Eu tinha uma vida comum. Trabalho, casa, marido, filho, gata. Cansaço, estresse, reclamações, mimimis. Sorrisos, passeios, sonhos. Tudo o que pertence ao pacote de uma vida trivial.
Um belo dia acordo e vejo pela janela uma garoa. Sabem a típica garoa paulistana, fininha, gelada, incessante? Essa mesma. A garoinha virou chuva, tempestade, temporal. Depois de bastante tempo, voltou à chuva fina. E só recentemente foi aberto um espaço para raios de sol.
E a vida comum virou de cabeça para baixo. Rotinas mudaram, hábitos foram questionados, mudanças foram sugeridas. Dúvidas muitas, certezas algumas, receios todos, resposta nenhuma.
Nesse período, foi bom descobrir os ouvidos e conselhos amigos. Foi bom saber que temos com quem contar. Foi bom ouvir opiniões sensatas de quem se preocupa e, ao mesmo tempo, tem a imparcialidade relativa de quem assiste aos acontecimentos sem vivenciá-los de fato.
Também foi muito bom deixar o tempo fazer seu trabalho. Esperar a calmaria, esperar a poeira baixar. Muitas vezes tomamos decisões em momentos atribulados, e estas acabam por se mostrar inoportunas. O tempo foi para mim um ótimo apazigador, e o travesseiro um grande conselheiro.
Agora surgiram novas questões: O que aprendemos com isso? O que se manterá igual, o que pode ser aprimorado? Algumas decisões foram enfim tomadas. Se são decisões corretas, só o tempo, novamente o tempo, nos dirá. Mas acredito que sempre é válido tentar por coisas positivas.
De tudo, ficam grandes lições. Que o amadurecimento decorrente desse caos nos traga serenidade para enfrentar novas batalhas, se estas surgirem. E que o todo permaneça maior do que a soma de suas partes.
"Se nada nunca mudasse, não haveria borboletas"
Imagens We Heart It.




