31 de agosto de 2011

Filhos da mãe?

Sabem onde eu fui nessa quarta-feira? Peguei um avião aqui em São Paulo e depois a ponte aérea Barcelona – Cingapura e fui tomar um café com as meninas do Minha Mãe que Disse!

Fui lá falar um pouquinho sobre como o relacionamento dos filhos é diferente com a mãe e com o pai... Muita gente diz que filho é da mãe e eu concordo. Mas é do pai também!

Querem saber no que deu esse papo todo? Corram !

29 de agosto de 2011

O dente que expulsou a chupeta

Na semana passada, estávamos eu e Bento no carro, no caminho para casa, quando ele começa a choramingar e a dizer: "dente mãe... o dente". Como assim, o dente está doendo?? Apavorei. "você caiu filho? bateu a boquinha? caiu na escola?" E ele respondia no automático: "caiu. bateu. sscola". E foi choramingando o caminho inteiro, em determinados momentos até chorava e colocava a mão na bochechinha. Ai ai ai.

Chegando em casa a primeira coisa que fiz foi inspecionar a boquinha. E ele choramingava mais e mais. E colocava a mão na bochecha. E dizia sem parar "o dente mãe... o deeeente... o deeeeeeeeeente mãããããããeeeeee!" E eu não encontrava nada de errado! Passei de leve meu dedo em cada dentinho, olhei, fucei, revirei. Nada! Como assim, o que acontece?? Óbvio que ele não quis jantar. Aliás, nem tomar leite. Nem beber água! Tudo que encostava na boca era motivo para lembrá-lo da dor no dente.

Passamos uma noite terrível. O tempo todo ele minhocou pela cama, se revirando e choramingando. De vez em quando resmungava "deeente" baixinho. Que dor no coração. Até deixei que ele ficasse em meu colo e dormi recostada na cama.

No dia seguinte, liguei para o pediatra logo cedo e consegui um encaixe. O pequeno estava murcho, não tinha comido nada, só tomado uns golinhos de água e duas colheres de iogurte. De vez em quando esquecia o dente e brincava, conversava. Mas minutos depois... "deeeente..."

O pediatra examinou dente por dente, mesmo com todo o chororô, e também não viu nada de errado. Mas a gengivinha estava bem inchada, um início de infecção na garganta, o que fez diminuir o apetite. Como ele colocava a mão na bochecha sempre do mesmo lado para dizer que doía, o médico disse que provavelmente ele deve ter mordido a bochecha por dentro, machucando e fazendo doer ainda mais. Tadinho do meu bichinho...

Aquela noite ainda foi atribulada, Bento ainda reclamou de dor e também foi dormir sem querer comer nada. No dia seguinte, até febre teve. Na quinta-feira pediu para comer. E na sexta comeu torrada no café-da-manhã - que é coisa dura de morder, sinal que o inchaço e a dor haviam diminuído.

Porém... toda essa novela teve um final mega feliz. A garganta inflamada e a bochecha mordida expulsaram a chupeta!! Sim, aquele item que a gente dá um dia para ajudar a acalmar o bebê mas depois pena para tirar. Até então eu ia insistindo nos elogios quando ele ficava sem, dizendo que ele "é mocinho", "só nenê chupa chupeta", "chupeta só para dormir". Invoquei a fada da chupeta, quem sabe se trocássemos a dita cuja por um presente. Já estava até me imaginando tendo um bom papo com o Papai Noel. Pois a garganta inflamada doeu tanto que Bento não queria colocar nada na boca, nem a amada chupeta. Até a pedia, levava para  a boca, mas tirava e ficava segurando na mão.

E aí eu aproveitei a deixa: "iche filho, acho que a peta fez dodói no dente!"; "acho que o dente não quer mais a peta"; "você já é mocinho né, não precisa de peta". E então, bem no dia de seu mesversário de 2 anos e 4 meses, Bento dormiu pela primeira vez sem chupeta. E ainda me disse a glória-mor que toda mãe de criança chupetenta espera ouvir um dia: "filho, quer a peta?" "não, mãe". Obrigada, dente.

27 de agosto de 2011

Saci

Dia desses a escola do Bento pediu para enviarmos uma garrafa plástica de 600 ml vazia, para as crianças fazerem uma atividade. Não disseram o que era, apenas pediram a garrafinha. Na hora imaginei algum trabalhinho de artes.

Então que, nessa semana, Bento trouxe a garrafa e, dentro dela, um saci de papel, pintado por ele. "O saci, mãe, o saci!" Então descobri que dia 22 de agosto é comemorado o Dia do Folclore!


Sei que Bento adorou a atividade. E a professora complementou: "conta pra mamãe por quê o saci está na garrafa", e o pequeno respondeu: "porque ele fez bagunça".

Achei bem legal o trabalhinho escolar de introdução ao folclore brasileiro. Achei que essas lições começariam mais tarde. Bento já conhecia o Saci de um episódio do amado Cocoricó, então assimilou fácil o personagem.

E eu, que não sou boba nem nada, aproveitei a ajudinha do negrinho de uma perna só para enfatizar a lição:

eu: "fillho, o saci fez bagunça e agora tem que ficar na garrafa?"
ele: "é"
eu: "então não pode fazer bagunça né"
ele: "não pode, saci"
eu: "tem que obedecer a mamãe"
ele: "tem que obedecer, saci. Vai ficá catigo"

Vamos ver até quando dura a lição do saci...

25 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Lidar com Imprevistos

Após uma pausa para posts mais descontraídos e para a inauguração do layout novo, retomo a série de coisas que aprendi com meu filho. Lição da vez: lidar com imprevistos.

