29 de setembro de 2011

Perolinha

"Mãe, não qué í na iscola"
"Ah, mas por quê filho? Lá tem seus amigos para brincar, sua professora..."
"Não qué í na iscola mãe"
"Tá cansado de ficar no carro, filho? Falta só um pouquinho, logo a gente vai ficar de férias, vai ficar em casa"
"Não qué mãe."
"Vamos, seus amigos estão te esperando!"
"Mãe, a iscola tá fechada"

Então tá.

28 de setembro de 2011

Casa de Brinquedos

Eu sempre gostei de música. Gosto de ouvir enquanto dirijo, enquanto cozinho, até enquanto trabalho. Quando eu era criança tinha vários LPs infantis, que ganhava de presente. Tinha de tudo, de Arca de Noé 1 e 2 a Trem da Alegria, Balão Mágico, e tudo mais que incluía a infância musical dos anos 80. E ainda herdei das minhas irmãs toda a Coleção Disquinho (e até já sorteei um cd remasterizado dessa coleção aqui no blog!).

Por isso, Bento teve a quem puxar nesse quesito. Ele gosta de dançar, até chama a gente para ver (é, gosta de plateia o mocinho). E ainda canta. Cada vez mais lembra trechos inteiros das letras, canta e pede coro.

Daí que ontem encontrei um clássico musical da minha infância: o cd Casa de Brinquedos.

Quem lembra, quem lembra?? Eu adoraaava esse CD e, lógico, comprei na hora. E o mais engraçado foi que foi só começar a tocar que as letras foram saindo, eu lembrava de quase todas!

"Augusto César Vannucci e Toquinho criam em 1983 um musical infantil, Casa de Brinquedos, que foi levado ao ar no dia 9 de outubro. O especial foi parte das comemorações da Semana da Criança que a Rede Globo levou ao ar naquele ano.
Casa de Brinquedos construiu um mundo mágico a partir de uma casa repleta de coisas que crianças gostam, histórias de fadas e quadrinhos bem brasileiros, com Aretha, filha de Antônio Marcos e Vanusa, conduzindo o programa.
Com auxílio de recursos como chromakey e de animação, o programa mostrou super-heróis que voavam e figuras desenhadas num caderno que cantavam (...). Também foram usados algumas vezes bonecos animados para contracenar com os cantores.
Participaram do especial o ator Dionísio Azevedo, que interpretou um velho artesão, criando e consertando brinquedos; Chico Buarque interpretando a canção “O Caderno”; Tom Zé cantando “O Robô”; Simone cantando “A Bicicleta”; Toquinho interpretando a canção “O Avião”; Carlinhos Vergueiro e Paulinho Boca de Cantor cantando “O Macaquinho de Pilha”; Moraes Moreira e Davi cantando “A Bola”; além das participações de Lucinha Lins, Vanusa, Cláudio Nucci, Roupa Nova e MPB-4."
texto daqui


A única mudança da versão atual foi que reformularam a capa. Todo o áudio permanece idêntico, agora remasterizado, as músicas estão todas lá. Mas a capa agora é assim:


Também é bonitinha e tals, mas eu queria mesmo era a capa com o cata-vento. Além de achar mais bonita, era a capa que eu conhecia né... nostalgia total.

CD Casa de Brinquedos - 1983

1. Abertura (Loja de Brinquedos) – Dionísio Azevedo
2. A Bicicleta – Simone
3. O Robô – Tom Zé
4. A Bailarina – Lucinha Lins
5. O Avião – Toquinho
6. O Trenzinho – Roupa Nova
7. Os Super Heróis – MPB- 4
8. O Caderno – Chico Buarque
9. O Macaquinho de Pilha – Paulinho Boca de Cantor e Carlinhos Vergueiro
10. A Espingarda de Rolha – Baby Consuelo
11. A Bola – Moraes Moreira
12. O Ursinho de Pelúcia – Claudio Nucci

Fica então a dica de um CD ótimo para os pequeninos, com músicas divertidas, com gostinho de infância.

27 de setembro de 2011

Semana de despedidas

Nessa semana fechamos um ciclo. Depois de meses de trânsito, de horas perdidas, de cansaço, essa é a minha última semana no trabalho. Quer dizer, vou continuar trabalhando, mas de casa. Fiz esse acerto com meu chefe tempos atrás e, enfim, o dia chegou.

Eu já trabalhei de casa, para essa mesma empresa, prestando serviços como freelancer. Conheço a rotina, sei das adaptações que precisamos fazer para conseguir trabalhar. Sei que às vezes trabalhamos até tarde ou em finais de semana. Sei que às vezes nos sentimos sozinhas, sem ter o pessoal do escritório para conversar. Mas também sei das vantagens.

Uma das consequências é que meus horários de trabalho mudarão, provavelmente trabalharei mais quando ele estiver na escola ou dormindo. Mas outras consequências serão flexibilizar horários, ficar mais disponível para compromissos, como levá-lo ao pediatra sem precisar justificar minha saída durante o expediente. Mas o principal benefício, a meu ver, será passar mais tempo com ele.

Hoje, com nossa rotina atual, ficamos pouco tempo juntos durante a semana. Saímos logo cedo, chegamos em casa no final do dia, já cansados. O período para brincar, desenhar, passear e curtir em família fica mais para os finais de semana. Eu sinto falta de mais, e ele também. Vira e mexe me diz que não quer ir para a escola (apesar de adorar as professoras e amigos), que quer ir para casa.

