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Ananda propôs uma blogagem coletiva sobre amamentação e me convidou a participar. A proposta é discutir as delícias e as dificuldades de amamentar, compartilhando nossas experiências. Tema importantíssimo, topei, claro, vamos lá!
selinho da blogagem, criado por Joana Heck
Eu comecei a me preparar para amamentar ainda na gravidez. Tomava pequenas medidas, como passar bucha vegetal nos mamilos durante o banho fazendo círculos para ajudar a formar o bico, e tomar um pouco de sol nos seios. (atualmente parece que não se recomenda mais esfregar a bucha vegetal nos seios, não tenho certeza... mas foi assim que fui orientada a fazer na época.) E lia tudo que encontrava a respeito, em revistas, sites, matérias em geral.
Ao tomar esses cuidados eu pensava estar ajudando meu corpo a se preparar para o que estava por vir. Em nenhum momento pensei que poderia encontrar grandes dificuldades. Lia sobre empedramento, dores, mastite, mas sempre, sempre, vi a amamentação como algo tão natural que, na minha cabeça, os problemas eram minimizados. Se acontecessem, encontraria uma forma de resolvê-los e pronto.
Aí Bento nasceu. De 36 semanas. De cesárea.
A cesárea dificulta de certa forma a amamentação nos primeiros dias. Como o corpo não libera os hormônios naturais do parto, o leite demora um pouco mais a descer. Claro que há casos de mães que fizeram cesárea e amamentaram tranquilamente, até na sala de parto. Mas esse atraso na descida é o mais comum de ocorrer.
Meu parto foi completamente inesperado. Não senti nada de nada até a bolsa estourar - e levei um susto enorme, porque não esperava antes das 38 semanas pelo menos. Além disso, Bento estava transverso, e eu achava que ele ainda podia virar, para que eu tentasse o parto normal. Como não virou, foi cesárea.
Por isso, meu leite demorou um pouco a descer. Na primeira vez que coloquei o pequeno para mamar, ainda no hospital, encaixei ele direitinho, mas ele sugava e não saía nada. Aos poucos fomos tentando, tentando, até que ele mamou. Mas tive sorte em não ter muitas dificuldades para amamentar, como hoje sei que existem.
Nas primeiras semanas senti dores. Lembro de dizer para minha cunhada que parecia que estavam enfiando agulhas no bico do seio. Doía muito, dos dois lados. Não sei se pela demora em descer o leite, se por eu estar colocando o pequeno da forma errada, por ainda estar aprendendo a coisa toda. Mas levou uns dias até que eu conseguisse amamentar sem sentir dor.
Depois que esse incômodo inicial passou... que delícia! Que gostoso aconchegar o pequeno nos braços. Que conforto colocá-lo para mamar logo que pedia. Que satisfação ver sua carinha feliz e satisfeita.
Não pratiquei a livre demanda, mas amamentei em horários mais regulares: primeiro a cada 3 horas (aproximadamente), depois em intervalos menores pois, por causa do refluxo, ele precisava mamar menos quantidade e mais vezes. Mas não pratiquei a livre demanda simplesmente porque não a conhecia. Nunca tinha ouvido falar nela até conhecer a blogosfera.
Amamentei o pequeno até os 8 meses. Enfrentamos refluxo, que o fazia regurgitar jatos e jatos de leite e depois chorar de azia. Encaramos mudança de cidade, de casa, entrada na escolinha. Eu saía do trabalho duas vezes por dia para amamentá-lo na escola (que fica em frente ao meu trabalho, facilidade imensa).
O desmame foi acontecendo aos poucos. Com a mudança de cidade e minha volta ao trabalho, minha alimentação mudou. O leite foi rareando. Era horrível vê-lo tentar mamar e não sair nada. Enquanto ainda podia, eu amamentava. Até que acabou.
Sinto saudades daquela época. São momentos especiais, únicos entre mãe e filho. É incrível ver o rostinho tranquilo, feliz por estar recebendo alimento. É uma delícia aninhá-lo, poder atendê-lo a qualquer hora e em qualquer lugar.
Dá sim para buscar orientação. Nas dúvidas simples, o médico, amigas que já são mães, nossas mães... podem sugerir dicas importantes. Já para quem encontra dificuldades maiores, sugiro buscar o banco de leite da cidade. Há também médicos/enfermeiras especialistas em amamentação. O importante é não desistir, é aprender a pega, aprender tudo que se pode para que essa fase seja vivida.
Amamentar é mais que alimentar. É dar amor, segurança, afeto, aconchego, vínculo. Tudo isso pode ser feito de várias outras formas entre mãe e filho, mas a troca de calor, de cheiros, toda a experiência... é única. E dá saudade.