Todo mundo, em algum momento da vida, se depara com situações inesperadas. Do equipamento que não funciona bem na hora da apresentação na faculdade à meia-calça que rasga na porta da festa, imprevistos acontecem a todo momento, com qualquer pessoa, para nos forçar a pensar rápido, a achar uma solução imediata para aquele problema.

Na vida pós-maternidade, os imprevistos não só continuam, como se multiplicam. É filho com febre na véspera (ou durante) daquela viagem programada com tanto carinho, é festinha de amigo justo no dia do aniversário imperdível de 80 anos da avó, é jato de xixi na nossa blusa nova ou vômito quando estamos saindo já atrasadas. Desde as situações mais corriqueiras até as planejadas de forma exaustiva e antecipada, tudo pode mudar de uma hora para outra (ou de um minuto, ou de um segundo para outro) quando se tem filho na equação. E haja jogo de cintura para contornar. Haja cara de pau para fingir que não viu/ dar um jeitinho/ agora vai assim mesmo. Haja criatividade.

E há ainda aquelas situações que não temos opção se não colocar a cachola para funcionar: dias e dias de férias com chuva pedem brincadeiras criativas para os pequenos dentro de casa. Horas no trânsito ou em viagens exigem atividades para entretenimento (livrinhos, brinquedos, música, comidinhas). Vai almoçar fora? Ou você leva alguma coisa para distrair a criançada, como livros para colorir/lápis de cor, ou se vira para fazer sachês de catchup e mostarda virarem brinquedo.

Se alguém se achava criativo, flexível e ágil para lidar com imprevistos antes de ter filhos... espere só para ver a agilidade com que seu cérebro vai trabalhar quando o bebezinho chegar. Quantas soluções funcionais vão surgir, quantas situações inesperadas e até engraçadas vão acontecer. Até quando a gente acha que já sabe o que fazer, alguma coisa pode mudar e nos fazer agir de outra forma. Porque filho nos ensina que maternidade também é sinônimo, entre outras coisas, de imprevisibilidade.

24 de agosto de 2011

Tudo novo!

Sim, você está no lugar certo! Esse é o novo Mãe do Bento, totalmente reformulado, redesenhado, colorido, arrumado e perfumado! Há tempos estou matutando a reforma do blog. Fuça daqui, fuça dali, manda e-mail, sugere, aprova e tcharam! Cara nova no ar!

As responsáveis por essa obra linda foram duas. Tá, três, porque euzinha imaginei a coisa toda. Mas não faria nada sem que duas talentosas mocinhas me ajudassem.

A ilustração do cabeçalho é de quem, de quem? Da Lu, claro. Muitas já conhecem o traço característico dessa mineira-canadense, faltava ver como ficaríamos eu e Bento conforme o lápis da Lu. Pedi que ela seguisse a linha de desenho e dos lápis de cor do layout anterior e taí! Não ficou lindo?

E quem colocou a coisa toda para funcionar, as ferramentas, as novas seções (já vou falar sobre isso) e ainda deu sugestões ótimas (viram a frase lá no rodapé? viram as mãozinhas ao final de cada post?), foi a Flavia. Já conhecida também por layouts lindos blogosfera afora, eu não podia escolher outra para me ajudar nessa que não a mãe do Astronauta!

Então vamos conhecer as novidades? Primeiro, as novas seções:
- A autora: seção para quem quiser conhecer um pouquinho mais sobre mim
- Vídeos: todos os vídeos já postados, reunidos para facilitar a visualização
- Bentês: como o Bentês é um dos tópicos mais comentados aqui do blog, criei uma seção só para ele! Agora todos os posts das falinhas e tagarelices do pequeno foram compilados em um só local, para deleite dos leitores!

Além disso, temos outras novidades: o campo para comentários voltou para o final de cada post. No layout anterior, o link ficava logo abaixo do título, era uma imposição do layout. Prefiro o link no final, acho mais "lógico" ler e, na sequência, comentar!

E ainda: botões para quem quiser falar comigo por outros meios: e-mail e facebook. Tá ali do lado ó!

E aí, gostaram? Aprovaram a cara nova do bloguito?

23 de agosto de 2011

Caso de amor com uma girafa

Quando eu montei o enxoval do Bento, escolhi como tema um animal que acho que tem tudo a ver com ele: a girafa. Como o pai dele é bem alto, era natural pressupor que ele também seria uma criança grande (e é mesmo). As lembrancinhas da maternidade, por exemplo, foram chaveiros em feltro em formato de girafa:

Outro item que compunha o enxoval era um cobertor, uma almofadinha e uma girafinha de pelúcia:
Essa girafinha de pelúcia sempre chamou a atenção do pequeno. Vira e mexe ele a pegava para brincar.
aos 8 meses, concentrado nos chifrinhos da girafa

Recentemente ele, que havia esquecido a girafa na estante... a redescobriu. E grudou nela. Pega a girafa para dormir, carrega puxando-a pelo rabo e até na escola ele já a levou. 
na porta da escola

Sempre achei tão bonitinho criança com algum bichinho ou boneco... Pode ser o objeto de transição (já até falei sobre isso aqui) ou simplesmente um brinquedo preferido. E agora meu girafinho está apaixonado por sua girafinha!

22 de agosto de 2011

Ser mãe de menino é...