Minha ideia agora é passá-lo da escola em tempo integral para meio-período, já que não precisarei mais cumprir horários. Prazos sim, mas sem a necessidade de sair de casa tal hora para dar tempo de atravessar a cidade. Não posso tirá-lo totalmente da escola por precisar trabalhar e não ter outro tipo de ajuda (parentes, babá...). Mas posso fazer essas adaptações. Além disso, como a atual escola dele fica ao lado do meu trabalho, também mudaremos para uma mais próxima de casa. Nada de trânsito, nada de "viajar" para chegar ao destino.

Foi uma decisão tomada de forma consciente, pelo bem de nossa família. Acredito que só nos trará benefícios, independentemente da possível redução financeira em nosso orçamento familiar. Os ganhos serão outros, não monetários, mas em convívio, em contato, em proximidade.

Por isso, essa semana teremos duas despedidas: eu do meu trabalho na empresa, ele da escola. Sei que ele sentirá falta dos amiguinhos, da rotininha, das atividades, das professoras. Mas sei também que outras escolas virão, outros amigos também. Essa é apenas uma das infinitas mudanças e adaptações pelas quais ele passará. Que venham novos tempos, mais leves, sem tanto estresse e cansaço, e com muito mais possibilidades para nós.

23 de setembro de 2011

Pu favô

Continuando no tema educação, essa semana Bento começou a dizer sua segunda "palavrinha mágica": o por favor.

Eu sempre tive costume de usar as tais palavrinhas básicas da educação. Uso o por favor, o obrigado, o com licença. Aprendi com minha mãe desde pequena, e todo mundo fala assim naturalmente lá em casa. Daí para continuar falando e ensinar o Bento tem sido um pulo.

A primeira composição que Bento aprendeu não apenas a dizer, mas a repetir com seu respectivo sentido, foi "com licença". Com 1 ano e 7 meses ele começou a dizer "xensa", principalmente para a gata (que sempre atravessava seu caminho de recém-bípede!). Daí evoluiu para "co sensa" e é assim que se expressa hoje. Pede licença para passar, para pegar alguma coisa se há um obstáculo, para os próprios brinquedos. Às vezes troca o "co sensa" por um "sai!", principalmente, de novo, para a gata, quando esta teima em deitar no sofá exatamente no lugar em que ele quer ir.

Estando o "com licença" já devidamente aprendido em sua cabecinha, passei a enfatizar o "obrigado". Eu sempre digo a ele, quando peço algo e ele faz ou me dá. Na maioria das vezes ele não diz nada em resposta, ou diz "bigado mãe". Difícil isso de dizer "obrigado" e ensinar "por nada" em resposta, então ele repete o mesmo que ouve.

Daí que, um belo dia, ele queria abrir a despensa da cozinha. Mas as duas portas dessa mini-despensa não têm puxador, são abertas pela parte superior, a qual ele não alcança. E então ele me olhou e disse: "mãe, ábi o aimáio pá mim, pu favô?" Diante de um pedido tão educado, abri rapidinho! E o elogiei, claro.

E ontem ele repetiu a fofurice. Peguei uma encomenda na portaria, um livro que estava aguardando chegar. Ele já sabe quando são livros, quase toda semana eu compro ou troco algum. Pediu para segurar o pacote, eu dei. E então ele completou: "ábi o lívo mãe, pu favô". Que orgulho. Abri, dei para ele, que folheou por um bom tempo mesmo sendo um livro sem figuras.

E essa é mais uma sementinha que vou plantando na cabecinha dele. Seguir regras de educação é básico para um bom convívio, e fica mais fácil de aprender quando nos é algo natural.

****

Obrigada pelo retorno no post de ontem! Adorei os comentários e respondi lá no post mesmo. Ainda vai chão para mudarmos essa realidade que ainda vigora mas, de novo, é uma sementinha que plantamos e devemos regar todos os dias.

22 de setembro de 2011

Das responsabilidades das mães de meninos e da criação dos futuros homens

Muito antes de engravidar, quando pensava em filhos, família e o pacote todo, sempre disse que, se um dia tivesse um menino, ia tentar criá-lo de uma forma um pouco diferente de como vejo muitos por aí.

Nossa sociedade ainda é bastante, bastante machista. Homem "não pode" isso, mulher "não pode" aquilo. É verdade que muito mudou nos últimos tempos, mas boa parte das atitudes e objetos ainda é separada por "coisa de mulher", "coisa de homem". As inevitáveis e ingratas tarefas domésticas, por exemplo, na maioria das casas ainda é a mulher que assume. Trabalhando fora ou não, tendo crianças para cuidar ou não.

As gerações mais recentes têm buscado fazer diferente, com homens mais participativos, dividindo tarefas. Mas eu vejo, em boa parte dos homens, uma grande dificuldade em assumir as tarefas da casa, seja por não quererem fazê-lo, seja por simplesmente não saberem como agir. Maridex, por exemplo. Vira e mexe, ao me ver fazer alguma coisa da casa, pergunta: "precisa de alguma coisa? quer ajuda?" - mesmo vendo o que se há para fazer. Outro dia me disse, com essas palavras: "me diz especificamente o que você quer que eu faça". Não tive como não rir. Ou seja, o que vejo é até uma participação maior masculina nessas tarefas, desde que a gente instrua, diga o que é preciso fazer. Iniciativa já são outros quinhentos.

