15 de junho de 2012

O maior amor do mundo

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree

Entre as milhares de coisas que todo mundo sabe que irá aprender com a chegada dos filhos, a mais comentada delas é sobre o tal "maior amor do mundo". O amor de uma mãe por seu filho é mesmo imensurável e, eu diria ainda, inigualável. Nada se compara ao que sentimos por aquela pessoinha que chega bagunçando toda nossa vida.

Aí fiquei pensando no que seria esse tal maior amor do mundo. Pensando no tanto que filhote me ensinou. E lembrei de algumas coisinhas.

Ele me ensinou, por exemplo, a vivenciar todos os estereótipos maternos: estou carregando uma blusa para ele para o caso de esfriar? ele fez cocô hoje? ele comeu os legumes? está com sede?

Ele me ensinou a dar valor a uma boa noite de sono. Ensinou que, sem dormir direito, não funciono, não raciocino, até perco as boas maneiras.

Ele me ensinou que possuo músculos que nem lembrava que existiam. Os dos olhos, que teimavam em querer fechar; os das pernas, que corriam para acudir qualquer choramingo; os das costas, que doeram de tanto dar colo.

Ele me ensinou a chorar de cansaço, de nervoso, de receio por aquela vida nova tão amedrontadora.

Ele me ensinou a sorrir por besteiras, por brincadeiras das mais bobas. Por vê-lo todos os dias ao acordar.

Ele me ensinou a brincar no meio do dia, deixando todas as outras tarefas de lado. Independentemente da importância, da urgência ou da necessidade.

Ele me ensinou que dói em mim quando ele fica doente. Que é duro vê-lo abatido, sem comer, sem vontade de brincar. Que não importa se terei que dormir com ele no colo a noite inteira, mas por favor, que ele melhore. E que alívio que dá quando ele se recupera.

Ele me ensinou a tentar ter mais paciência. A esperar o tempo dele, a esperar passar um acesso de teimosia, a conter os ânimos quando o que eu mais queria era sair correndo.

Ele me ensinou a determinar prioridades. A abdicar de coisas que não eram relevantes, das que comprometiam sua rotina deixando-o cansado, das que pertenciam à outra vida não-materna.

Ele me ensinou que cuspir pra cima faz cair na testa. Que o que a gente acha que não vai fazer, não vai acontecer com a gente, "com meu filho não"... Vai sim, não se iluda.

Ele me ensinou a me reencontrar. Ensinou que não sou exatamente a mesma desde que ele chegou... mas que ainda sou eu. Que ainda tenho minhas necessidades, vontades, que existe vida além da maternidade.

Ele me ensinou o tamanho da responsabilidade que é cuidar de alguém. Ter alguém que depende da gente para absolutamente tudo: comer, beber, ir ao banheiro, ter uma roupa limpa, ter um sapato no pé. Escolher uma boa escola e acompanhar lição de casa. Ensinar a dizer por favor, obrigado, desculpa. Ensinar a ter respeito, a ser generoso, a ser amigo, a saber perder. Ensinar, ensinar, ensinar.

Eu poderia escrever aqui indefinidamente, de tantas foram as coisas que ele me ensinou. Ainda ensina, todos os dias, e assim será para sempre. Então eu concluí que acho que é por isso que amor de mãe por filho é chamado de "maior amor do mundo". Porque tem que caber tudo dentro dele: o amor da mãe, o amor do filho, e os aprendizados todos.


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