... Aprender o nome de diferentes tipos de caminhão, carro, avião e demais veículos (caminhão de bombeiro, caminhão-baú, caminhão de cimento, cegonheiro...)
... Ter pique para jogar bola e correr e jogar bola e correr e correr e correr e correr e correr mais um pouco
... Não ter nojo de meleca de nariz
... Ser praticamente sócia do supermercado, da quitanda e da feira
... Conviver com mini-chutes, mini-socos, mini-pontapés
... Conhecer todos os super-heróis pelo nome, uniforme e super-poder
... Comprar camiseta e meia do time de futebol e o filho pedir para vestir até para ficar em casa
... Ser camarada de monstros, lobos, vilões e demais seres fantásticos, principalmente aqueles que fazem "ruaaarrrr"
... Poder arrumar o filhote em cinco minutos, bastando uma camiseta, um short/calça e um tênis
... Contentar-se com roupas nas cores azul-verde-branco e outras cores simples, sem mais firulas
... Cortar cabelo do filho em intervalos de meeeses, e penteá-lo em minutos
... Ver o pequeno passar de brincadeiras calmas, como pintar e montar blocos, para as mais agitadas, como lutinha e pulos, e se divertir de todo jeito
... Limpar o pipi alheio todo dia

Alguém lembra de mais alguma coisa típica de meninos?

19 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Expectativas

Continuando a série de coisas que aprendi com meu filho, falarei agora sobre expectativas e aceitações. Sabem quando a gente imagina alguma coisa que está para acontecer? Quando temos tanta certeza que algo vai ser de determinada forma que nem consideramos outra possibilidade?

Vira e mexe lemos/ouvimos por aí que as crianças precisam aprender a lidar com pequenas frustrações. Precisam entender que nem tudo acontece como gostaríamos. Não podemos comer o que quisermos, nem ir aonde der na telha a qualquer horário, nem falar o que vier na cabeça. Tal lição leva tempo para ser ensinada, e haja habilidade para lidar com os momentos de contestação dos pequenos.

Pois bem. Mas e quando somos nós, as mães, que temos expectativas e nem tudo sai como havíamos imaginado?

Toda grávida passa a gestação imaginando a carinha que o filhote terá. E eu, claro, não fugi à regra. Imaginei Bento com características minhas e do pai, misturadas. Imaginei um menininho de cabelos castanhos, olhos grandes, com traços de cada progenitor. E o que acontece logo que ele nasce? Sai do forno um menininho com pouquinho cabelo (ou seja, o cabelo real eu só iria conhecer meses depois) e com todos os traços do pai. Sim, eu disse TODOS. Da mãe restou a brancura da pele e, segundo alguns, o nariz. Algum tempo depois, quando cabelo e olhos ganham as tonalidades definitivas, o que temos? Um meninho de cabelo loiro-escuro (sim, eu disse loiro), cacheado, e olhos verde-garrafa.

Antes que me perguntem se ele é filho do padeiro, reafirmo que ele é a cara do pai, cuspido e escarrado. A loirice e a cor dos olhos vieram da minha mãe. Ele é o menininho mais lindo e fofolético e esmagável da face da Terra, mas lembro de, nos primeiros meses, ficar chateada quando todos comentarem que ele não se parece em nada comigo. Até uma desconhecida, vendedora de loja, vendo nós três juntos me perguntou: "ele é seu filho? nossa, não tem nada a ver com você" (ênfase no nada, reparem).

Esse exemplo é só uma brincadeira, na verdade. Bento podia ter nascido azul com bolinhas amarelas que eu ia amar e achar lindo do mesmo jeito. A real queda de expectativa das mães começa quando surgem os probleminhas. Quem na gravidez sonhou com um bebê com refluxo, que não dormia por mais de duas horas, que choraaaaava em horários indeterminados? Quem sonhou com uma criança que dá trabalho para dormir mesmo depois de maiorzinha, ou que come feito passarinho? E quem sonhou com uma criança que desobedece, que contesta, que sai do castigo, que não entende repreensão e poucos minutos depois repete a travessura?

Ninguém né. Todo mundo sonha com o bebê dos comerciais. O que mama que é uma beleza e dorme feito anjo, de preferência a noite inteira, e logo no primeiro mês. O que sorri o tempo todo. O que come de tudo e detesta porcarias e doces. O obediente, gentil, carinhoso, que entende de primeira qualquer pito.

O choque do filho que queríamos ter versus o que temos é maior no começo, nos primeiros meses, que costumam ser os mais difíceis. Depois a gente vai entendendo que o que tivemos não é um bebê de comercial, não é um robozinho. É uma pessoa em miniatura, com suas particularidades, suas vontades, suas limitações. Que pode não dormir bem hoje, mas dormirá bem um dia (sim, vai!), quando nos requisitar menos durante a noite. Que pode não raspar o prato, mas come o suficiente para ela. Que fica doente, tem medo, fica confusa, sente dor.

Expectativas são bacanas, nos impulsionam e nos fazem sonhar, mas nem sempre viram realidade. E essa foi mais uma lição que aprendi com meu pequeno. Aprendi a aceitar que filho tem o tempo dele para tudo. Aceitar que tais expectativas são insignificantes perto da grandiosiade que é criar um filho. Aceitar que ele me escolheu para ser sua mãe, e eu o recebi para ser meu filho. Do jeitinho que ele é.

18 de agosto de 2011

Dá um abaço?

Bento correndo contra o vento, sem lenço nem documento, partindo pro abraço!

Meninas, super obrigada pelo carinho no post anterior! Vocês são umas lindas. É incrível como a blogosfera é solidária, como uma mãe se identifica com os perrengues da outra.

