17 de dezembro de 2014

A formatura - ou, meu filho de repente ficou grande

No fim de semana passado fomos à festa de fim de ano da escola de Bento. Foi a festa de encerramento do ano letivo e também a formatura dos alunos da educação infantil. E, entre esses alunos, estava Bento.

A festa foi bem bacana e animada. As crianças se apresentaram dançando, cantando, tocando flauta (no caso de crianças do 2º e 3º ano). O tema era circo e cada turma representou um personagem; a turma de Bento encenou os palhaços. Mas antes da festa temática tivemos a formatura, em uma cerimônia bem rápida.

Foi bem emocionante ver meu filhote tão crescido. Cheio de amigos, se divertindo, sorrindo com certa vergonha ao atravessar a mini-passarela até as cadeirinhas em que os formandos se sentaram. Até o hino nacional ele cantou - e ele gosta, canta em casa e tudo!

 
o formandinho

 
o palhacinho na festa do circo

Gostei bastante da festa. Foi um pouco longa, cerca de 1h30, mas considerando que havia turmas da educação infantil até o 3º ano do fundamental, o tempo foi adequado para todas as apresentações e mais a formatura. A festa estava bem leve, sem ser forçada com as crianças. A escolha do tema circo também foi bacana, bastante lúdico e dentro do universo infantil.

E, ao ver esse pequeno formando entrando na quadra de mãos dadas com a professora, percebi que meu menininho está crescendo. Tem tamanho, brincadeiras e comportamentos de menino grande. Tem mãozona, cheira suado quando corre, faz pum fedido (mas não tem chulé, ufa). Faz perguntas difíceis de responder e até filosóficas. Quer entender o tempo e a distribuição do nosso país em cidades e estados. Adora mapas. Pergunta sobre morte, religião e assuntos abstratos.

Mas ainda é meu menino. Ainda se chateia quando não chega primeiro que os amigos numa corrida, tem medo de escuro e de ficar sozinho. Ainda fica manhoso e quer colo quando se machuca ou fica doente. Ainda pede que eu segure sua mão para dormir. Ainda é, e sempre será, meu pequenino.

16 de dezembro de 2014

Leituras e Leiturinhas



Quem me acompanha há algum tempo já conhece meu Projeto Leitura. Iniciado em 2013, criei o Projeto para me motivar a voltar a ler. A meta inicial era simplesmente retomar o hábito da leitura, saindo dos livros exclusivamente voltados à maternidade.

Em 2012 foram 16 os livros lidos. Em 2013, com a meta criada, passei para 24. Diversifiquei os temas literários, criei um círculo de leitura com amigas e entrei no Skoob.

Já neste ano de 2014, participei de meu primeiro Desafio Literário, que ainda está em andamento. E, até agora, já li 23 livros. Estou quase superando o número do ano passado - e o ano ainda nem acabou. Yeah!

Daí que tenho percebido que, apesar de eu adorar esse assunto, ele estava ficando perdido aqui no blog. Mesmo eu tendo planejado uma reforma por aqui (que não sai do papel, afe!), ainda é um blog centrado no tema maternidade.

Então resolvi criar um blog novo, apenas sobre minhas leituras: o Leituras e Leiturinhas. Lá vou postar minhas resenhas, dicas e impressões sobre livros, participações em Desafios Literários e até sorteios. Lá também vou dedicar uma tag especial aos livros infantis (por isso o Leiturinhas, hehe!).

Ainda estou no comecinho do blog novo, fiz apenas a apresentação. Mas já está aberto para quem curtir esse assunto, quem quiser conversar sobre livros, compartilhar dicas e opiniões. É só clicar aqui ou no link que coloquei na lateral do blog :) Espero vocês!

EDITADO - resolvi desativar o Leituras e Leiturinhas. Continuo lendo, de vez em quando escrevo resenhas, mas não consegui postar na frequência que gostaria, nem divulgar o blog. Fica para uma próxima tentativa, quem sabe.

3 de dezembro de 2014

A grávida e os desejos

Um dos conceitos mais comuns relacionados à fase da gravidez é o dos desejos. Desejo, vontade, demanda, anseio... mulheres que cismam com algum alimento ou bebida e pre-ci-sam degustar aquela iguaria, seja em que hora for.

