Entretanto, sempre gostei mais de gatos. Em uma época em que não se falava em castração nem em evitar que os gatos saíssem para a rua, tivemos mais ou menos uns 9 (de novo, um de cada vez). Tivemos uma gata "matriz", que foi deixada em frente de casa em uma caixa de papelão. A cada vez que dava cria era uma festa. Eu, meu primo e outras crianças do bairro saíamos à procura de possíveis donos para os gatinhos. E, vez ou outra, um filhote ficava em casa com a gente.
Tempos depois, já casada, adotamos um gatinho. Depois mudamos de casa e esse gatinho escolheu uma gatinha da vizinhança para ser sua companhia. E esse casal de gatos conviveu com a gente por bastante tempo. Até que engravidei. E, ao contrário do que muita gente previa ou recomendava, não nos desfizemos dos gatos. Eles continuaram com a gente, pois sempre foram parte de nossa família. Para mim, bichinho de estimação completa, contribui, agrega. E eu queria ensinar ao Bento essa relação de amizade, companhia e responsabilidade.
Tcheca com Bento aos 5 meses
Tcheca com Bento aos 9 meses
Mais um tempo se passou, o gato macho faleceu e ficamos apenas com a fêmea. E, no final do ano passado, essa gatinha ficou bastante doente, com tumor no fêmur. Ficou magrinha, passou a andar com dificuldade, sentia dor. Após consulta a três veterinários, confirmamos o diagnóstico e as duas únicas opções existentes para ela: cirurgia de amputação ou eutanásia.
Aqui cheguei ao título do post: o poder de uma decisão. Estávamos com a vida da nossa gatinha em nossas mãos. Podíamos autorizar a cirurgia, que era arriscada pelo estado de saúde dela mas lhe proporcionaria uma sobrevida. Podíamos autorizar a eutanásia e encurtar sua vida e seu sofrimento que tenderia a piorar. Ou poderíamos não fazer nada, dar apenas medicações paliativas e acompanhá-la até quando aguentasse.
Eu não consegui não fazer nada. Não consegui vê-la sofrer, vê-la pedir que aliviássemos sua dor. Também não consegui me acostumar com a ideia da eutanásia. Ela comia, mesmo que pouco; caminhava, mesmo que lentamente; e pedia carinho. Gostava de se deitar ao nosso lado e pedir um cafuné. Ela estava lutando para viver. Então autorizei a cirurgia.
Ontem, no final da tarde, minha pretinha foi operada. À noite recebi o primeiro retorno do veterinário com boas notícias, com a total retirada do tumor. Hoje, pela manhã, me informou que ela está reagindo bem, comendo bastante e já querendo andar. Segue em recuperação, ainda inspira vários cuidados, mas está com outra carinha. Está viva.
Força minha pretinha!
E é essa a lição que quero deixar para Bento. Que os animais são nossos companheiros não apenas quando estão brincando. Que eles também precisam de atenção, de carinho, de cuidado. Que ficam doentes e sentem dor. Que, se um dia nos propusemos a cuidar de um deles, esse cuidado incluirá limpar cocô, levar para vacinar, dar comida, para o resto da vidinha deles. Que, se ficarem doentes, dependerão de nós para melhorarem. Que podem morrer e nunca mais voltar. Que não são descartáveis porque "quebraram" ou "estragaram". E que, como nós, estão vivos, merecem respeito, merecem amor.