Toda mãe tem seus momentos de cansaço, toda mãe tem jornada dupla-tripla-sem tamanho mesmo sem trabalhar fora. Sempre há mil afazeres, muitas vezes nos deixamos de lado para fazer algo até chato, mas necessário. Muitas vezes dá vontade de largar tudo e sentar no chão para brincar com o filhote... e, de vez em quando, que mal há em fazer isso, não é?

Ontem Bento fez tantas fofurices que puft, o cansaço perdeu o sentido. Engraçado como eles sentem quando não estamos bem. A primeira vez que ele precebeu que eu estava chorando foi muito fofo, até contei aqui. Agora, se me vê mais quieta, às vezes apenas respirando mais fundo, ele percebe e pergunta: "que foi mãe?" ou "tá xouando?" E outro dia foi demais, ele perguntou: "que foi mãe, tá com medo?" Há pouco tempo ele conseguiu expressar o medo (os maiores vilões para ele são os fogos de artifício). Então achei demais ele associar meu cansaço, uma coisa que ele percebeu que é ruim, ao sentimento de medo, que ele também já conhece. Não é um gênio esse meu filhote?

Daí que ontem, no final do dia, estava eu fazendo a janta quando ele quis "me ajudar". Deixei que mexesse os ovos que eu batia para fazer omelete, pedi que pegasse um tomate para mim na geladeira... ele adora me ajudar, percebo que ele sente que está participando das minhas coisas também. Quando eu já estava lavando a louça, ele foi buscar seus blocos de montar na sala e trouxe para a cozinha, para brincar perto de mim. E de repente, enquanto montava um "castelo gandão e uma áivoie", se levantou, ficou ao meu lado com os bracinhos abertos e disse: "mãe, dá um abaço?" É para morrer de amor ou não é?

E é com esse abaço especial que agradeço o carinho no post anterior. Mães novatas, experientes, as que ainda serão mães... todas se frustram de vez em quando, todas se cansam, todas conhecem o sentimento que descrevi. E todas sabem que um abaço desses faz passar todos os problemas.

17 de agosto de 2011

Fracasso de mãe

Tem dias que me sinto um fracasso como mãe. Não basta a mania de perfeição que me persegue, a vontade de agradar e fazer sempre o melhor, tem dias que as coisas simplesmente não dão certo.

Duas situações têm complicado as coisas por aqui. A primeira é nossa rotina diária durante a semana. Atualmente estou dando um curso para funcionários novos na empresa (faz parte da minha função), o que significa que preciso chegar no trabalho às 7:30 da manhã. Como moro longe do local de trabalho, preciso sair de casa 6 e pouco da matina - e ainda assim chego em cima da hora. E Bento vai comigo, já que a escolinha é do lado do meu trabalho. Isso nos permite um pouco de tempo juntos, vamos ouvindo música, nos distraindo com os atrativos do caminho. Na volta, às 16:30, a mesma coisa: música, biscoito, água, livrinhos e tudo mais para fazer passar o tempo até chegarmos em casa. Aí chegamos e começa a segunda jornada: fazer jantar, lavar roupa, preparar a mochila do pequeno para o dia seguinte, ficar um pouco com ele, dar banho, colocar para dormir.

Fazer isso todo dia, de segunda a sexta, cansa. E muito. Tá, já acertei minha saída do trabalho e voltarei a trabalhar em casa, como freelancer, a partir de outubro. Mas enquanto outubro não chega... estou bem cansada. E a consequência acaba sendo impaciência, estresse. Meu pique para brincar com Bento vai para o espaço, e às vezes a paciência também. Como é difícil manter o bom humor e a disposição quando se está cansada.

A segunda situação que têm contribuído para que eu me sinta uma péssima mãe é quando Bento desobedece. O comportamento dele quando faz alguma travessura varia entre entender de primeira a repreensão e não fazer mais, e repetir a "arte" infinitas vezes. É muito, muito cansativo repetir que não pode, que é errado, que machuca ou qualquer outro não. Converso muito, me abaixo na altura dele, pergunto "entendeu filho? tudo bem? combinado?". Ele responde "tá bom, combinado". E 5 minutos depois faz de novo.

E tem dias que a coisa pega. Não obedece, joga coisas no chão e até bate. Se a conversa não está surtindo efeito, coloco de castigo. Fica lá por 2 minutos (afinal, ele tem 2 anos), não deixo sair por mais que chore. Quando acaba o tempo, vou lá, dou um abraço e o acalmo, repito o motivo do castigo. Ele me abraça de volta, diz que entendeu. Dali a algum tempo... tudo de novo.

Engraçado que esses dias de teimosia extrema são justamente aqueles em que mais estou cansada. Quanto mais eu quero que o dia acabe logo, quanto mais quero terminar rapidamente as obrigações do dia para poder descansar... mais o pequeno me solicita.

Sei que as frustrações fazem parte da maternidade também. Sei que a maternidade real é aquela cheia de desafios, longe da vida cor-de-rosa dos comerciais. Mas é bastante difícil lidar com essa sensação de estar agindo errado, de não conseguir ser infinitamente paciente. É bastante difícil... Alguém me abraça?

15 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Pré-Julgamentos

Continuando a série de coisas que aprendi com meu filho, vou falar agora da lição que toda mãe, um dia, aprende: não cuspir para cima para não cair na testa.