E é isso que pretendo fazer diferente na criação do Bento. Ele pode ajudar a mamãe em casa sim, em pequenas tarefas compatíveis com ele, proporcionalmente à sua idade e entendimento. Mas mais do que isso: vai cuidar do que é dele, do que é nosso. Dos seus brinquedos à nossa casa.

Um exemplo é quando há brinquedos pela casa toda depois de uma sessão de brincadeiras. Carrinhos embaixo da mesa, blocos de montar embaixo do sofá, bolinhas pela cozinha - até dentro do banheiro da gata. O problema não é o brincar e bagunçar, isso faz parte. Mas se o arrumar depois fica só para mim, não acho certo. Também estou fazendo outras atividades, também quero descansar, então simbora todo mundo arrumar!

Organizar brinquedos é algo simples, que vou ensinando aos poucos, porque acredito que deva ser uma tarefa dele. Ele precisa aprender a cuidar dos seus pertences, desde cedo. Precisa aprender que precisamos de espaço para andar pela sala. Precisa aprender que bagunça também tem hora e lugar. E que todo mundo gosta de casa limpa e arrumada.

E a criação que pretendo repassar não pára por aí. Ele gosta de me acompanhar e "me ajudar" quando faço alguma tarefa, se acha todo grande. Aí aproveito para ensinar pequenas lições de cuidados com nossa casa. Quando vou tirar o lixo, ele sempre me pede para ir junto. Então dou um saquinho bem leve para ele levar comigo - e ele adora participar. Casa limpa para todos!

E cozinhar então? Outro dia ele queria ficar comigo na cozinha enquanto eu fazia o almoço, mas não queria seus brinquedos. Então improvisei e disse que ele iria cozinhar comigo: peguei duas panelas minha, uma colher de pau e uma de plástico, macarrão colorido cru e voilá! Meu pequeno chef cozinhou altos pratos, me deixando fazer o almoço todinho. E assim vou ensinando que menino também cozinha - além de despertar seu interesse pela comida que "ele fez".

Com tudo isso, tento ensinar que "coisa de menino" e "coisa de menina" é bobagem. Que menino pode brincar de bola e de cozinhar. Que ajudar a manter a casa limpa e arrumada é obrigação de todos. Que ele também tem suas tarefinhas pequeninas, não só a mamãe.

Depende de nós, mães de menino, formar futuros homens mais abertos às divisões e à igualdade, que não reproduzam um machismo ainda tão enraizado em nossa sociedade. Meninos que participam da rotina da casa, que entendem que tudo aquilo também precisa de cuidados para ser mantido. Afinal, se a casa é de todos, a responsabilidade por ela também deve ser.

20 de setembro de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: a Redescoberta

A série de coisas que aprendi com meu filho não acabou!  Tinha a interrompido em razão de outros posts que me surgiram, mas tenho ainda alguns aprendizados a registrar. Então retomo a série falando da redescoberta de mim mesma.

Quem passa pela experiência de ter um filho sabe o quanto ela mexe com a gente. O quanto vira nossa vida de ponta-cabeça, o quanto nos provoca questionamentos e reflexões. Comigo não foi diferente.

Apesar de sempre querer ter filhos e sempre ter em mente que seria mãe um dia, não imaginava a dimensão da coisa toda. Ninguém tem a real noção do que a maternidade envolve até vivê-la. Para algumas é bem fácil e natural, tudo flui e pronto. Outras sentem mais, se abalam mais com as mudanças todas.

Fisicamente não passei por grandes alterações. Engordei 12 kg para ter um bebê de 3,100 kg às 36 semanas. Emagreci relativamente rápido após o parto, o que considero decorrente da amamentação. Não tive estrias - o que atribuo à genética. Minhas únicas alterações físicas mais visíveis ficaram na região abdominal, traduzidas por uma barriguinha com cicatriz de cesárea.

Já no campo psicológico... aí sim senti grandes alterações. No primeiro ano pós-parto senti como se vivesse em um mundo à parte. Como se nesse mundo só existisse meu filho, especialmente nos primeiros meses. Tudo o que eu fazia ou que pensava em fazer considerava seu bem-estar e desenvolvimento. Foi como se eu tivesse deixado de existir como indivíduo e passasse a ser uma dupla, a dupla mãe-filho. Mudei de nome, ou melhor, ganhei um novo sobrenome: a mãe do Bento. Deixei de lado meus planos e minhas vontades. Recusei passeios que não considerava adequados para ele, esqueci o que é ir ao salão, abri mão de coisas para mim, até maridex ficou um pouco para escanteio. O foco era 100% para meu filho.

Tudo isso teve seu preço, claro. Me cobrei, e cobrei o mundo. Maternidade era isso, dedicação extrema e total? Não poderia haver um equilíbrio, uma forma de balancear mãe e mulher?

Sim, pode e deve haver. Só descobri isso aos poucos, conforme filhote foi crescendo. Enquanto ele aprende a comer sozinho, a se vestir, a se despedir das fraldas, a dormir sem a mamãe, eu fui me redescobrindo. Nas primeiras brechas conseguidas para fazer algo para mim mesma, me deparei com um vazio, com dúvidas sobre o que fazer com aquele tempo que me era devolvido. Eu podia dormir novamente! Podia ir ao salão, podia encontrar uma amiga, podia ler! Nada comparável aos momentos de ócio de antes, tudo agora é contado e praticamente cronometrado, mas é meu. Eu ainda estava lá, escondida debaixo do manto de mãe. E eu não era só mãe, vejam só!

