Um pouco antes de fazer 2 anos, Bento manifestou seus primeiros medos. Em geral se assustava com barulhos altos (trovões, fogos de artifício, motos na rua, máquina de lavar roupas) e nos abraçava ou corria para perto da gente. Aos poucos, esse primeiro medo se dissipou. Mas, conforme vai crescendo, outros vão surgindo. E dois deles agora se destacam: medo de certos bichos e de seres imaginários.
Bichinhos como aranhas e formigas são os que mais o assustam. Também já falou temeroso sobre cobra, que ele viu num livro. Não é algo assim apavorante, mas o incomoda. Outro dia ele estava no banho e falou que tinha uma formiga na perninha. Não tinha nada, verifiquei várias vezes. Passei a bucha na perna e ele disse que a formiga tinha ido para a outra. Então entrei na brincadeira e aproveitei para lavar o corpinho todo, dizendo "sai formiga!". O medo passou e filhote ficou limpinho.
Engraçado que ele não teme bichos alados. Borboleta, abelha, mosca, mosquito, qualquer coisa que tenha asa. Até se interessa, quer ver de perto, pegar. Mas aranha e formiga ele não gosta muito. Até que, em uma sacolinha que ganhou de lembrança de um aniversário, veio uma aranha de plástico. E ele curtiu brincar com ela.
Daí que o receio de bichinhos passou e veio o medo de seres imaginários.
Já usou "monstro" e "fantasma" em suas brincadeiras, mais como um motivo para correr e se esconder. Nunca demonstrou medo real, mas usa a imaginação para incrementar o pega-pega e o esconde-esconde. Não sei se aprendeu com algum amiguinho ou inventou sozinho, mas os seres imaginários começaram a participar de suas brincadeiras.
Mas entre monstros, duendes, fantasmas e qualquer outros seres fantasiosos, o que realmente lhe deu medo foi... o lobo. Ele conhece a história dos três porquinhos e da chapeuzinho vermelho. Sabe que em ambas o lobo é "mau". Acrescente a isso o fato de o cachorro selvagem ter muitos dentes, querer comer os porquinhos, perseguir a chapeuzinho e efetivamente comer a vovó... e temos um menininho assustado. Em uma noite dessas ele, que já dormia há pelo menos 2 horas, levantou e veio me procurar na cozinha ainda meio dormindo, mas entre lágrimas: "o lobo mãe, o loooobo!". Mostrei que não tinha lobo ali, "espantei" o lobo com minha mão dizendo "sai lobo, vai embora!", fiquei com ele até que dormisse de novo. E passou.
As crianças podem demonstrar medo de várias coisas, reais ou abstratas. Por aqui já passamos pelo medo de barulhos em geral, de fogos de artifício, do Papai Noel, do pediatra. Dois textos interessantes sobre medos infantis eu encontrei aqui e aqui. O medo faz parte do crescimento, sendo demonstrado com mais frequência em momentos mais frágeis, como durante o sono. Achei interessante esse trechinho sobre medos comuns em crianças de 3 a 5 anos:
"Fantasias assustadoras, como monstros e fantasmas. É a fase da
imaginação fértil, que pode se intensificar na hora de dormir. Ela
acontece por causa do desenvolvimento da massa cinzenta. Vale lembrar
que a capacidade de imaginação aumenta à medida que ocorre o
desenvolvimento biológico do cérebro" (daqui)
E como reagimos a isso e ajudamos os pequenos? Acho importante não menosprezar o medo, não dizer que "não é nada". Para a criança aquilo é importante sim, está assustando, atrapalhando o sono, incomodando de alguma forma. Minha primeira reação foi mostrar que o ser assustador não estava ali, acender a luz, mostrar o ambiente. Mas percebi que o que funciona melhor é entrar na fantasia dele e espantar o temor: dizer "sai formiga!", "vai embora lobo!"; agitar as mãos como se estivesse enxotando o inimigo, mandá-lo embora. E acalentar, abraçar, ficar com o pequeno até o medo passar. Medos são muito comuns e outros virão, muitas e muitas vezes. E eu quero que ele saiba que pode contar comigo para enfrentá-los.
Há 51 minutos