- meu filho não vai dormir na minha cama. Desde sempre vou acostumá-lo ao berço, depois à caminha, sempre no quarto dele. Vir para minha cama, jamais
- meu filho não vai fazer birra. Que horror essas crianças que sapateiam, se jogam no chão, cospem e batem
- meu filho não vai usar chupeta depois dos 2 anos. É super fácil tirar o costume, é só sumir com a chupeta e pronto

A primeira teoria a cair foi a primeira, a de que ele não dormiria comigo. Eu simplesmente nem considerava essa hipótese. Algumas vezes, quando Bento era bebezico e acordava de madrugada para mamar, o pai às vezes falava "traz ele aqui, deixa ele dormir com a gente", para amenizar o deita-levanta-deita-levanta. Eu raramente deixava, para não dizer nunca. Até que fui cansando, ficando cada vez mais estressada com o sono picado. Fora que havia o refluxo, Bento algumas vezes acordou engasgando... Então eu o colocava para dormir no carrinho, com o encosto levantado para ficar mais inclinado, e ao lado da minha cama. E assim ficamos por vários meses. Quando ele passou para o berço, eu o fazia dormir na caminha de solteiro que havia em seu quarto. E às vezes dormia junto com ele. Aos poucos, a teoria do "nunca vai dormir comigo" caiu por terra. Ora a noite era atribulada por nascimento de dentes, ora por um pesadelo, ora por um resfriado... Hoje não faço restrições e adotei a cama compartilhada de vez. Claro que há famílias nas quais o esquema "cada um no seu quadrado" funciona muito bem desde sempre. Já para outras, demora mais, e aqui em casa tem sido assim. Quem quiser ler mais sobre minha experiência com cama compartilhada, clica aqui!

A segunda teoria, a da birra, foi para o espaço quando Bento começou a entrar nos chamados terrible twos, quando ele começou a entender que existe a possibilidade de se contestar alguma coisa, negar um pedido. E que nem tudo acontece como ele quer. Veio uma birrinha aqui, outra ali... Hoje até de castigo ele já ficou, por ter jogado os brinquedos no chão. No geral, ele é bonzinho e obediente, mas se está cansado ou se não dou atenção a ele, há mais probabilidade de as birras acontecerem. Nunca deu pitis em lugares públicos, mas em casa... ele se sente em casa. É bem difícil manter a calma, explicar mil vezes, mostrar que está errado. Mas é necessário e essencial para ele aprender a lidar com suas frustrações. Quem quiser ler mais sobre minha experiência com as birras até hoje, clica aqui!

Por fim, a chupeta. Nunca fui contra chupeta, nunca vi grandes problemas em permiti-la. Ela foi adotada de vez durante o chororô do refluxo, pois ajudava muito a acalmá-lo. Bento nunca foi de usá-la o dia todo, nem em passeios, só quando a coisa apertava mesmo (dodóis, cansaço) e para dormir (contei um pouco da nossa experiência nesse post). Aí a chupeta foi ficando, ficando... e ainda não se foi. O pediatra e a dentista já recomendaram a retirada, deram dicas, inventei a fada da chupeta... Mas ainda não consegui tirá-la de vez, e lá se vão 2 anos e 3 meses. Vou trabalhando a ideia de abandonar a peta aos poucos e pretendo sumir com ela até o fim do ano. Nem que eu tenha que apelar para o Papai Noel.

E essa foi mais uma lição da maternidade: não pré-julgar, não cuspir para cima. Em algum momento, a cusparada vem para a testa. Cada criança é única, tem seu ritmo de desenvolvimento. Cada família tem sua dinâmica e sua forma de lidar com as novidades e perrengues. E eventos externos também influenciam... de doencinhas a mudanças de casa. Agora já não acho que algo não vai acontecer com a gente.... até porque, lidamos com uma pessoinha, com vontades, personalidade. Que não vem com manual de instruções.

12 de agosto de 2011

Pai mutante

O pai do Bento é um mutante. Um híbrido de menino e homem.

É menino porque gosta de molecagens. Adora jogar videogame. Brinca com Bento de pega-pega e se esconde para que o pequeno o procure. Faz cosquinha, brinca de carrinho e de montar castelos. Às vezes quebra regras e agita o pequeno pouco antes da hora de dormir. Pega insetos com a mão e mostra para o menino. Levanta-o no alto, o coloca de cavalinho sobre os ombros e, de repente, o vira de ponta-cabeça, arrancando gargalhadas infantis.

É homem porque assume responsabilidades. Paga conta, compra itens importantes (da cadeirinha do carro a umidificador de ar) e renova o estoque de leite toda semana. Limpa melhor do que ninguém o pipi do filhote. Persiste para que o mocinho use o penico, mesmo após infinitas recusas. Dá bronca quando necessário e fica firme - ao contrário da mãe, essa molenga que vos escreve.

E é pai porque está presente no dia-a-dia e em momentos importantes também. Foi essencial na época do desmame, quando Bento só queria tomar mamadeira no colo do pai. Pediu dispensa do trabalho em plena quinta-feira meio da tarde para assistir ao pequeno dançar na festa junina da escola (e, no fim, Bento nem quis dançar). É quem mais o apresenta alimentos novos: de shimeji a azeitonas passando por tanjerinas.

Esse é o pai do Bento. Aquele que oscila entre o brincalhão e o que doma a pequena ferinha. Entre o companheiro de bagunças e o herói.

cartão feito na escolinha do Bento para o dia dos pais - a letra P é o pezinho do Bento; as letras A e I foram feitas com tinta e pincel por ele, com a ajuda da professora

Minha homenagem e agradecimento àquele que me deu o maior presente do mundo.
E, desde já, desejo um ótimo dia dos pais a todos!

11 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Alimentação

A terceira lição aprendida com filhote refere-se à alimentação.