Então voltei a fazer planos, e a me incluir neles como indivíduo. Lembrei que quero fazer um curso, mesmo que adaptando-o aos horários do pequeno. Lembrei que posso equilibrar trabalho e maternidade. Lembrei que posso comprar uma roupinha para mim, no meio das sacolas de lojas infantis. Lembrei que marido estava lá, esperando minha volta.

E essa foi mais uma lição que aprendi com meu filho: redescobrir-se após a maternidade. Reencontrar-se no meio dos papéis de mãe, dona de casa, profissional, mulher, e equilibrar esses papéis. Aprendi que não sou uma coisa só, não tenho uma única "função". E que posso ser uma mãe melhor ao entender isso, sem me cobrar tanto.

17 de setembro de 2011

Do que mais tenho saudade na vida pré-filhos?

Todo mundo já conhece o Mamatraca né? Projeto super bacana de cinco blogueiras queridas, com vídeos para a mãezarada tagarelar! Pois a Carol me convidou para a sessão Colcha de Retalhos, para falar sobre o que mais sinto saudades da vida pré-filhos.

Como o vídeo tinha que ser de até um minuto e meio (tem mesmo que podar a mulherada para não matracarem demais né, hehe!), quis escolher uma coisa só para citar. É óbvio que prefiro minha vida de agora, com meu menininho, mas também não posso negar que sinto falta de algumas coisas.

O dormir direito foi a primeira coisa que pensei, e que a maioria deve se lembrar também. É verdade que nunca mais dormimos como antes, nem em quantidade nem em qualidade - considerando que, mesmo quando já dormem bem, qualquer noite pode ser interrompida por um chorinho, um dodói, um pesadelo, ou mesmo para checarmos se estão bem cobertos em uma madrugada fria. Portanto, depois que Bento passou a dormir bem a noite toda, não quis mencionar esse item. Até porque um dia voltamos a dormir, seja da forma que for.

Também pensei em falar de sair, fazer programas de adulto só com adulto. Das poucas vezes que saí à noite, foi para programinhas light em que pudéssemos levar o Bento. Como as famílias moram longe e não temos babá, não temos com quem deixá-lo para dar uma escapulida. Então adaptamos as saídas para coisas que ele pudesse participar, como restaurantes child friendly e casas de amigos.

Então resolvi citar o tempo. Tempo para comer com calma, sem engolir tudo correndo e sem a comida esfriar. Tempo para sentar com ele e brincar, sem ter que parar para fazer almoço. Tempo para ficar um pouco com o marido. Mas esse item também é tão relativo! Aos poucos a gente vai se adaptando à nova realidade, encontrando novas formas de lidar com a rotina diária e arruma tempo para tudo.

Por isso escolhi dizer que sinto falta de fazer coisas para mim. Até menciono o tempo, sim, mas junto à individualidade. Adoro fazer as coisas com o pequeno, adoro a companhia dele, adoro observar e acompanhar seu crescimento e aprendizado. É claro! Mas às vezes quero ficar sozinha, também sinto falta de mim. Ler uma revista, um livro, fazer nada... ficar comigo mesma um pouco. Lembrar que sou uma pessoa, com vontades e ideias, e não "apenas" mãe.

Então, quem quiser ver meu vídeo (plis, desconsiderem minha vergonha extrema!), passem lá no Mamatraca. E depois me contem o que mais sentem falta da vida antes de terem filhos!

16 de setembro de 2011

Crianças e eletrônicos

A geração de nossos filhos já nasceu com um chip. É incrível a atração que têm por eletrônicos em geral. E é impressionante a facilidade e a velocidade com que aprendem a mexer nesses apetrechos.

Como todo bebê, os primeiros artigos eletrônicos que Bento conheceu e se apaixonou nem foi um aparelho inteiro, mas os controles remoto. Da tv, do DVD, do som, de qualquer coisa. Apertava todos os botões, derrubava no chão, experimentava e babava (vai que aquilo era de comer). Em segundo lugar estavam os celulares. Quantas teclinhas para apertar! Quantos sons e funções para fuçar!

Daí descobriu o telefone comum. Menos atrativo no quesito teclas e sons, mas olha que legal, sai a voz da vovó dali de dentro! E a máquina fotográfica então... Ainda mais que muitas vezes deixamos fotos e vídeos salvos mesmo depois de descarregar. Vira e mexe ele queria ver e rever as fotos do "neném Bento".

Pois agora ele não se contenta em brincar com os apetrechos, mas explora o aparelho de cabo a rabo. Meu marido instalou em meu celular um joguinho simples de pintar, para ajudar a distrair o pequeno nos momentos de trânsito caótico. Pois o mocinho não só pinta como salva, muda a figura e já descobriu a paleta de cores. Daí surgiu outro joguinho, um com um gato que repete nossa fala, toma leite, "arranha" a tela do celular. Tudo bem simples, sem grandes funções e fácil de mexer. E então ele descobriu que dá para colocar atalho desses joguinhos na tela principal do celular! Sozinho! Agora meu celular tem 5 (cin-co!) atalhos de joguinho na home: o de pintar, o gato, uma girafa, um cachorro e outro gato, mais bigodudo.