Já ouvi histórias de todo tipo de desejo. Amigas que, quando grávidas, sentiram vontade desesperadora de comer frutas fora de época ou itens difíceis de encontrar na região em que moram. Maridos que atravessam a cidade em busca de atender ao tão almejado pedido. Vai que o bebê nasce com cara de jiló com mel, palmito com cobertura de chocolate ou qualquer outra combinação estranha.

Eu nunca tive esses desejos. Tive vontades sim, mas nada desesperador, nada que me fizesse sentir urgência por degustar.

Na gravidez de Bento, eu me lembro de ter sentido vontade de comer feijoada. Uma feijoada comum mesmo, sem ingredientes estranhos nem queria comer, sei lá, de madrugada. Em um sábado, minha irmã fez um almoço com feijoada na casa dela e pronto, desejo satisfeito. Lembro também de enjoar de doces, como se as guloseimas de sempre tivessem ficado excessivamente açucaradas. E essas são as únicas diferenças alimentícias que me lembro na gravidez de Bento, de tão insignificante que isso foi na gestante de então.

Já nesta segunda gestação, talvez por a estar vivenciando neste momento, consigo me lembrar de algumas vontadezinhas. Lembro que, apesar dos enjoos do primeiro trimestre, o arroz com feijão e o café com leite de todo dia ganharam um sabor especial. Não fiz nada de diferente, não acrescentei nem excluí nenhum ingrediente. Mas ambos ficaram mais gostosos para meu paladar gravídico. De repente, o arroz com feijão praticamente bastava na refeição e eu comia com gosto. E o café com leite tinha que ser tomado toda manhã.

Depois esse amor pelos itens cotidianos passou e não fiz mais questão deles. Sim, como arroz com feijão, mas não todos os dias. E enjoei do café - que já nem tomava muito, só 2 xícaras por dia. Atualmente só tomo café umas duas ou três vezes na semana.

Alguns itens que não costumo comer diariamente e que tive vontade durante essa gravidez foram batata-doce, carne de porco assada com pimentão vermelho (essa foi a vontade mais específica que tive!), melancia, melão. De novo, nada super incomum e nem senti aquele desespero de "preciso comer isso agora". Tudo bem tranquilo.

No fim, acho que esses desejos não são mais do que vontades mesmo. De repente uma manifestação de que queremos ser lembradas, de que aproveitar nosso estado para comer coisas diferentes. Ao menos para mim tem sido assim.

Até porque meu maior desejo mesmo é que o bebê venha no tempo dele, com saúde. Que o parto seja tranquilo, sem intercorrências. Que Bento receba bem o irmãozinho e faça sua transição para irmão mais velho de forma serena. Que Tomás não tenha o refluxo que Bento teve, que durma e mame bastante. Que nessa segunda oportunidade que estamos tendo, que eu e marido saibamos ser bons pais para os ambos os pequenos. Que nós dois saibamos nos apoiar, nos auxiliar e receber com calma essa nova configuração da nossa família.

É, pensando bem... eu tenho sim, muitos desejos :)

Post inspirado neste aqui.

24 de novembro de 2014

Terceiro trimestre: o começo do fim

Estou agora de 30 semanas de gestação, oficialmente no terceiro trimestre. E agora posso dizer: este trimestre chegou chegando.

Azia? Bastante. Indisposição? Confere. Mal-estar, cansaço, sensação de peso? A rodo. Fora as temporárias tonturas, um estômago embrulhado seguido de fome, o desânimo. Como disse para uma amiga, minha vontade é ficar deitada eternamente em berço esplêndido.

Quer dizer, deitada naquelas, que a barriga não possibilita posições muito confortáveis para dormir. De lado é a melhor opção, mas não dá pra ficar estática a noite toda. Nessa madrugada mesmo, foi um vira-vira sem fim. Até que levantei, peguei duas almofadas grandes na sala e coloquei na cama, pra dormir meio sentada, mudando um pouco de posição. De quebra, melhorou a azia.

E os pesadelos? Já sonhei que fui ao banheiro e vi sangue saindo de mim. Tinha entrado em trabalho de parto, bebê nasceu prematuro, ficou na incubadora cheio de tubos e eu fui pra casa de braços vazios. Já sonhei que estava em TP, de joelhos, no chão, no meio de um corredor de hospital. Fazia força, bebê começava a sair mas não saía, até que voltou pra dentro (!) e fui pra cesárea.

