27 de dezembro de 2011

Balanço e lista de desejos

Um ano é muito tempo. Passa rápido, voa, mas também permite que muitas coisas aconteçam.

Em 2011 houve mudanças. Saímos de um apartamento e voltamos para nossa antiga casa.
Saí do trabalho e voltei a ser freelancer.
Tivemos mais momentos juntos, e vários momentos separados.
Enfrentamos trânsito, estresse, cansaço.
Aprendemos muito.
Vivemos entre risos e lágrimas.
Recebemos o sol e a chuva.

Bento fez 2 anos, e já parece que tem mais. Está espertíssimo, falante, inteligente, lindo.
Saiu da escola por causa da distância. Passou um tempo só comigo na casa da vovó.
Aprendeu muitas coisas novas, de números e brincadeiras a palavrões.
Está a cada dia mais menino e menos bebê.

E chegamos ao fim de 2011.

Que o ano que se aproxima traga dias mais leves, mais calmos, mais serenos.
Que venham mais dias de alegria e sorrisos.
Que as dificuldades sejam vencidas, os percalços superados e que as tristezas deixem como saldo o aprendizado.
Que venham mais mudanças, se forem para o melhor.
Que venham mais certezas e menos indecisões.
Que tenhamos coragem.
Que venham muitos dias de sol, para iluminar e aquecer.
Que venham dias de chuva, para lavar e levar embora o que não serve mais.
Que comecemos o dia com o canto dos pássaros.
Que terminemos o dia com paz no coração.

Que venha 2012!

23 de dezembro de 2011

Encontro com o bom velhinho


Essa é a primeira vez que Bento se encontra com o Papai Noel. Ano passado ficou com medo, e só vimos um Noel em um shopping. Esse ano entende mais, sabe quem é o bom velhinho, o reconhece em revistas, na tv, nas ruas. Quando viu esse Papai Noel aí da foto, ficou entusiasmado. Queria que chegasse logo sua vez, para abraçá-lo, tirar foto (sim, ele pe-diu para tirar foto), falar com ele. Mas é claro que, quando sua vez chegou, ele travou. Ver o velhinho assim, tão de perto, falar com ele... e olhem que o senhor foi bastante simpático, mostrou que a barba era de verdade, sorriu, abraçou. Bento ficou tímido, envergonhado. Mas gostou. Tanto que bastou sair para pedir para entrar na fila outra vez.

Hoje chegam os tios, tias, e primos para nossa ceia. Amanhã chega o papai e a outra vovó. Bento está ansioso, dizendo "papai vem, Miguel vem, tio vem, papai vem". Está com saudades do papai, já que viemos 2 semanas antes. E Miguel é o primo de 4 anos, ídolo-mor do Bento. Hoje já tem almoço em família, lanche com bolo, brincadeiras mil. Começam nossas festas.

Que todos tenham um ótimo Natal, recheado de festa e alegria!

20 de dezembro de 2011

O primeiro palavrão

Pois é, chegou o dia. Tentei evitar, tentei não dizer, maneirei a boca (quando consegui), dei pito no pai durante os jogos de futebol. Mas um dia as crianças aprendem, não tem jeito. E Bento aprendeu o primeiro palavrão.

Tempos atrás contei aqui que ele repetiu uma expressão que me ouviu dizer em um momento específico: derrubei um shampoo, a tampa quebrou, vazou um monte e eu falei "puta merda". Na hora ele repetiu "puta méida", depois reduzido para "méida". Porém essa palavra ficou esquecida, ele não ouviu mais (ou ignorou quando ouviu) e não repetiu. Então desconsiderei esse episódio.

Até que ele aprendeu uma palavra nova e se encantou por ela. Ouviu uma única vez e pronto, repete sem parar. Não é assim um palavrão cabeludo, aliás alguns nem consideram palavrão. Mas também não é uma palavra meiga e delicada, ainda mais se dita por uma boquinha de 2 anos.

E a palavra é... BUNDA.

Estavam ele e a vovó vendo tv quando apareceram uns cavalos de costas. A avó disse "olha a bunda do cavalo!" Imediatamente as anteninhas infantis registraram a palavra: "bunda?? bunda, vó?" Achou o máximo. "Olha a bunda, mãe! Olha a bunda do cavalo! Olha o rabo na bunda!"

E a tal da bunda, que em um primeiro momento ficou restrita aos quadris dos equinos, logo foi aprendida e aplicada em vários contextos, faça sentido ou não: "caí de bunda mãe"; "fez dodói na bunda"; "o carrinho bateu na bunda do ôto carrinho"; "olha mãe, o copo na bunda" (sim, ele colocou uma taça de sorvete vazia na bunda). "Bunda, bunda, bunda mãe! Bunda! hahahahahahah!" (como essas palavras podem soar tão engraçadas?!)