Toda essa facilidade é motivada pela natural curiosidade dos pequenos em descobrir. Não têm medo de teclar, vão apertando tudo para ver no que dá. Fora a imensa gama e disponibilidade de eletrônicos que temos hoje, se compararmos a tempos atrás. Se pensarmos em nossa infância então... esses pequeninos estão anos-luz à nossa frente nesse quesito. Aprendem tão rápido por ser tão natural, por fazer parte do cotidiano deles.

E então que ontem estávamos quase chegando em casa e ele apertava meu celular insandecidamente. Já tinha pintado e brincado com a "girafa" e o "cachorro". De repente, escuto: "oi filho!". E Bento respondeu: "oi pai, tô aqui!". Levei um susto, era a voz do meu marido! Bento não apenas havia telefonado para ele, como colocado o aparelho no viva voz. Meu marido disse que percebeu que era ele porque, além de ver que era meu número que havia telefonado, viu que "alguém" continuava apertando as teclas sem parar. Como Bento já havia ligado para ele sem querer em outra ocasião, ele percebeu.

Ainda bem que foi para o pai que ele ligou. Mas se continuar nessa velocidade de aprendizado e na paixão por eletrônicos (não só é criança, como é menino!), daqui a pouco vou ter um zoológico no meu celular...

15 de setembro de 2011

Eu quero meu filhinho de volta

Não, Bento não foi a lugar nenhum. Não aconteceu nada significativo em nossa rotina, nada que nos distanciasse, nada de nada. Mas acho que ele foi abduzido, como aconteceu com o filhote da querida Carol um tempo atrás.

Cadê meu filhote fofildo, carinhoso, que ri de tudo? Cadê o obediente, que aceita o que pedimos que ele faça? Cadê o menininho que come de tudo, que não recusa nem o mais estranho legume? Acho que alienígenas vieram aqui em casa, levaram esse menininho exemplar e deixaram um modelinho que está me deixando doida.

Ele continua carinhoso e grudinho sim. Mas infinitas vezes mais manhoso. Fala "miando", às vezes apenas para pedir, sei lá, água. "mããããe, qué ááágua...", assim, arrastando as letras para dar ênfase ao dengo. Faz manha para ficar na escola, e quando é hora de ir embora. Faz manha para entrar no carro e dentro dele, quer sair da cadeirinha, tirar o cinto. Faz manha para tomar banho e para sair dele. Não quer nunca parar o que estiver fazendo.

E a alimentação? O menininho que comia de tudo ficou bem mais seletivo, principalmente com legumes e verduras. Ou melhor... verduras? Não quer nenhuma, nada, necas. E não adianta esconder que ele acha. E tira da boca somente ele, o verdinho, mesmo que em um pedacinho micro. Quanto aos legumes, até com batata ele deu para implicar. Tomate, cenoura, vagem, qualquer um, de qualquer cor, feito de qualquer forma. A única coisa que ainda aceita bem são os grãos. Milho, ervilha, lentilha, feijão (o preferido), todos continuam bem aceitos, ufa.

Mas o mais desgastante tem sido lidar com sua mudança de comportamento. Desobedece, contesta, reclama, reage. Fala não para quase tudo, mesmo que querendo o oposto, só para contrariar. Às vezes repete tanto a mesma coisa que nem me dá tempo de responder. Aí das duas uma: ou não ouve minha resposta e continua repetindo ad infinitum, ou grita. E esperneia, se debate, se irrita... Sem falar que desobedece mais a mim do que ao pai. É só aqui ou o pai tem uma voz de comando suprema, com o poder de ser ouvido mais facilmente do que a mãe? É o tom, a forma de falar, o fato de ficarem menos tempo juntos, a idolatria... qual será o segredo de tostines da obediência tão mais fácil?

Continuo seguindo a cartilha do conversar, do explicar, do abraçar, do ter paciêêência. Mas até a mãe mais calma e serena deve querer jogar a toalha de vez em quando. Sei que ele está bem no meio dos famosos terrible twos e que ainda temos chão por aí. Mas não dá para dar uma trégua não?

PS: escrevi esse post em um desabafo, após um dia cheio de birrinhas e manhas. Daí que ontem, como que por mágica, meu filhote voltou ao modelo padrão ursinho carinhoso. Estava uma delicinha, dócil, obediente, brincalhão, sorrindo e correndo e dançando. Concluí que a sessão terror foi provocada por cansaço, consequente da nossa viagem relâmpago à praia. Tudo fica bem melhor quando ele está descansado e com sua rotina normalizada...

13 de setembro de 2011

A minha infância e as mãos

Eu me lembro de muitas coisas da minha infância. De brincadeiras a comidas, de festas a casas de amigos, de viagens a pequenos momentos familiares.

Lembro que brincava muito na rua. Na minha rua moravam várias outras crianças, de idades variadas. Conhecíamos todas as brincadeiras da época, de corda e elástico a queimada e bets (ou taco, como queiram). Como havia mais meninos do que meninas, andávamos de carrinho de rolimã e apostávamos corrida de bicicleta. Mas eu também adorava brincar em casa. Tinha um quintal, sem terra, mas espaçoso. E me lembro que adorava fazer bolos com minha batedeirinha que funcionava de verdade. E os ingredientes eram 3 Fs: folhas, flores e formigas.

