8 de agosto de 2012

Competição e autonomia

Em tempos de olimpíadas, lembrei de escrever sobre um assunto que estava há tempos no rascunho: o espírito competitivo das crianças.


Desde que começou a adquirir habilidades de fazer coisas sozinho, Bento quer ser o primeiro em tudo. Corre para entrar primeiro no carro e ser o primeiro a se sentar. Quando chegamos em casa, quer entrar na minha frente. Quer se vestir primeiro, tomar banho primeiro, escolher tudo primeiro. Acredito que seja um comportamento natural desta fase por dois motivos: a idade e o fato de ser a única criança da casa.

Aos 3 anos, Bento já sabe fazer várias coisas sozinho. Vai ao banheiro, faz xixi e lava as mãos. Sabe tirar a roupa (menos camiseta) e consegue colocar o tênis. Escova os dentes sozinho - sempre escovo de novo depois, mas incentivo que ele aprenda. Come sozinho - a não ser quando está com preguiça e vem com sem-vergonhice dizendo que ainda é "Bento pequeno". No geral, gosta de se sentir independente, gosta de mostrar que já consegue fazer algo sem ajuda.

Eu gosto de incentivar sua autonomia, dentro do possível, claro. Às vezes ele até recusa ajuda, manifestando sua vontade de tentar. Todo esse aprendizado incentiva e lhe enche de orgulho de suas próprias conquistas. Por isso, às vezes se empolga e quer fazer algo para o qual ainda não tem habilidade. Ou então, já que não consegue, resolve fazer o que sabe primeiro que os demais. Acrescentando o fato de ser o único ser infantil reinante na casa e pimba, temos um menininho que usa a competição para mostrar suas capacidades aprendidas. Mas autonomia é uma coisa, competição é outra.

E Bento é competitivo. Gosta de brincadeiras de jogos, adora dominó e memória, quer "ser o campeão". Aos poucos vamos ensinando que nem sempre se ganha. Claro que às vezes ele se chateia ao perder, afinal ainda é pequeno. Mas seguimos as regras, sem tanto rigor e ele reage bem: festeja quando ganha, entende empates mas, se perde, não emburra nem chora, apenas pede para jogar de novo.

Percebi sua competitividade também na escola. Sempre que chegamos para a aula, Bento quer correr e entrar primeiro. Por outro lado, também é lá que ele aprende a esperar a vez, a ouvir os amigos, a perder. Na escola a atenção é dividida, ele não é atendido imediatamente, nem sempre é o primeiro a falar ou fazer uma atividade.
 
É importante que a criança entenda que nem sempre será vitoriosa e, mais do que isso, nem sempre será o centro. Vai ganhar sim, muitas vezes, mas vai perder também. Lidar com perdas, mesmo que pequenas, é essencial para o desenvolvimento. Aliás, lidar com perdas é essencial para qualquer pessoa - até para um campeão.
 
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