Por um contratempo com o carro, não consegui comprar o peniquinho para a estreia do Bento no desfralde. Já tinha então desistido de começar o desfralde por agora, deixando para o próximo final de semana, quando Bento voltou a dar mais sinais de interesse pelo assunto.
Contei
aqui que Bento me avisou que ia fazer cocô quando voltávamos da escola e que depois, já em casa, quis sentar no vaso sanitário. Apesar de ter ficado com medo do vaso, nesse fim de semana ele me pediu mais outras duas vezes para se sentar lá. Disse "
cocô mãe", apontando o vaso. Perguntei: "
você quer fazer cocô? Quer tirar a fraldinha e sentar aqui?" E ele: "
qué". Sentei, segurei o pequeno, mas o medo se repetiu. E ele fez cocô logo depois, na fralda.
Bento ganhou da vovó o livro "
O que tem dentro da sua fralda?", da editora Brinque Book, e adora, chamando-o de "livro do cocô". Nesse livro, um ratinho analisa o cocô de vários outros animais, espiando dentro das fraldas. Mas quando é a sua vez de abrir a fralda, ela está vazia, porque o rato faz cocô no penico. E aí todos os animais vão para o penico também. Esse livro ajudou a introduzir o assunto "fralda sem cocô" e "cocô no penico/vaso" lá em casa. E eu disse ao Bento que compraríamos um peniquinho pra ele também.
No sábado fomos à livraria e compramos outro livro:
Hora do Penico, da editora Salamandra. Tem para meninos e meninas. Na capa tem uma imitação de assento sanitário, e dentro do livro há varios meninos e bichinhos usando o penico. O livro traz ainda ilustrações e palavras que remetem ao assunto, como "fralda", "papel higiênico", "xixi" e "cueca". Na última página há uma cartela de adesivos, para colarmos a cada xixi/cocô feito no penico como motivação.
Daí que ontem, durante a tarde, depois de voltar da piscina, Bento estava só de sunga pela casa e me disse "
mãe, feizi cocô". Perguntei se tinha feito mesmo, olhei na sunguinha, mas estava limpa. E ele começou a soltar puns. Perguntei: "
você quer fazer cocô Bento?" e ele: "
qué, piico". Putz, e agora? Já tinha perdido três oportunidades de deixá-lo fazer cocô por medo do vaso, não queria perder mais essa chance. Então arrumei um penico improvisado: uma bacia pequena.
Quando Bento viu a bacia, imediatamente disse: "
piico!". E eu nem tinha dito nada ainda. Pois bem, vamos usar a bacia de penico e ver o que acontece. E o que aconteceu foi:
Ele adorou! Ficou sentado por quase 10 minutos no penico estepe, lendo o "livro do cocô". Detalhe para as pernas cruzadas na primeira foto... concentradíssimo! Obviamente não fez nada, nem xixi. Mas por duas vezes disse "
feizi mãe", saiu da bacia, viu que não fez nada e quis sentar de novo. Ele quis, não forcei nada. Disse que se ele não quisesse fazer naquele momento, podia sair e voltar depois, sem problemas. Mas ele quis ficar sentado lá e até fez forcinha!
Assim demos mais um passinho rumo ao desfralde. E hoje compro um penico de verdade, sem falta.
Resumo do desfralde até agora:
- Ccomeçamos a falar no assunto bem antes de iniciar o desfralde propriamente dito, por meio da
despedida do cocô e de livrinhos, que considero essenciais para despertar o interesse da criança. Os usados até agora foram os dois já mencionados acima, mas recomendo também o "
Cocô no trono", da editora Cia das Letrinhas.
- Esperei Bento dar vários sinais de que estava interessado, para só então fazermos uma primeira tentativa. Mais sobre os sinais do desfralde
aqui e
aqui.
- Cada criança tem seu tempo. Umas desfraldam antes de 2 anos, outras entre 2 e 2 e meio, outras mais pra frente. Não há regra. Eu achava que só iniciaria o desfralde após Bento fazer 2 anos, assim como achava que ele só iria mudar
do berço para a caminha também depois dos 2 anos. O importante é observar os sinais de amadurecimento e desenvolvimento da criança.
- Estou disposta a parar se não der certo, fazer uma pausa e recomeçar mais pra frente. Não concordo com o método "tirou a fralda, não coloca mais". Tudo depende da resposta da criança ao processo.
- Próximo passo: presenteá-lo com um penico de verdade e levá-lo para sentar nele um pouquinho nos horários em que costuma fazer cocô, todos os dias.
E vamos que vamos!