Também me lembro dos meus animais de estimação. Sempre tivemos algum em casa, todos gostávamos. Tive cachorro, gato, passarinho, coelho, pintinho. Mas o mais frequente foram os gatos, meus preferidos. Uma gata virou a matriz, pois viveu muitos anos conosco e teve várias crias. Sempre que tinha filhotes, um ficava em casa. Ela deu cria dentro da churrasqueira, dentro do guarda-roupas. E, um dia, sumiu. Ficou velhinha e foi embora, sem nos dar a chance de nos despedir.

Havia ainda as aventuras com insetos. Casa sempre tem inseto, ainda mais em uma cidade quente. Formigas, cupins, baratas de todos os tipos, das pequeninas às voadoras (todas obviamente nojentas). Um dia estávamos assistindo tv quando uma coisa preta passou arrastando pelo chão do corredor. Seria um rato? Um passarinho? Junte os dois e teremos a resposta: era um morcego. Lá foi meu cunhado envolver o rato com asas em uma caixa de pizza para levar para a rua.

E as festas? Os Natais eram os mais esperados, sempre foi minha festa preferida. Todo aquele clima, a preparação, as comidas diferentes, o dormir mais tarde, os presentes. Também me lembro dos aniversários. Dois em especial: uma festa-surpresa, com vários amigos da rua e da escola, e um que caiu na Páscoa (meu aniversário é em abril). Nesse minha mãe aproveitou a data festiva e fez a decoração toda temática, coisa que não existia na época. A decoração era toda em branco e vermelho: garrafinhas de refrigerante foram envolvidas por coelhos de papelão, havia balas de côco enfeitando a mesa, e o bolo era todo branco e em formato de coelho, com cerejas fazendo as vezes dos olhos.

Aí fiquei pensando qual a minha lembrança mais remota. Do que eu me lembro de quando era bem pequenininha? É difícil se recordar de coisas já guardadas há tanto tempo, mas eu me lembrei de uma coisa. Lembrei que gostava muito de dormir na cama da minha mãe. Que ficava lá com ela, toda noite, antes de ir para meu quarto. Que deitávamos lado a lado e eu lia um gibi da Mônica enquanto ela lia sua revista Seleções. Que, na maioria das vezes, ela adormecia primeiro (minha mãe sempre dormia em frente à tv ou rapidamente após ler uma ou duas páginas, estava sempre com sono... por que será?!). Que, quando ela adormecia, eu tirava a revista caída de suas mãos e apagava a luz. Que gostava de ficar de mãos dadas com ela. Que torcia para meu pai não vir logo para o quarto e eu ter que ir para minha cama.Pois é, minha mãe praticava cama compartilhada na época em que isso nem tinha nome.

Mas o que mais me tocou quando me lembrei disso foi o fato de querer ficar de mãos dadas. Eu adorava dormir assim. Era como se pudesse "prender" minha mãe, tê-la sempre comigo.

E então que percebi uma conexão da minha vida atual com minha infância: Bento só dorme assim. Toda noite, sem exceção, pede "mão mãe, dá mão" para dormir. Vemos um desenho, lemos um livrinho, às vezes ele até me pede para contar uma história já no escuro. Mas sempre, sempre pede para darmos as mãos. E eu, que gosto desse contato desde pequenininha, nem penso. Seguro sua mãozinha e até o pequenino dormir.

Não sei se essas coisas são hereditárias, ou se é característica dele mesmo. Não sei se ele faria o mesmo se tivesse outra mãe que não gostasse desse contato. Mas, se antes eu sentia segurança ao dar as mãos para minha mãe, agora sinto conforto, sinto harmonia. E um amor imenso, em um gesto tão simples.

12 de setembro de 2011

Conhecendo o mar

E essa foi a estreia do Bento na praia. Fomos em uma micro-viagem, bate-volta. Chegamos em um final de tarde, com ventinho gelado e muitas nuvens. Então levamos o pequeno para molhar os pezinhos de roupa mesmo. E o resultado foi esse:

video

Legenda do vídeo: "ai, olha a ôta água ali! olha! (risadinhas) bem gandão (risadinhas, risadinhas, risadinhas)".

8 de setembro de 2011

Bentês com tiradinha

Faz tempo que não conto as últimas palavrinhas do Bentês. Bento está tão falante, tão tagarela, que às vezes até peço para ele parar de falar um pouco, fico até zonza! Seu vocabulário está enorme, cheio de palavrinhas novas, expressões e frases inteiras. Reuni algumas das últimas novidades:

sacorrinho (cachorrinho)
popota (hipopótamo)
ômbismu (ônibus)
lelha (orelha)
fiá (esfriar ou assoprar)
trigue (tigre)
quadado (quadrado)
cículo (círculo)
tiângulo (triângulo)
retâgulo (retângulo)

As formas ele aprendeu com o Mr. Maker. Como ele gosta desse programa!
E o sacorrinho é uma das minhas palavrinhas preferidas, junto com ômbismu. Pena que ele já está aprendendo a dizer cachorro/cachorrinho do jeito certo, sem graça mesmo.

E depois do filiz, ele lançou outra tiradinha. Estávamos no carro, voltando para casa, quando ele me chama. Olho para trás e ele está puxando um tufo de cabelos.
Pergunto: "o que foi, filho?"
E ele responde: "olha mãe, cabelo de cachinhos!"
Fofo!