Eu sempre tive uma alimentação variada. Sempre gostei de salada, legumes cozidos ou refogados, verduras. Para frutas era mais seletiva, nem todas eu gostava. Mas havia alguns alimentos que não desciam: beterraba, peixes, alguns doces caseiros e vísceras e coisas estranhas em geral (dobradinha, língua e afins). Para a beterraba, eu achava estranho aquele gosto doce no meio das coisas salgadas. O peixe minha família não tinha muito costume de fazer quando eu era pequena - mas, quando tinha peixe no cardápio, lembro de minha mãe tentar me fazer comer dizendo que era frango. Nunca caí, percebia na hora o gosto diferente. E quanto às vísceras e outros, sempre tive nojo.

Daí que, na gravidez, comecei a olhar diferente para certos alimentos. Enjoei de cenoura, até então ingerida quase todo dia e de todas as formas, e a substituí... pela beterraba. Não deixei de comer cenoura, só passei a alternar os legumes. Também passei a gostar mais de doces caseiros, principalmente arroz doce e canjica. E... finalmente aprendi a comer peixe (menos ensopado, que não desce mesmo). Somente as vísceras e outras esquisitices continuaram sendo reprovadas pelo meu paladar (ou cara feia e nojinho, como queiram).

Mas a mudança mais importante não foi nem essa. Tá, é bem legal passar a comer com gosto itens antes não apreciados. Também acho bem bacana quando leio por aí que os pais passaram a comer alimentos mais saudáveis, mais frutas/legumes/verduras, depois que os filhos nasceram. Eu já comia tudo isso, sempre foi natural lá em casa. Acho que tais alimentos devem ser incentivados à mesa desde sempre, para criar hábitos saudáveis nas crianças. Não adianta proporcionar um padrão alimentar cheio de guloseimas e lanches e depois querer que o filhote coma quiabo.

A maior mudança e o maior aprendizado no quesito alimentação que a maternidade me trouxe foi... aprender a cozinhar. Até engravidar, eu fazia o básico do básico na cozinha: arroz, macarrão, um bifinho, purê de batatas e outras comidinhas fáceis. Meu feijão não dava certo, sem-pre ficava aguado. Carnes de qualquer tipo, misturas e invenções... necas. Eu só acertava nos doces (rá!). Nunca fui muito fã de cozinhar. Quando morava com meus pais, minha mãe ou a empregada cozinhavam. E quando casei, tínhamos as seguintes opções: comer o arroz-sem-feijão (o que marido detestava, já que é fã da leguminosa), comer lanche, pedir comida ou filar bóia na casa de alguém (mãe, sogra, avó).

Aí Bento nasceu e um belo dia chegou à fase das papinhas. As primeiras foram fáceis, só com legumes, tranquilo! Aí vamos inserir caldo de alguma carne. Dicas básicas recebidas da minha mãe, pronto, mais uma etapa vencida. E chegamos às papinhas mais consistentes, ao cardápio mais variado e à fase "pode comer a comida de vocês, só picada em pedacinhos menores". Ai caramba.

Lá fui eu para a cozinha. Fui aprimorando o feijão (agora fica uma beleza, viva!), arriscando uma carninha aqui, um temperinho ali. Nem sempre dava certo, mas nunca fiz nada ficar intragável. Hoje já arrisco inventar receitas e reaproveitar sobras para virar um prato novo. Não virei nenhuma chef, nem gosto da ideia de encostar a barriga no fogão todo dia. Mas não tenho mais rejeição a cozinhar.

E essa foi a terceira lição que aprendi com o filhote: alimentação saudável começa desde pequeno, com incentivo e hábitos familiares. E cozinhar não é um bicho de sete cabeças... ainda mais se for para quem a gente ama.

9 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Prioridades

Continuando a série Das Coisas que Aprendi com Meu Filho, a segunda lição foi a das prioridades.

Antes de Bento nascer, tudo o que eu fazia ou pretendia fazer era decidido considerando alguns fatores: minha própria vontade, as possibilidades reais, influências externas (como condições normais de temperatura e pressão... ou não), influência de terceiros (pais, marido, amigos, dependendo do caso). Ou seja, na minha infância, meus pais tomavam por mim as decisões mais importantes. Na adolescência comecei a descobrir onde colocar meu próprio nariz. E, na fase adulta, tomei minhas decisões considerando as variáveis acima, mas quase sempre pensando mais em mim e em meus objetivos.

Daí veio Bento. E, já no nascimento, ele decidiu o dia e hora de nascimento, não eu. Ele decidiu estourar a bolsa em pleno domingo à noite - nada de horário comercial, viu seu médico? E ele decidiu ficar transverso, contrariando minha expectativa de parto normal.

E, daí para frente, praticamente todas as decisões importantes que tomei consideraram o bem-estar do pequeno. Decidi insistir na amamentação por acreditar ser o melhor para ele. Decidi cortar da minha alimentação tudo que me diziam que dava cólicas: de leite e derivados a refrigerante, feijão e até alface. Decidi trocar de pediatra por não aceitar que ele chorasse tanto e achar que havia algo esquisito (e tinha mesmo, refluxo). Questão de prioridade: quando filho nasce, fica em primeiro lugar sempre.

E não apenas as grandes decisões são feitas pensando no melhor para o filho, mas as pequenas atitudes também. Não fiz grandes passeios, nem mesmo fui a shopping e a casa de amigos, enquanto ele não tivesse tomado a maior parte das vacinas. Quando saímos, sempre respeitei seus horários de comer e de soneca. No caso de aniversários e eventos noturnos, poucos foram os que comparecemos com o pequeno a tiracolo. E, mesmo assim, levei toda a estrutura para que ele ficasse confortável (do carrinho ao leite/papinha dele), e sempre voltei cedo para casa.