Enfim, que bumbum o quê. O negócio agora é bunda. Viva a preferência nacional.

18 de dezembro de 2011

O mundo pós-desfralde

O mundo pós-desfralde é uma maravilha. Tem tantas facilidades, tantas vantagens, que fiz uma lista para enumerá-las.

O mundo pós-desfralde é infinitamente mais prático. O menino vai lá, põe a mangueirinha pra fora e pronto. Vai no vaso (que aqui ganhou o apelido de penicão), vai no ralinho do box, vai na plantinha ou árvore em caso de emergências e se não há banheiro por perto. E na hora do cocô então, que maravilha! Sentou, espremeu, saiu, limpou. Fim. Sem mais a ladainha de passa lencinho, passa pomada, põe fralda, joga fralda cocozenta... A melhor parte sem dúvida é não ver mais o cocô tão de perto, nem sentir seu "perfume", nada! Saiu, dá tchau, fim!

O mundo pós-desfralde é mais leve. Nada de sair de casa carregando bolsa com fralda, pomada, lenço umedecido. Na transição para o desfralde eu carregava umas duas trocas de roupa quando saíamos, para quando xixi escapasse. Agora ainda levo uma troca, mas para o caso de se sujar com alguma comida ou de o tempo virar. Nada de carregar trocentas coisas a cada passeio!

O mundo pós-desfralde é mais fresco. Já imaginaram o calor que deve ser ficar com a bunda forrada de plástico nesse calor?? Ou mesmo com as fraldas de pano - são mais frescas, mas nada se compara a uma cuequinha!

O mundo pós-desfralde é mais econômico. É incrível a economia que temos em não precisar mais comprar fraldas. As contas da farmácia e supermercado diminuem, e o bolso agradece.

O mundo pós-desfralde é mais ecológico. Infinitas fraldas deixaram de poluir o ambiente.

O mundo pós-desfralde é mais divertido. Se antes olhávamos o cocô para ver se está tudo bem com o filhote, depois a produção aumenta, o cheiro piora e passamos a ter asco (eu, pelo menos!). Dava uma olhadinha rápida e puf, mandava embora. Agora tem a despedida para o cocô, que vai embora lá para o "lugar dele" na aguinha do penicão. Tem o cocô "enorme e imenso, mãe". Tem o cocô cheio de grãos de milho. Tem a família de cocô, com pai, mãe e um cocozinho filho. Tem como não se divertir?

O mundo pós-desfralde é uma maravilha!

14 de dezembro de 2011

Terrible twos versão updated plus: ainda mais terrible!

Já falei aqui no blog algumas vezes sobre os famosos terrible twos. Já contei que os primeiros sinais apareceram pouco antes de Bento fazer 2 anos. Que a primeira manifestação foi a paixão imediata pela palavra "não", seguida pelo falar chorando, por jogar coisas no chão, por bater. Agora, aos 2 anos e 7 meses, quase 3... a fase evoluiu para a versão terrible plus.

Alguns desses comportamentos melhoraram com o passar do tempo. Mas outros surgiram. Ele trocou o falar chorando por contestar a tudo e a todos. Inclusive a ele mesmo. Contesta só por contestar, por ter descoberto que há outras opções além das que conhece ou dou. Por exemplo, pede leite morno antes de dormir. Vou lá, faço, e quando entrego a ele... "qué leite zelado mãe". Ok, tem certeza filho? "cetêza, qué zelado". Troco o leite, levo a ele e.... "qué leite quentinho mãe". E é assim quase todos os dias, para toda e qualquer situação na qual ele precise ou queira fazer uma escolha: leite gelado/morno; comer banana ou maçã; brincar de carrinho ou bola.

O jogar coisas no chão para demonstrar sua frustração às vezes ainda aparece, mas alternado ao bater em algo. Por exemplo: ao ver que era hora do banho, que não cedi, que não ia brincar mais depois de já ter deixado "só mais um pouquinho", ele bateu em uma porta, em uma almofada, empurrou uma cadeira. Nada forte, nada violento, mas preciso contê-lo para mostrar que não é assim que se reage a uma frustração.

O que aumentou exponencialmente foi o uso do "não". Ele diz não a praticamente tudo, até a coisas que gosta. Diz não para passear, para comer a fruta preferida, para ver o DVD que ele mesmo escolheu, para tomar banho e depois para sair dele, para fazer qualquer coisa. A estratégia que uso para diminuir as recusas é mudar o foco e dar uma opção: você vai sair do banho agora ou daqui a 5 minutos? Óbvio que ele não sabe o que são 5 minutos, aí inventei de contar até 10, como faço quando brincamos de esconde-esconde. Conto e ele se contenta com os 10 segundos a mais no banho. Ao menos por enquanto...