E com essa fofurice, deixo vocês por uns dias. Estamos indo viajar hoje, Bento vai conhecer o mar! Eba!

6 de setembro de 2011

Des-educando

Todo mundo deve concordar que o convívio com familiares é riquíssimo para as crianças. Conhecer pessoas de diferentes idades, com diferentes formas de agir, comer, falar. Conhecer costumes antigos, criar laços. Inegável a importância desse convívio.

Mas fico em dúvida sobre como lidar com situações que vão de desencontro ao que ensinamos em casa. De coisas simples, como não comer um chocolate antes de almoçar, a valores e ideais.

Já passei por chata por não deixar Bento comer mais que uma bolacha recheada (e olha já deixei uma, em casa nem compro!). Por não ceder ao vê-lo secar o pirulito de outra criança e me pedir. Oras, ele já tinha comido a bolacha!

O que me deixa chateada não é apenas a dificuldade de lidar com essas situações, mas quando outras pessoas contestam nossa forma de educar. A frase "mas é só por hoje!" para mim só funciona para festas e ocasiões especiais. Por exemplo, é aniversário, então pode comer brigadeiro e bolo, claro. Mas "faz tempo que não o vejo, vou dar um chocolatinho depois um pirulito, se não quiser almoçar não precisa"... nem pensar. Sou chata mesmo, e o hábito alimentar é trabalhado todos os dias.

E quando dizemos uma coisa e, ao virar as coisas, alguém faz o oposto? Acabo de falar que Bento não toma refrigerante, não gosta e pronto. Mas não se contentam, vão lá ofercer. Até ele mesmo recusar. Ou então digo "ele já comeu duas gelatinas, já está bom". Mas nããão... viro as costas e lá está ele com a terceira, e a quarta! "Já dei mais uma pra ele tá?". Não, não tá.

Não acho que seja por mal, não é isso. Mas temos tanto trabalho para ensinar, para criar o hábito de comer de forma saudável, para vir alguém de fora enchê-los de doces?!

Até agora Bento tem aprendido bem. Muitas vezes me pergunta "pode mãe?" - e não apenas para comidas, mas para alguma brincadeira, ou até se pode pintar uma figura do livrinho. E, como não tem hábito de se entupir de açúcar, vira e mexe nem aceita ou nem come. Com a bolacha recheada do começo do post foi assim: ele aceitou, mas ficou segurando um tempão antes de comer, quase esqueceu. E depois tratei de esconder o pacote, para que não pedisse mais.

Ou seja, vou ensinando em casa, repito, não compro (muita) porcaria e, as que permito são bem dosadas. Sei que o que ele aprende no dia a dia comigo fica gravado nele muito mais do que uma ou outra situação esporádica. Mas como fazer para não ser mal-educada nessas situações? Como dizer "ele não", enquanto todas as crianças ao redor estão se enchendo de doces?

Sou só eu ou essas intervenções pela des-educação irritam mesmo?

3 de setembro de 2011

Filiz

Voltando para casa em plena sexta-feira, trânsito carregado. Bento brincava com meu celular (como gostam de celulares e controles-remoto esses pequeninos hein?!). De repente, do nada, se vira para mim e diz:

"mãe, tô filiz"

Não foi uma ótima maneira de fechar a semana?

2 de setembro de 2011

Uma semana sem chupeta

Quando contei na semana passada que a chupeta foi embora, achei que ficou faltando detalhar melhor a coisa toda.

Bom, já faz um tempinho que estou querendo tirar a chupeta do Bento. Apesar de ele usar só para dormir e quando estava muito cansado, a mordida dele estava muito aberta e ele estava com postura errada da língua, conforme explicações da dentista (contei em detalhes aqui). Então comecei a tentar tirar, usando várias estratégias.

A primeira foi não tirar a chupeta de uma vez, mas aos poucos. Ir reduzindo devagar, para que ele perdesse o hábito. Essa parte nem chegamos a mudar, porque ele só chupava para dormir mesmo.

Depois comecei a elogiá-lo sempre que ele ficasse sem chupeta. Dizer que ele "é mocinho", "só bebês chupam chupeta", e coisas do tipo. Crianças gostam de elogios (e quem não gosta??) e de se sentirem "grandes". Essa ideia estava indo bem, várias vezes ele deixou a chupeta com esse argumento. Mas para dormir... não tinha jeito.
 
Outra opção que tentei foi inventar a fada da chupeta. Em um livro dele há figuras de fadas, e eu disse que elas viriam buscar a peta para trocar por um presente. Ele adorava essa ideia, vivia dizendo que a fada ia "levá supeta imbola e tazê pesente". E até ganhou uma bola nova do amado time de futebol do pai. Mas nada de abandonar a dita cuja.

Daí tentei fazer um furinho na chupeta e dizer que estragou. Ele chupou um pouco mesmo assim e deixou. Cinco minutos depois disparou a chorar. Estávamos na hora da soneca da tarde, esperava que ele conseguisse dormir sem chupeta. Conversei, distraí, dei colo... nada. "A peta mãe... dá ôta peta...". Não aguentei. Mas peguei uma chupeta diferente, com bico de látex e não de silicone. Ele chupou um pouquinho e... "essa não mãe.... ôta, ôta...". Disse que só havia aquela, que a outra tinha "quebrado", para ver se ele esquecia. Fui insistindo, tentando acalmá-lo, esperando que ele aceitasse ficar sem. E ele chorou, chorou, chorou. Acabou dormindo no meu colo, exausto. E eu fiquei de coração partido. Se era para ser na base do sofrimento, eu não queria. Naquela noite voltei com a chupeta normal, mas continuei com a estratégia dos elogios.

