Meu pequenino,
Às vezes me dá vontade de pegar você no colo, abraçar bastante, bastante, bastante, até você encolher e ficar bem pequenininho. Aí eu pegaria você e colocaria de volta lá dentro da minha barriga. E deixaria lá, quietinho, quentinho, aninhado e protegido.
Protegido de qualquer doença. De resfriado, de dor de garganta, de dor de barriga. Protegido de quedas, de machucados, de quebrar algum osso ou de um corte tão feio que virasse cicatriz.
Protegido de gente ruim. De gente que faz mal às outras pessoas, de gente egoísta, de gente prepotente. De gente doida. De gente falsa, de gente que mente. De gente que não gosta de crianças.
Protegido de quem lhe fizer chorar. Protegido de quem não lhe der carinho. Protegido de quem não lhe dedicar um momento de atenção, de afago, de cuidado. Protegido de quem não quiser lhe ouvir.
Mas eu sei que não posso fazer isso. Sei que todos esses obstáculos farão você crescer. Cada queda, cada machucado, cada cicatriz. Cada choro, cada frustração, cada medo. Tudo isso vai te fortalecer, eu sei. Mas vai te endurecer também. Vai levar embora sua inocência, sua pureza. E vai doer. No corpo, quando for algo físico, no coração, quando for algo mais. Vai doer. Em você, e mil vezes mais em mim.
Por isso, às vezes eu tenho sim vontade de colocá-lo de volta na minha barriga. Porque, quando você morava lá dentro, eu conseguia protegê-lo o tempo todo.
Há uma hora


