fralda, não queria que ele ficasse com intestino preso. Mas ele recusava, preferia ficar sentado no vaso. Pedia massagem, água, pedia que eu segurasse sua mão. Aos poucos foi perdendo o receio e hoje faz normalmente.
9)
O apoio: Por mais que aconteçam escapadas (e vão acontecer, podem ter certeza), é preciso reforçar que ele não é mais bebê, já pode usar cueca, já sabe usar o peniquinho. Importante também é não perder a paciência, não brigar com a criança porque ela esqueceu de pedir para ir ao banheiro. Às vezes reclamei sim de ter que limpar o chão, principalmente quando já achava que ele tinha aprendido e escapava de novo. Nem sempre consegui não reclamar. Mas, na sequência, conversava com ele, mostrava o penico e o vaso, limpava tudo e começávamos de novo.
Outro apoio essencial para a gente foi a vovó. Já conhecedora de outros desfraldes (meu, de minhas irmãs, meus sobrinhos) e com a paciência natural das avós, sua ajuda foi fundamental.
10)
O tempo: Como disse no começo do post, cada criança tem o seu. O momento de começar, por quanto tempo vai durar... para cada criança é de um jeito. Aqui começamos quando ele tinha 2 anos e meio e do primeiro dia inteiro sem fralda até a consolidação foram 15 dias. Daí pra frente aconteceu um ou outro escape e só. O cocô demorou mais, cerca de um mês. Achei que deu tudo tão certo que, um mês depois de consolidado o desfralde, tirei também a fralda noturna. Como esse período coincidiu com o verão, aproveitei que ele acordava quase toda noite sequinho e tirei tudo.
Aqui cabe o adendo que comentei no começo do post. O desfralde noturno estava ótimo, ele dormiu um mês inteiro sem fralda e com pouquíssimos vazamentos. Até comemorei aqui, dizendo "
fraldas nunca mais"... Pois é, nunca digam nunca. Com esse tempo maluco e chovendo sem parar, as noites têm sido bem frias aqui na capital paulista. E, como ele quase não se cobre ao dormir, sente mais frio e... faz mais xixi. Resultado: uma sequência de xixis no colchão. Mesmo eu dizendo que é só me chamar que eu o levo ao banheiro, ele só acorda quando já está todo molhado. Daí que não tive receio de retroceder: voltei com a fralda noturna. Continuo dizendo para me chamar, mas vou esperar ele entender melhor o processo, entender que precisa acordar
antes de fazer xixi e não depois. Esse é outro passo, não preciso apressá-lo. Já estou bem feliz com o desfralde diurno.
Por fim, se a criança não está pronta, se não quer ir ao penico ou vaso, se não se interessa pelo assunto, é melhor esperar. Se já começou e não está dando certo, dá para interromper o processo, esperar e retomar depois de um tempo. É melhor do que forçar.
Espero ter ajudado com essas dicas. Mais uma vez, relatei o que deu certo ou não para nós, para a nossa rotina, para o Bento. A única coisa universal é ter paciência. O resto se descobre, se desenvolve, se adapta. Boa sorte para quem estiver nessa fase! Acreditem, vai dar certo. Pode demorar, pode parecer que vão usar fralda para sempre... Mas as crianças são espertas, aprendem rápido. E se alguém quiser perguntar algo específico que esqueci de abordar, é só dizer aí nos comentários!