25 de junho de 2012

O Fofão, o balão e a festa junina

Tempos atrás, mais precisamente em meados dos anos 80, havia um personagem televisivo conhecido como Fofão. Oriundo do planeta Fofolândia e surgido primeiramente no saudoso Balão Mágico, Fofão fez tanto sucesso que ganhou até um programa diário.

 

Eu fui uma criança dos anos 80. Adorava Balão Mágico, Trem da Alegria e toda a gama de programas infantis da época. Portanto, não só assistia como adorava o Fofão.

Um dia, a cidade do interior em que eu morava organizou um evento infantil. Não lembro exatamente o motivo, se era dia das crianças ou algo assim. Mas seria uma grande festa no maior parque da cidade, tipo um Ibirapuera interiorano. O evento teria atrações diversas e, entre elas, o Fofão. Sim, o famoso personagem da tv foi à minha cidade natal. E a escola em que eu estudava fez um sorteio: um passeio de balão com o Fofão.

A escola era grande, com centenas de alunos do jardim à oitava série do ginásio (quando ainda se usavam tais nomenclaturas - favor ignorar a idade desta que vos escreve, grata). E, entre essas centenas de alunos, alguns, se não me engano três, seriam sorteados para o passeio com o Fofão.

No dia do sorteio, a alunada toda foi reunída no pátio do colégio na hora do intervalo. A diretora sobe no palco, pega o microfone e começa o sorteio. Nome A, viva, viva! Nome B, parabéns!

Alguém arrisca dizer qual foi o nome C dito pela diretora?

Pois é, eu merma. Mal acreditei quando ouvi meu nome. Na época não se falavam em pegadinhas, mas eu tinha certeza de que estava em uma. Porque voar num balão com o Fofão em plenos anos 80 era equivalente a entrar na nave da Xuxa.

Chegou o fim de semana e o dia do tal passeio. Lá fomos nós, eu, minha mãe e não lembro mais quem. Talvez meu pai, uma irmã ou meu primo. O que lembro nitidamente, como se fosse hoje, é o momento da chegada no parque. Um mar de gente superlotava o local. Crianças mil foram ver o Fofão. Lááá longe, o balão amarrado a uma corda e uma muvuca básica ao redor. O tal passeio consistia apenas em subir e descer com o balão, com a corda amarrada. Nada de voo panorâmico pela cidade, nada de brincar de esconde-esconde numa nebulosa e voltar pra casa num lindo balão azul. Nem lembro se o balão era azul.


Só sei que, ao ver aquela multidão, aquele sem fim de pessoas querendo ver o Fofão e passear de balão com ele... amarelei. Não quis ir, fiquei com vergonha. Não lembro se chorei, mas pedi pra sair pra ir embora. E fomos.

Sim, você leu direito. Eu ganhei um passeio de balão com o Fofão no auge da fama... e apavorei. Sempre fui tímida, detesto um monte de gente olhando pra mim, detesto ser centro das atenções (daí anos depois invento de escrever um blog - aloka). Por vergonha, perdi uma oportunidade única na vida. Única sim. Porque voar de balão eu ainda posso, um dia, quem sabe. Mas tendo Fofão como companhia... nunca mais.

***

Sábado à tarde, sol, friozinho. Festa junina da escolinha do Bento. Festa essa que foi organizada para participação de todos os alunos, com seus respectivos pais, mães, avós, tios, agregados, professores. Festa grande, animada, cheia, com muita música, brincadeiras e comidas.


Com Bento devidamente vestido de caipirinha, com camisa xadrez, chapéu de palha e bigodinho, fomos à festa. Ele se divertiu na pescaria, na bola na boca do palhaço, na cama elástica (coisas de festa junina muderna). Comeu pipoca e pastel. Logo começariam as danças.

Assim que começaram as apresentações, um mundo de pais, mães e outros familiares se plantou na frente do palco com suas máquinas fotográficas e filmadoras em punho. Ficamos junto à turminha do Bento, com seus amiguinhos, que tiravam fotos em grupo. Ele não queria nada. Não quis tirar nenhuma foto, nem com a amiguinha preferida. Quando eu lhe disse que logo seria a dança dele, me respondeu: "mãe, quero dançar só aqui com você". Era um sinal.

Chegou a hora. A fila de crianças subiu ao palco com as professoras. Todas sorriam, cantavam, pulavam. Bento subiu com os amigos. Na escada, ao lado do palco, vi o pequeno perdido entre os amigos, sem saber o que fazer. Quando virou o rostinho, vi que estava chorando. Subi ao palco, falei com ele. A professora tentou ajudar, ofereceu colo, deu a mão para ele. Perguntei se queria que eu ficasse lá. Ele dizia entre lágrimas, apavorado: "não queeeero dançaaar!".

Descemos do palco.

Vi os amiguinhos dançando, uma coreografia bem simples e bem bonitinha. Que ele tinha ensaiado e até mostrado um pedacinho pra mim em casa. Mas que não quis fazer. Não naquele lugar estranho, na frente de todas aquelas pessoas. Não com uma música tão alta, com flashes de fotos e palmas.

E, depois de ter ficado um pouco chateada de não ter visto meu filho dançar sua primeira mini-quadrilha, lembrei a vergonha que eu sentia em festas grandes e barulhentas. Lembrei do pânico em meio aos fãs do Fofão no parque. Lembrei que muitas outras festinhas virão, em várias ocasiões da vidinha dele. Com palco, sem palco, com personagens famosos ou até com passeio em balão. Mas que ele tem todo direito de não querer participar daquilo e de preferir brincar na cama elástica.
 
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