Bento está na escolinha desde os 5 meses, ou seja, há quase 1 ano. É uma escola pequena, com apenas 15 crianças entre 04 meses e 2 anos. Fica literalmente em frente ao meu trabalho, é só atravessar a rua. Dito isso, vamos aos acontecimentos dessa semana.
Sexta-feira passada, uma funcionária do meu trabalho vem até minha sala. Queria me contar uma coisa. Disse que estava lá fora, na calçada em frente ao escritório, quando ouviu choro de criança vindo da escola. Era por volta de 10h30 e a criança chorava bastante. Até que ela ouviu uma voz de adulto gritar rispidamente. A criança parou de chorar, e ela se assustou com a atitude do adulto.
Quando ela terminou de me contar, me deu um nó no estômago. Obviamente o adulto foi uma das professoras, pois são elas que lidam diretamente com as crianças. A primeira coisa que perguntei foi: "
você tem certeza que veio da escolinha? Não foi de outra escola próxima, do vizinho..." E ela: "
não, foi da escola onde você deixa seu filho". Perguntei detalhes, pedi que ela descrevesse exatamente o que se lembrava, se já havia escutado em alguma outra ocasião. Não consegui mais trabalhar. O que está acontecendo na escola? Acompanho de perto o que acontece lá, sempre converso com as professoras... Não é possível que tenha me enganado, não podia ser. Que relapsa eu fui, deixando meu pequeno aos cuidados de uma pessoa sem preparo!
Quem cuida de crianças tem que ter paciência, carinho, tato. Tem que ter pedagogia. Tem que saber respirar e se acalmar quando várias crianças choram ou fazem birra juntas. Tem que ter preparo.
Aqui abro um parênteses. Visitei a escola antes de matriculá-lo, inspecionei todos os ambientes, conversei com as professoras. Vou lá todos os dias em meu horário de almoço para ver o Bento e brincar um pouco. Muitas vezes não fico só na salinha de entrada, vou até a sala de brinquedos, a cozinha... De vez em quando faço visitas surpresa, no meio da manhã ou da tarde. Nunca tive nenhum problema, nunca, pelo contrário. Sempre fui bem recebida. Fecha parênteses.
Após pensar um pouco, liguei na escola e disse que queria falar com a diretora. Perguntei se ela podia me receber no final da tarde, quando fosse buscar o Bento. Ok, marcado. Passei o resto da tarde agoniada.
A diretora foi super receptiva, como sempre foi. Me recebeu na sala dela, e contei a situação. Medi bem as palavras, não disse quem tinha me contado, apenas que era uma pessoa que trabalha comigo. Disse que não sei quem era a criança nem o adulto, mas que fiquei preocupada, não gostei dessa atitude e que queria que ela observasse. Ela, que até então estava sorridente, foi ficando séria conforme eu falava. E me respondeu com o que eu queria ouvir: "
A pessoa até poderia estar nervosa com alguma situação fora daqui, mas não justifica. Não se pode tratar uma criança assim. Vou conversar com todas elas hoje mesmo. E se eu tiver que substituir alguma funcionária, não vou hesitar em fazer isso". Saí de lá mais tranquila com o posicionamento da diretora, mas ainda inquieta... Será que ela tomaria mesmo uma atitude? Conseguiria identificar a pessoa que agiu dessa forma?
Veio o fim de semana, pensei bastante sobre isso e comecei a juntar alguns pontos. Tem uma professora que Bento demonstra claramente que não gosta. Hesita em ir com ela, me agarra quando a vê. Ela é meio fechada mesmo, eu a acho seca e nunca a vi sorrir. Ao contrário, as demais professoras são atenciosas, carinhosas e sorridentes. Até já comentei sobre a preferida do Bento,
aqui e
aqui. Com essa preferida ele vai no colo, manda beijo, até tenta falar o nome dela. Já a outra...
Além disso, comentei algumas vezes que Bento tem dormido agitado. Falei de fases de desenvolvimento, de pesadelos... mas depois dessa situação, fiquei pensando se o sono agitado também não é um reflexo, uma reação ao comportamento da tal professora na escola. Mesmo que não tenha sido ele a criança envolvida na situação, com certeza todas as crianças se assustam. E uma pessoa irritada e sem paciência com crianças pode agir assim mais de uma vez.
Até que, hoje, a diretora me chama. Disse que conversou com as funcionárias e decidiu dispensar a tal professora. Eu até perguntei se ela se identificou, se assumiu ter agido de forma inadequada, e a diretora respondeu que tomou essa decisão por um "conjunto de fatores". Ou seja, já vinha observando as atitudes dela.
Fiquei feliz com as rápidas providências da diretora e seu cuidado em me dar uma satisfação. Às vezes as pessoas nos surpreendem e, mesmo tendo um currículo excelente, só com o tempo e na prática podemos ver como realmente agem. Continuo gostando da escola, principalmente pela preocupação em resolver rapidamente um problema que afeta diretamente as crianças. Se nenhuma providência fosse tomada, eu trocaria Bento de escola.
Fica a dica para mães que trabalham e precisam contar com escolas ou creches para cuidarem de seus filhos. Observem, observem, observem. Principalmente no caso de crianças que ainda não sabem falar. O comportamento deles reflete como se sentem, inclusive em relação às pessoas.