Aliás, mudar o foco e distraí-lo funciona na maioria das vezes, para a maioria dos casos. Às vezes não dá certo, claro, principalmente se ele está muito cansado e nem ouve mais nada. Mas, em geral, dá resultado.

Só sei que essa fase cansa. Muito. É bem chato moderar as palavras para não ouvir um não logo de cara, pensar em opções atrativas, em alternativas. Também é complicado quando ele me pede atenção nos momentos mais críticos, quando preciso me concentrar em algo no trabalho ou fazer algo em casa, ou ainda quando estou muito cansada. Procuro sempre atendê-lo primeiro, brincar, sentar no chão e ficar só com ele. Mas às vezes nem toda atenção do mundo é suficiente, ele não quer me dividir com nada.

Educar é isso, é cansativo, é diário, dá trabalho. E essa é uma fase como tantas. Nem toda criança passa por isso, mas dizem que perto dos 3 anos melhora. Será?

12 de dezembro de 2011

Das sonecas, da vovó, do verão e mais

Vários possíveis posts povoaram minha cabeça nos últimos dias. Mas a correria de fim de ano mais trabalho em casa está tanta que não estou conseguindo escrever...

Primeiramente, queria agradecer os comentários no post sobre sonecas diurnas. Tive um retorno bem legal com experiências diferentes: crianças que pararam de dormir à tarde antes de 1 ano e meio, outras que pararam na idade do Bento (2a7m), outras que já vão fazer 4 anos e ainda cochilam no meio do dia. Como em todas as questões relativas a desenvolvimento infantil, cada criança é uma criança.

Bento continua com as sonecas. Dorme menos nos dias em que temos menos atividades, principalmente físicas. Ele tem muita energia, precisa correr, pular, dançar, jogar bola. Quando não posso brincar tão agitadamente e passamos o dia com atividades mais calmas, ele invariavelmente cochila por menos tempo e/ou vai dormir mais tarde à noite.

Portanto, concluí que sim, ele ainda precisa das sonecas, passa melhor o dia quando dorme. Sim, as sonecas ficam mais curtas se ele gasta menos energia. Sim, o fato de não estar na escola contribui para a menor agitação diária. E sim, um dia essas sonecas vão acabar. Só espero que ainda demore um pouquinho...

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Nesse final de semana, viajamos. Eu e ele viemos de carona para a casa da vovó, já esperar as festas de fim de ano. Agitamos a casa da vovó que, com toda sua disponibilidade e paciência, ajuda a entretê-lo enquanto trabalho. Tenho conseguido render mais no trabalho com essa ajuda, e o pequeno tem mais alguém para brincar. Semana que vem chega o primo, tios, tias, e a bagunça ficará completa.

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A cidade da vovó fica no interior do Estado de São Paulo. Faz muito calor durante a maior parte do ano, mas os meses do verão são os piores. Além disso os dias são longos, amanhece mais cedo e anoitece mais tarde - o que significa sol brilhando às 6 da manhã e noite que não chega antes das 20:30. E qual a consequência disso tudo? Que Bento, já naturalmente madrugador, tem acordado antes das 7 da manhã, já tagarelando e cheio de energia. E só vai dormir perto das 22h, porque antes disso "ainda não tá noite mãe". Haja pique!

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Há vários assuntos sobre os quais quero escrever por esses dias, e registro aqui para não esquecer:
- O mundo pós-desfralde
- Os terrible twos em versão updated plus: ainda mais terrible!
- Uma visitinha na casa de uma amiga virtual
Coming soon!

8 de dezembro de 2011

Sonecas diurnas

Uma perguntinha para quem souber responder:

Até quando as crianças tiram sonecas diurnas? Aquele cochilinho básico de depois do almoço, que revigora as energias e nos dá um pouco de descanso também?

Pergunto isso porque Bento está, aos poucos, querendo pular essa soneca. Tirando um dia ou outro em que ele tira uma mega soneca de 2 horas (o que é raro), em geral ele cochila por 1 hora. Mas recentemente deu para não querer dormir.

Até hoje ele raramente ficou sem dormir à tarde. Que me lembre, foram 3 vezes. A primeira em um domingo, ele tinha pouco mais de 2 anos. Foi um dia atípico, ele estava todo agitado e não quis dormir por nada. Em compensação, capotou às 20h para só acordar no dia seguinte.