E assim fomos indo. Vira e mexe eu relembrava a história da fada, para ver se ele aceitava, e seguia elogiando sempre que ele não chupetava. Às vezes ele queria conversar enquanto ainda estava com a chupeta na boca, e aí adotei outra ideia: sempre dizer que não dava para entender nada que ele dizia, mesmo que entendesse. A ideia era que ele percebesse que tinha que tirar a chupeta para falar e, assim, reforçávamos que a chupeta atrapalha.

Até que surgiu a "dor no dente" que contei na semana passada. Como apesar de pedir a chupeta ele mesmo a tirava porque dizia que doía, vi aí uma chance. Vi que ele até dormia com ela na mão, mas não a colocava na boca. Então percebi que ele podia, sim, dormir sem ela, era só mostrar pra ele. Inventei a história que a chupeta machucou o dente e funcionou.

É claro que ele não esqueceu a chupeta de uma hora para outra. Até hoje a pede, mas sem chororô, sem insistir. Quando pede, digo "a peta foi embora, lembra que ela machucou o dente?" e pronto. Já mudo de assunto, mostro alguma coisa, dou o amado paninho... e ele esquece.

O que percebi é que a retirada da chupeta deu tão certo dessa vez por dois motivos: ele estava pronto e eu estava segura. Ele não precisava mais desse "apoio" para nada, a chupeta deixou de ser um consolo para ser apenas um objeto. E eu consegui me manter firme, sem ceder quando ele pede, porque ter percebido esse crescimento dele. Assim é que deve ser com qualquer transição de fase: quando a criança está pronta, e quando a mãe está segura para apoiá-la. Que venha o desfralde!

1 de setembro de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Empatia

De volta à série das Coisas que Aprendi com Meu Filho, a lição da vez é a empatia.

Empatia
Capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.
Processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro.

Fonte: Dicionário Houaiss

Não são todas as pessoas que se mostram atentas e solidárias aos sentimentos alheios. Uma pessoa empática é observadora, e percebe se alguém está triste, se está passando mal, se está alegre, se está se sentindo realizada. E não se satisfaz em apenas constatar o sentimento, mas quer ajudar de alguma forma, dar um abraço, mostrar apoio, ou simplesmente compartilhar os sentimentos.

A empatia é exercida mais facilmente entre pessoas mais próximas. Em geral, com a vida atribulada que levamos e a desconfiança característica de cidades grandes, é difícil se solidarizar com alguém desconhecido. Assim, com um amigo, parente, marido/mulher, ou mesmo colega de trabalho, temos um relacionamento mais fácil e a empatia é exercida com mais naturalidade.

Porém, até me tornar mãe, eu nunca havia reparado que as crianças também podem ser empáticas. Mesmo as bem novinhas podem demonstrar empatia ao se identificarem com os sentimentos e situações. Por exemplo, quando uma criança chora por seu brinquedo ter quebrado e outra, que brincava com ela ou perto dela, oferece seu brinquedo à que chorava. Ou quando uma criança derruba o sorvete e o amigo oferece dividir o seu. Ou quando uma leva bronca dos pais e outra oferece um abraço - ou mesmo assume a culpa junto sem ter feito nada. Tudo isso é companheirismo, é amizade, é solidariedade.

Mas o mais incrível é quando vemos crianças sendo empáticas com adultos. É uma inversão da ordem natural, já que, como adultos, o mais lógico é que nós sejamos os equilibrados, os que oferecem colo, os que nos dispomos a acalmar um choro. Mas somos humanos também e, como tais, somos passíveis de fraquezas. Nós nos cansamos, ficamos nervosos, angustiados, tristes. E choramos.

E aqui cheguei no ponto onde queria. Bento sem-pre sabe se não estou bem. Já me surpreendeu chorando e, mesmo eu tentando disfarçar, perguntou: “que foi mãe? tá xouando?”. Foi a primeira vez que ele disse “xouando”, e também foi a primeira vez que eu constatei que ele percebe sim quando há algo diferente. Em uma outra ocasião estávamos no trânsito, parados no farol, e eu apoiei a cabeça na janela e respirei fundo. Por nada, só cansaço mesmo. Pois na hora ele disse: “tá câssada mãe?”- de novo, foi a primeira vez que ele disse a palavra “câssada” (cansada). O terceiro exemplo foi em casa, em um outro momento meu de cansaço, quando ele disse “que foi mãe? tá com medo?”. Mesmo sem acertar especificamente o sentimento, mais uma vez ele percebeu que eu não estava bem, associou a uma sensação ruim e quis se aproximar. Por fim, outra situação foi quando eu estava cozinhando e ele brincava perto de mim. De repente, do nada, ele se levantou, abriu os bracinhos e disse: "mãe, dá um abaço?"

E essa foi mais uma lição que aprendi com meu pequeno. Ser solidário e empático nos ajuda na identificação com aqueles de quem gostamos. É uma capacidade que pode ser exercida por qualquer pessoa, até pelas crianças. E faz um bem danado, tanto para quem a exerce, como para quem a recebe.

*Tema sugerido por Lu, do blog Descobertas.
 
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