Da mesma forma, sigo sua rotininha até hoje. É claro que esta se torna mais flexível conforme ele cresce, mas sempre sigo um esquema para café-da-manhã/almoço/soneca/jantar. Os passeios seguem o horário em que ele vá aproveitar mais, sempre tento que ele tire uma soneca após o almoço para descansar e que durma cedo.

Não importa se essa mudança de prioridades significa passeios mais curtos, prolongar a rotina de dormir até que se acalme (lendo E contando histórias e mais histórias, por ex.), esquecer quando fico doente/cansada/com dor de cabeça/afins, relevar problemas. A minha prioridade é ele e, se precisar abrir mão de qualquer coisa em benefício a ele, não hesito. Mesmo que isso signifique deixar de fazer alguma coisa, mesmo que signifique engolir sapos.

Lembrando que filho não é sacrifício. Não é nos deixar de lado e esquecer quem somos. Não é exclusão. Filho nos faz valorizar o que é mais importante, nos faz rever alguns conceitos e firmar outros. Filho bagunça o coreto no começo, mas organiza e afina toda a orquestra de forma mais harmônica. A vida simplesmente muda de foco, sendo direcionada a ele. Priorizando o realmente importante, sempre.

6 de agosto de 2011

Banana com falól

Uma pausa na série de Coisas que Aprendi com Bento para contar uma fofurice.

Uma das frutas preferidas dele sempre foi banana. Foi a primeira fruta que comeu e que reinou absoluta na preferência dele por bastante tempo. Em certas épocas chegou a perder o primeiro posto para a maçã e o mamão, mas nunca deixou o top five frutífero do pequeno.

Daí que outro dia ele me pede de sobremesa, após o jantar:
"mãe, qué banana com falól"
Cuma?
"banana com falól mãe, falól!"
A única coisa que consegui associar a falól foi farofa.
"Farofa filho?"
"É, falófa"

Pois é, Bento também é fã de farofa. Nem sempre temos em casa, mas toda vez que vê, quer comer. Com arroz-feijão, na carne, pura... Mas achei banana com farofa uma combinação meio esquisita para sobremesa. Aí tive uma ideia: farinha de aveia. Piquei uma banana, joguei a aveia por cima e...
"Eeeee, banana com falófa! Qué mãe!"

E lá se foram duas bananas e meia! Suuucesso! Agora ele quer comer banana com farofa todo dia, sempre mais de uma. E toda semana preciso comprar 2 cachos de banana para meu macaquinho!

5 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: A Paciência

Uma das primeiras lições que aprendi com Bento foi a desenvolver a paciência.

Nunca fui uma pessoa muito paciente. Não gostava de esperar, tomava decisões rapidamente e até de forma impulsiva (e muitas vezes me arrependia depois). Também às vezes não penso antes de falar, e quando vejo já falei, o que me rende desde alguém ficar magoado até momentos constrangedores, como dar pito no próprio chefe.

Mas quando nasce um bebezinho, a coisa muda de figura. Queremos que ele mame/durma/pare de chorar, mas ele não faz nada disso quando a gente quer. Achamos que vamos ficar doidas, mas conforme os primeiros perrengues aparecem, aprendemos a repetir o mantra "ommmm, vai passar, vai passar" e começamos a desenvolver a paciência.

As coisas não são mais feitas no nosso tempo, ou no tempo que gostaríamos. São feitas no tempo dele. É ele quem vai decidir por quanto tempo mamar, e a que horas vai acordar de madrugada se tiver fome. É o tempo dele que vai nos mostrar se já está apto a comer papinhas e beber suco. É no tempo dele que vai aprender a sentar, engatinhar, andar e falar.

Também é no tempo dele que vai passar de uma fase para outra. Não adianta forçar desfralde se a criança não está pronta (a não ser que a gente queira ter trabalho dobrado depois). Não adianta forçar a dormir sozinho simplesmente por não querermos mais levantar de madrugada para atender aos chamados do pequeno. Há que se ter paciência, paciência e paciência, para esperar o natural desenvolvimento.

E há ainda as fases de contestações, birras, perguntas infinitas. Bento está na fase de contestar tudo pura e simplesmente por contestar. "Olha mãe, o carro azul" (apontando um carro verde, e ele já sabe todas as cores). "Não filho, esse carro é verde". "É azul mãe". "É verde filho"... e segue-se um diálogo verde-azul-verde-azul até ver quem desiste primeiro. O mesmo vale para qualquer coisa:
- É hora do banho! Não quero/vamos/não vou/vamos/não vou/então vou sozinha/eu tamém mãe!
- Qué suco mãe (mãe mostra as opções, laranja e caju)/esse mãe (escolhe caju, mãe só pega o suco e...) nããão, esse não, o de lalanza! (mãe devolve o de caju e pega o de laranja)/nããão, lalanza não!
E assim sucessivamente, ao infinito e além.

E essa foi a primeira grande lição que o filhote me ensinou. Ainda tenho vários momentos de impetuosidade, principalmente se estou muito cansada. Mas estou sendo boa aluna e, todos os dias, faço minha lição de casa da paciência.

4 de agosto de 2011

Das coisas que fazemos por um filho

A primeira coisa que fazemos por um filho é lidar com a mudança em nosso corpo. Engordamos, surgem estrias, inchamos. Ganhamos o andar de pata e a mão na cintura, apoiando a lombar. Perdemos o equilíbrio, perdemos roupas e sapatos.

Daí vem o nascimento e aqui as mudanças variam. Algumas ganham cortes (na barriga, no períneo), outras passam ilesas fisicamente. Os peitos doem, perdemos cabelos,a forma demora a voltar.