A segunda vez que pulou a soneca foi anteontem. Também um dia atípico, de manhã foi comigo resolver umas pendências na rua e ficou todo agitado por passear de ônibus. Na sequência precisamos levar nossa gata ao veterinário, o que foi outro acontecimento interessantíssimo para ele. Acabou não cochilando à tarde, mas dormiu 20h30.

E a última vez que pulou a soneca foi ontem. Não fizemos nada de diferente, nenhum programa, nenhuma brincadeira agitada. Nem saímos de casa, pois choveu. Fiz todo o ritual de sempre pós-almoço, com silêncio na casa, penumbra, historinha. Mas nada. Ele se revirava, subia em cima de mim, ria sozinho embaixo do lençol. Não teve jeito. E só foi dormir de noite às 21h, mesmo eu tendo começado a baixar o ritmo às 18h30, com jantar, banho, historinha.

Nossa rotina não foi alterada. Falando especificamente em sono, normalmente ele acorda de manhã por volta das 7h, 7h30, depois cochila por volta das 13h até umas 14h, 14h30. E à noite dorme entre 20h30 e 21h30. Durante o dia fazemos todo tipo de atividade, das mais agitadas como jogar bola e brincar de esconde-esconde até as mais calmas, como pintar e brincar de carrinho.

Eu acho a soneca diurna tão importante... eu mesma, se pudesse, tiraria a siesta depois do almoço. Quando ele dorme é o momento em que faço minhas coisas, principalmente trabalho. Se ele não dorme, não há descanso, nem consigo trabalhar. É brincar-fazercomida-arrumarlanche-levarnoparquinho-lerlivro-pintar e mais as coisas da casa, sem parar.

Sei que, em determinada idade, as crianças pulam mesmo essa soneca diurna e ficam acordadas o dia todo. Mas custava esperar mais um pouquinho e não crescer tããão rápido?

7 de dezembro de 2011

Dirigindo aos 2 anos e 7 meses


Tudo bem que ele só pedala na descida... mas tá quase dirigindo a motoca sozinho!

5 de dezembro de 2011

Procuramos independência

De uns tempos para cá, Bento tem descoberto em pequenas coisas como ele pode ser independente. Diz, faz e quer fazer coisas já separadamente de mim, se achando todo "grande". Está se descobrindo como uma pessoinha, não mais um bebê.

A mudança mais nítida é o uso do "eu". Antes ele se referia a ele mesmo como "Bento": Bento quer, Bento vai, Bento chegou. Aos poucos passou a usar o eu: eu quer, eu comeu, eu acordou, eu fazeu. Agora está na terceira fase, o uso do eu com a conjugação quase correta do verbo: eu vou, eu gostei, eu... fazi (ou ele diz "eu fazeu", ou "eu fazi", "eu fiz" é muito pra ele...). Ainda confunde, mas está evoluindo rápido no entendimento da primeira pessoa.

Outro sinal de independência é querer fazer as coisas sozinho. Há tempos já come sozinho usando colher ou garfo, mas agora já escolhe o que vai comer, entre as opções que dou. Escolhe o sabor do suco. Escolhe o DVD que vai assistir. Escolhe se vai pintar com giz ou lápis de cor.

Também já começou a querer se vestir sozinho, ou melhor, se despir sozinho. Tira a calça e a cueca - essa parte é fácil - e tenta tirar a camiseta. Aliás, já quer escolher o quê vestir, e vira e mexe quer colocar uma bota quando está o maior calor (aliás, ele não é muito fã de sandália...). Escova os dentes e os cabelos (com minha supervisão), se esfrega no banho, quer passar shampoo sozinho.

O desfralde está bem consolidado. Já pede para fazer xixi (tudo bem que só pede quando o xixi já está saindo, mas não faz mais na cueca). E o cocô também só faz no vaso - aliás, adorou o adaptador de vaso. Já dormiu duas noites sem fralda noturna e, por enquanto, nenhum vazamento.

Enfim, está cada vez mais menino. Mas é fofo quando demonstra querer preservar alguns resquícios de bebê... Como quando me pede para que eu dê comida a ele, uma forma de garantir que eu fique por perto e não vá fazer outra coisa. Quando quer colo e me pede que segure sua mão para ele dormir.

Acho que, no fim, ele quer ser um meio-termo, ser menino para fazer coisas mais interessantes, e bebê para manter o colo e a atenção. Outro dia mesmo, não lembro o que pedi a ele e enfatizei o quanto ele já é grande, que já faz xixi e cocô sozinho, que é mocinho e tals. E ele respondeu: "Não sou gandão mãe. Papai é gandão, mamãe é gandão". "Ah é?" - perguntei - "então você é pequenininho? é neném?". E ele resumiu seu entendimento sobre sua semi-independência: "não sou neném. Sou só Bento".
 
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