15 de agosto de 2011

Série Das Coisas que Aprendi Com Meu Filho: Pré-Julgamentos

Continuando a série de coisas que aprendi com meu filho, vou falar agora da lição que toda mãe, um dia, aprende: não cuspir para cima para não cair na testa.

- meu filho não vai dormir na minha cama. Desde sempre vou acostumá-lo ao berço, depois à caminha, sempre no quarto dele. Vir para minha cama, jamais
- meu filho não vai fazer birra. Que horror essas crianças que sapateiam, se jogam no chão, cospem e batem
- meu filho não vai usar chupeta depois dos 2 anos. É super fácil tirar o costume, é só sumir com a chupeta e pronto

A primeira teoria a cair foi a primeira, a de que ele não dormiria comigo. Eu simplesmente nem considerava essa hipótese. Algumas vezes, quando Bento era bebezico e acordava de madrugada para mamar, o pai às vezes falava "traz ele aqui, deixa ele dormir com a gente", para amenizar o deita-levanta-deita-levanta. Eu raramente deixava, para não dizer nunca. Até que fui cansando, ficando cada vez mais estressada com o sono picado. Fora que havia o refluxo, Bento algumas vezes acordou engasgando... Então eu o colocava para dormir no carrinho, com o encosto levantado para ficar mais inclinado, e ao lado da minha cama. E assim ficamos por vários meses. Quando ele passou para o berço, eu o fazia dormir na caminha de solteiro que havia em seu quarto. E às vezes dormia junto com ele. Aos poucos, a teoria do "nunca vai dormir comigo" caiu por terra. Ora a noite era atribulada por nascimento de dentes, ora por um pesadelo, ora por um resfriado... Hoje não faço restrições e adotei a cama compartilhada de vez. Claro que há famílias nas quais o esquema "cada um no seu quadrado" funciona muito bem desde sempre. Já para outras, demora mais, e aqui em casa tem sido assim. Quem quiser ler mais sobre minha experiência com cama compartilhada, clica aqui!

A segunda teoria, a da birra, foi para o espaço quando Bento começou a entrar nos chamados terrible twos, quando ele começou a entender que existe a possibilidade de se contestar alguma coisa, negar um pedido. E que nem tudo acontece como ele quer. Veio uma birrinha aqui, outra ali... Hoje até de castigo ele já ficou, por ter jogado os brinquedos no chão. No geral, ele é bonzinho e obediente, mas se está cansado ou se não dou atenção a ele, há mais probabilidade de as birras acontecerem. Nunca deu pitis em lugares públicos, mas em casa... ele se sente em casa. É bem difícil manter a calma, explicar mil vezes, mostrar que está errado. Mas é necessário e essencial para ele aprender a lidar com suas frustrações. Quem quiser ler mais sobre minha experiência com as birras até hoje, clica aqui!

Por fim, a chupeta. Nunca fui contra chupeta, nunca vi grandes problemas em permiti-la. Ela foi adotada de vez durante o chororô do refluxo, pois ajudava muito a acalmá-lo. Bento nunca foi de usá-la o dia todo, nem em passeios, só quando a coisa apertava mesmo (dodóis, cansaço) e para dormir (contei um pouco da nossa experiência nesse post). Aí a chupeta foi ficando, ficando... e ainda não se foi. O pediatra e a dentista já recomendaram a retirada, deram dicas, inventei a fada da chupeta... Mas ainda não consegui tirá-la de vez, e lá se vão 2 anos e 3 meses. Vou trabalhando a ideia de abandonar a peta aos poucos e pretendo sumir com ela até o fim do ano. Nem que eu tenha que apelar para o Papai Noel.

E essa foi mais uma lição da maternidade: não pré-julgar, não cuspir para cima. Em algum momento, a cusparada vem para a testa. Cada criança é única, tem seu ritmo de desenvolvimento. Cada família tem sua dinâmica e sua forma de lidar com as novidades e perrengues. E eventos externos também influenciam... de doencinhas a mudanças de casa. Agora já não acho que algo não vai acontecer com a gente.... até porque, lidamos com uma pessoinha, com vontades, personalidade. Que não vem com manual de instruções.

12 comentários:

Celi disse...

Sarah,
Tem toda razão. Só vivendo a situação e tendo um filho para saber realmente como tudo acontece.
Também lembro de observar muitas famílias e de julgar, dizendo um tanto de coisas que não faria com meus filhos. Mas depois a realidade é totalmente outra. Com certeza, a gente faz o que acha melhor para nosso filho, para nossa família.
Hoje quando olho uma cena procuro não julgar, apenas dizer que faria diferente, atuaria de uma outra forma.
Um beijo.

Carol Garcia disse...

kkkkk
pois é sarah...
ontem mesmo estava conversando com a minha cunhada, que depois de 16 anos da filha mais velha, agora embala um bebezico recém parido.
falamos sobre como mãe é bicho que aprende a vida inteira. por isso tem que ter vontade, olhos atentos e ouvidos de perdigueiro.
e o engraçado é que essas chuvas de cuspe são, sem dúvida, nossa mais frenquente forma de aprendizado.
kkk
estou adorando essa série!
bjo bjo

Paloma, a mãe disse...