Deixamos de dormir como antes, ganhamos um cansaço eterno. Sentimos dores, ficamos confusas e com medo. Não podemos mais ficar doentes e, se ficamos, não podemos passar o dia na cama descansando. Às vezes estamos derrubadas, sem forças, com dor - não importa, aquele pinguinho de gente continua ali, esperando o jantar, querendo brincar, querendo que a gente leia uma história.

Aos poucos, voltamos a nos reencontrar. Voltamos a dormir um pouco melhor, retomamos parte da vida social, voltamos a trabalhar (ou não), recuperamos nossa vaidade, nosso corpo. E tudo o que passamos e fizemos passa a ser fichinha diante da transformação que sofremos. Nunca mais veremos o mundo da mesma forma, nunca mais seremos tão desprendidas, nunca mais pensaremos apenas em nós mesmas. Deixamos de ser quem um dia fomos.

Mas, entre todo o cansaço, toda a turbulência da chegada de um filho, entre todas as coisas que uma mãe pode fazer e aquilo que efetivamente fiz por Bento... nada se compara ao que ele fez e faz por mim. Todos os dias ele me ensina algo novo, ou reforça algo que já me ensinou. Com seu jeitinho, com suas necessidades, com seu carinho, com suas demandas. E é por isso que resolvi fazer uma série de posts, que publicarei aos poucos, em breve: a série Das coisas que aprendi com meu filho. Porque um post só é muito pouco para descrever tudo o que ele me ensinou.

continua...

2 de agosto de 2011

Noites compartilhadas

Tenho lido em vários blogs por aí que a criançada parece que fez um complô e tem acordado durante a noite, chamando um dos pais ou pedindo para dormir com eles. Pois aqui em casa Bento também temos tido noites atípicas, que só não ficam agitadas porque sou adepta da cama compartilhada.

contei um tempo atrás como antes de ter Bento eu achava esquisito filho dormir na cama dos pais. Porém, como depois que filho nasce começam as nossas pagações de língua e cuspidas para cima para cair na testa, a cama compartilhada foi a minha. Comecei a sucumbir ao cansaço do deita-levanta-deita-levanta-ad infinitum até que levei Bento para minha cama pela primeira vez. Ele começou a dormir melhor, acordar cada vez menos durante a noite. Então deixei que ele dormisse comigo sempre que quisesse - o que significava noites esporádicas.

Depois que mudamos de casa, Bento rapidamente se adaptou ao quartinho novo, mas eu sempre tinha que deitar com ele na hora de dormir, até que pegasse no sono. Mas, com a nossa mudança de rotina na casa nova, passamos menos tempo juntos durante a semana. E percebi que não sou apenas eu que sinto falta de ficar com o pequenino. Ele também sente. Antes nós chegávamos em casa e tínhamos tempo de brincar, ir à quadra jogar bola, ir ao mercadinho, e só depois eu fazia o jantar, dava banho e íamos dormir. Agora, chegamos em casa mais tarde e preciso fazer as rotinas diárias da casa (colocar roupa para lavar, tirar o lixo, fazer jantar, lavar louça, preparar a mochila do Bento para o dia seguinte) além de cuidar dele (dar o jantar, dar banho, colocar para dormir), tudo em pouco mais de 2 horas. Para a casa, faço o mínimo necessário mesmo. Deixo a limpeza pesada para a faxineira, procuro evitar ao máximo ocupações extra para poder ficar com ele. Mesmo assim, é corrido e acaba sendo pouco tempo para ficarmos juntos.

Por isso, faço questão de ver um desenho com ele, ler um livrinho, contar uma história antes de dormir. E por isso, também, não o impeço de dormir comigo. Ele sente falta, quer proximidade, quer presença, então assim seja. E pede mesmo, quer que eu segure sua mãozinha e não solta até pegar no sono profundo.

Sei que muita gente não aprova, que acha melhor cada um em seu quarto, em sua cama. Sei também que não é uma situação duradoura, ele nem vai querer dormir comigo por tanto tempo. Mas é assim que tem funcionado por aqui. É assim que todos temos dormido melhor. Por isso... aproveito enquanto posso!

1 de agosto de 2011

No lózico

Nesse final de semana recebemos a visita do primo e dos tios do Bento. Havíamos combinado de ir ao zoológico e, apesar de ter feito um tempo chato, com chuva fina e frio, não desistimos da ideia. E foi uma diversão só para os pequenos.

 Entrando no zoo de mãos dadas
 vendo o lifante
 e o tígue
 primos dividindo o lanche
 e fazendo pose para a foto

É incrível como os dois primos se adoram. Miguel é o ídolo do Bento, tudo o que o primo faz, quer fazer. E ainda diz "eu tamém!" Pediu até para fazer xixi no vaso "igual o miguel", olhem que maravilha! (pena que acabou não fazendo, mas pula essa parte, o importante foi a intenção!) Quis tomar banho junto com o primo, tomaram leite assistindo desenho e deitados praticamente grudados. Custaram a dormir, de tanta agitação.

E no domingo ainda jogaram bola, passearam na feira, brincaram e brincaram. Triste foi a despedida, Bento queria ir junto no carro do primo. Quando acordou do cochilo da tarde, abriu os olhos já perguntando "cadê o tio, mãe?"
os dois espiando algum bicho no zoo

E foi assim nosso último final de semana de férias, com visita do primo e passeio no "lózico", onde Bento já pediu para ir de novo. Na verdade, para ele qualquer passeio será divertido, até mesmo ficar em casa... se o primo estiver junto.
 
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