Antes de mais nada, obrigada a todo mundo pelo carinho no post anterior. Eu me apego bastante, foi assim com todos os bichinhos que tive. Recebi muito carinho aqui, obrigada!
Algumas pessoas me perguntaram como foi a reação do Bento. Eu ia escrever tudo no mesmo post, mas achei que ficou longo demais e minha prioridade naquele era recordar e me despedir da minha pretinha.
Bento sempre soube que ela estava doente. Não entendia a dimensão toda da coisa, claro. Mas também não dava para esconder dele o tumor, por ter surgido na pata, na parte externa. Então simplificamos a coisa, e só dissemos que ela estava doente.
Quando ela foi operada, eu também contei a ele. Disse que ela estava no médico de animais e que ele estava cuidando do machucado na perninha dela. No dia da alta, eu disse a ele que a Tcheca estava voltando para casa, mas que tinha uma novidade. Disse mais ou menos assim:
"Lembra que ela tinha um machucado na perninha? Então, o médico cuidou bastante, mas a perninha estava muito dodói. Então agora ela vem pra casa sem aquela perninha."
Ele me questionou: "sem a perninha??". Eu disse que sim e ficou por isso mesmo. Quando ele a viu, ela estava ainda com os pontos e sem vários pelinhos na região. Foi na época em que fiz o vídeo do post anterior. Mas ele nem ligou. Acariciou e brincou com ela da mesma forma que antes.
Quando ela se recuperou e aprendeu a andar sem aquela pata, Bento brincava com ela normalmente. Dizia às pessoas que ela "só tem uma perninha", mas nunca dizia isso com entonação de pena. Era como se dissesse "ela tem pelos de três cores" ou "o nome dela é Tcheca". A ausência da pata não significava nada para ele. Era apenas uma característica nova dela.
Quando ela voltou a adoecer e foi internada, Bento ia comigo vê-la. Em um dos dias comprei um patezinho especial recomendado pelo veterinário, para ajudá-la a comer. Pois Bento quis levar na mão de casa até o hospital veterinário e, chegando lá, entregou a ela pessoalmente, dizendo: "oi Tcheca, olha seu papá novo". Em outra visita, quis levar um band-aid para ela, para colocar na patinha e ela melhorar.
Ela se foi enquanto ele estava na escola. Por isso, fui me despedir dela sem ele. Ao buscá-lo, eu disse que tinha uma coisa para contar a ele sobre a Tcheca. Chegamos em casa, sentamos no chão do quarto. Ele estava com dois carrinhos na mão. E eu disse:
"Filho, lembra que a Tcheca estava muito dodói? Lembra que nós fomos lá visitá-la e ela nem queria comer?"
Ele nem me olhou, continuou brincando com seus carrinhos. Mas fez que sim com a cabeça.
"Então, ela tava muito muito dodói, aí o médico deu remédio mas ela não melhorou. Ela foi ficando mais dodói. Aí ela morreu."
"A Tcheca morreu?"
"Morreu, filho. Agora ela vai ficar dormindo, não vem mais pra casa."
"Ah..."
E alguns segundos depois:
"Mãe, pega aquele carrinho?"
Simples assim.
Não sei se ele entende que ela não volta. Não sei se ele voltará a perguntar dela. Mas achei importante dizer a verdade. Não amenizei a doença, não escondi que ela iria ficar sem uma perna, não inventei para ele uma realidade paralela onde ela estaria viva. Também não omiti a palavra "morreu", pois foi isso que aconteceu. É triste, mas lidar com a morte também faz parte da vida.
Há 2 horas