Sarh, digo o mesmo em relação à cama compartilhada, eu achava totalmente improvável que a gente adotasse um dia. Com a Ciça, consegui, mas veio a Clarice para provar que eu estava errada. E foi aí que eu comecei a ler Carlos González, por quem me apaixonei perdidamente. Confesso que só não tinha lido antes por causa da posição dele, favorável à CC, acredita? E dá-lhe cuspe na testa!
Beijos

liasergia disse...

É por isso que eu sempre evitei o "nunca" e sempre adotei o "não pretendo". hehehe

Mas, por enquanto, tá tudo dando certo. No lugar de cama compartilhada, adotei o "quarto compartilhado". Berço do lado da cama. Sossego eu, sossegam elas.

Foi assim com Luisa, e naturalmente ela foi aceitando quando passou a dormir sozinha em outro quarto. Foi sem traumas. E com Maria a transição vai acontecer mais cedo pela vinda de Sofia, mas creio que não teremos muito trauma, porque ela vai dividir quarto com a irmã - e isso eu acho que minimiza. Veremos! hehehe

Birra? Bom, eu confesso que tenho um limite de tolerância a birra muito baixo, mas uma paciência infinita na hora de mostrar quem manda. Uma vez, com Maria, eu coloquei ela sentada "de castigo" por derramar água no chão. Ela tem 1 ano. Ela levantava e reclamava, e eu colocava de novo. Todas as vezes explicando de novo porque ela ia ficar lá. Te juro que parei de contar quantas vezes ela tentou sair quando cheguei na 15ª vez. Mas não desisti e aí foi ela quem cansou. Ficou sentada e me olhava chamando, com cara de "posso sair". Depois dos 3 minutos inteiros sentada, eu tirei ela e disse pra ir brincar, mas não podia mais derramar água. Pelo resto do dia ela não derramou. hahahaha
Mas ela é muito novinha, então os episódios se repetem ainda, até que uma hora ela vai acabar parando. É... sou paciente mais do que eu achei que seria... Oremos! hahahaha

Chupeta eu não dei pra nenhuma das duas, mas não afirmo que nunca vou dar pra Sofia. Eu não quero, mas quem me garante que vou conseguir? Alguns bebes tem uma necessidade de sucção maior. E se ela começar a chupar dedo, eu vou fazer de tudo pra trocar pela chupeta sim... Menos prejudicial que o dedo e menos complicado de tirar.

Quanto a apelar pro Papai Noel. Ó... minha mãe fez comigo e deu certo! hahahaha Eu só larguei a chupeta assim!


Boa sorte por aí e bjo!!

Dani disse...

Sarah, tb tive a fase de ter todas as minhas certezas. E assim coo acontece como a grande maioria de nós, tb levei uma saraivada de cuspidas na testa.

E assim a gente vai aprendendo. O melhor de tudo é se assumir falível pra não sofrer de culpa.

Tô adorando a série.

Beijo

Nine disse...

Oi Sarah! Estou adorando a série! Não consegui comentar todos, mas assino fácil embaixo de deles! Esse último então, do não cuspir para cima, há, essa é das lições mais aprendidas desde sempre!

E ainda bem, né?

Beijos,
Nine

Nave Mamãe disse...

Sarah,
Eu nado em cuspe! Se houvesse uma categoria olímpica de natação 300m livres na saliva eu seria a campeã!
Beijos

Renata disse...

Pois é...acho que essa é uma lição que todos os pais acabam aprendendo em algum momento da vida, não tem jeito...
Principalmente a parte das birras....sempre achei horroroso e tinha certeza que comigo não aconteceria nunca...hahha. Só rindo, né?
beijos

Pati disse...

oi Sarah, obrigada pelo comentário no meu post lá no MMqD!
Menina, eu acho que eu já tinha pasado por aqui, talvez até comentado, mas fiquei um tempo fora da blogsfera.
Vou tentar retomar, vontade é o que não falta!
E sobre pré-julgamentos...afe, dizia que Pedro nunca dormiria no meu quarto e ele só saiu de la'com quase um ano!

Ju do Pinguinho da Mamãe disse...

Sarah....
Nem me fale, as vezes acho que a minha testa esta molhada de tanto cuspe...kkkkk
Bjs
Ju

Angi disse...

Adorei,e é por isso que digo...
FALAR É PRATA, CALAR É OURO!
Nunca diga nunca....rs
bjocas

Ananda Etges disse...

Engraçado que os pré-julgamentos já começam na gravidez, né? A gente fala: "Eu não vou engordar muito" e em um piscar de olhos lá estão 15 kg a mais. Depois que o bebê chega daí sim é um cuspe atrás do outro. Mas falou tudo quando disse que cada criança tem um ritmo e se desenvolve de uma forma diferente.

Beijos, Ananda.

http://projetodemae.wordpress.com/

 
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