Recentemente levei Bento a um aniversário de um amiguinho da escola. O amiguinho estava completando 2 anos e a maioria das crianças presentes era dessa idade, com apenas algumas um pouco maiores e dois bebês. Entre os convidados, conhecíamos apenas outros três amiguinhos também da escola, além do aniversariante.
É em festas de aniversário que temos uma boa ideia de como as crianças estão sendo educadas (ou não) por aí. A maioria das crianças brincou direitinho, sem grandes atritos entre elas. Vez ou outra acontecia de uma querer passar na frente da fila para o escorregador (e Bento foi um que furou a fila, eu vi mas nem deu tempo de segurar, quando percebi ele já tinha passado na frente de outras crianças e estava lá no alto. Isso não me impediu de chamar sua atenção e ensinar a regra da fila).
Mas também aconteceram algumas desavenças. Normal, principalmente entre crianças que não se conhecem. As que envolveram o Bento também envolveram sempre o mesmo amiguinho, um da escola. Ambos já "velhos conhecidos" (no alto dos dois anos de cada um), logo que se viram correram para brincar. Na primeira vez que brincaram no pula-pula, estavam receosos para entrar e só foram porque se deram as mãos. Mas tanto amor assim também pode dar choque.
Estavam os dois na piscina de bolinhas, junto a três outras crianças. Os dois brincavam juntos, pulavam, jogavam as bolinhas para cima. Em uma fração de segundos um deles (juro que não vi quem) implicou com o outro (juro que não vi por quê). Seguiu-se uma sessão básica de empurra-empurra, até que o amigo puxou com força o cabelo do Bento. Filhote chorou alto e me procurou na hora. Não revidou, e rapidamente o tirei do brinquedo, acalmando o pequeno.
Em uma segunda situação, estavam os dois dançando em frente ao telão, que exibia uma variedade de clipes que ia de Patati Patatá a Palavra Cantada, passando por Backyardigans e Xuxa. De novo, em determinado momento um empurrou o outro, até que o amigo bateu no braço do Bento. Que, outra vez, não revidou e veio chorando para perto de mim.
Reparei que, quando os atritos foram leves, ficando nos pequenos empurrões, Bento revidou e empurrou de volta. Não foi ensinado a fazer isso, simplesmente reagiu. Já quando a coisa ficou feia e ele realmente sentiu que machucou, ele chorou e veio me procurar. E disse, entre lágrimas "fulano bateu no baço, mãe".
Então percebi que as crianças podem não apenas ter comportamentos inadequados, mas ensinar isso às outras. Bento sempre foi carinhoso, gosta de abraçar e beijar. Mas, de uns tempos para cá, começou a bater quando contrariado. Não todas as vezes, mas acontece.
Por mais que ele e o amigo se dêem bem, brinquem e interajam, há crianças que reagem a uma contrariedade com agressividade. O menino era uma graça, simpático, dividiu até seu lanche com o Bento. Mas tinha esses pequenos ataques.
Eu sempre acompanho Bento nas brincadeiras das festinhas. Fico por perto, vendo se está tudo bem. Só interfiro em casos como esse. No caso do puxão de cabelo lá na piscina de bolinhas, quem estava acompanhando o pequeno hooligan era o pai, que prontamente repreendeu o filho. Ponto para ele. Mas em outra situação, o menininho estava puxando uma toalha (o que faria com que tudo em cima da mesa caísse em cima dele) e vi a mãe repreendê-lo de longe, sem levantar da cadeira, dizendo "fulano, olha aqui, quer que eu pegue o chinelo?" enquanto mostrava o sapato. Sim, no meio da festa. E ainda completou: "com ele é assim, só assim ele entende".
Pensei com meus botões: se o garotinho está sendo repreendido com ameaça de apanhar, mesmo que não apanhe vai achar que é dessa forma que as coisas funcionam. Se não pode fazer alguma coisa, a bronca vem por ameaças. E aí ele bate, puxa cabelo, empurra.
É complicado que nossos filhos convivam com crianças assim. A gente tenta ensinar, tenta conversar, explicar que está errado sem recorrer à violência. Às vezes sai um grito, outras vezes recorremos ao castigo. Nem sempre conseguimos manter a calma. Mas aí o filhote vai encontrar em seu caminho crianças que receberam ensinamentos diferentes. E, nesse caso, vai conviver diariamente, já que frequentam não apenas a mesma escola, mas são da mesma turma.
Ressalto de novo que o amiguinho não é sempre agressivo. Como relatei, ele e Bento brincaram muito, aliás a maior parte da festa estavam sempre juntos. Dançaram, pularam, dividiram lanche. Mas houve esses momentos, e é neles que os pequenos aprendem a lidar com frustrações. Como vou dizer a Bento para não bater, se o amigo bate? E como ensinar a ele a não revidar - apesar que, do jeitinho dele, já aprendeu que até é possível revidar um empurrão, mas não uma agressão que realmente machuca. Se a coisa aperta, recorre aos pais. Como é difícil ensinar um filho em meio a educações divergentes.
Por fim, mais uma observação, dessa vez quanto à organização da festa e não aos convidados: não havia nada para beber além de refrigerante e cerveja. Nenhuma opção de suco. Quando pedi água, demorou quase meia hora para o garçom trazer (será que foram comprar às pressas?). Bento não toma refrigerante nenhum, simplesmente não gosta. E como nas últimas festinhas que fomos havia suco e/ou água, nem me lembrei de levar dessa vez. Fora que, para comer, a maior parte do cardápio era composta por salgadinhos fritos. Lembrando que era uma festa para crianças na faixa de 2-3 anos. Ficadica para quem estiver organizando festinhas: lembrem de oferecer opções mais saudáveis aos convidados.
Há uma hora