Mas o desânimo é o mais gritante sintoma do terceiro trimestre. Não tenho vontade de nada. Não quero fazer comida, nem tenho apetite pra comer (mas como). Não quero trabalhar. Não quero sair de casa - tenho amigas que inclusive ainda nem me viram grávida. O enxoval está parado. Me sinto imensa, desajeitada, fora do eixo. Nem com o blog tenho tido ânimo - só agora consegui responder os comentários do post anterior, que vergonha... mas super obrigada pelo carinho :)

Também tenho tido variações de humor. Mais pro chororô mesmo, principalmente por motivos bobos. Qualquer coisa me faz abrir a torneira. Não consegui falar com minha mãe  no telefone? Buááá. A loja na qual encomendamos os móveis atrasou o prazo de entrega? Buáááááá. Tenho que fazer almoço e o horário de buscar Bento na escola se aproxima? Buááááááá.

Só sei que esta gravidez está mesmo totalmente diferente da primeira, agora é fato. No começo, os enjoos e demais incômodos físicos. No meio, tudo tranquilo, mas adiando o que precisava fazer. E agora, no começo do fim, esse mar de desânimo e cansaço. O negócio é torcer para o tempo passar.

14 de novembro de 2014

Sobre o tempo, o amor e o equilíbrio quando chega o segundo filho




Quando pensamos na mudança da dinâmica familiar com a chegada de um segundo filho, uma das coisas que mais lemos por aí é sobre o receio de não amar o bebê como amamos o primogênito. Amamos tanto aquele primeiro, tivemos tempo para nos dedicar exclusivamente a ele, foi tudo tão novo e especial... Será que conseguiremos dar ao segundo bebê o mesmo amor, a mesma atenção, o mesmo carinho?

Eu penso um pouco nisso, mas mais em relação ao tempo. Tenho medo de não conseguir dedicar meu tempo ao bebê como pude fazer com Bento. De não conseguir niná-lo o quanto gostaria, ler pra ele, brincar com ele no chão, passear de carrinho, observá-lo descobrir o mundo. A vida que tenho hoje é diferente da que tinha 5 anos atrás. Eu só tinha ele de pequenino em casa, era mais fácil equilibrar os afazeres, mesmo com toda a novidade que se instalou quando ele nasceu.

Eu sei que, em toda família com mais de uma criança, a dinâmica da casa fica inevitavelmente diferente do primeiro para o segundo filho. Toda família passa por essa adatação a essa nova realidade. Simplesmente a família não é mais a mesma, os pais já passaram pela experiência impactante proporcionada pela chegada de um bebê. Até a casa é diferente, os horários, os móveis, a rotina, os brinquedos espalhados. Não há como ser a mesma coisa.

Por isso, meu maior receio na verdade não é nem esse. Isso tudo está bem claro pra mim. E, o mais importante: eu sei que vou amar Tomás como amo Bento. Porque ele foi desejado, foi esperado. Porque sempre pensamos em mais de um filho. E porque já o amo, antes mesmo dele nascer.

Meu maior receio está relacionado ao Bento. Com as reações dele, com os sentimentos dele. Em como eu farei para continuar sendo mãe dele no mesmo grau de atenção e cuidado. Como conseguirei equilibrar as necessidades de afeto de cada filho, por ambos estarem em fases tão distintas.

Tomás será o bebê que estará "pendurado" em mim por um bom tempo. Estará sempre no meu colo em função da amamentação, de colocá-lo para dormir e porque sempre fui mãe "coleira" mesmo. Exigirá mais dedicação por ser mais frágil, até aprender a andar, comer, e acompanhar o irmão. E atrairá mais a atenção das pessoas, que sempre ficam encantadas pelas fofurices dos bebês.

Bento será o mais velho. O que já corre, toma banho sozinho e está até aprendendo a cortar os alimentos com a faca. O que estreará no ano que vem no primeiro ano do ensino fundamental. O que "não tem mais tanta graça" porque solta pum fedido, anda de bicicleta sem rodinhas, vai no parque do condomínio com os amigos e não mais só comigo e joga videogame.

Ambos terão necessidades diferentes de mim e do pai. Um exigirá o cuidado total, para alimentação, para se vestir, aprender a falar, engatinhar, andar. Outro estará aprendendo a ser mais independente, a fazer suas lições de casa, a se virar para ir ao banheiro quando passa a tarde na casa do amiguinho.

Bento sempre foi apegado a mim, sempre demandante de companhia. Gosta de ser cuidado, gosta que brinquem com ele (na verdade, detesta brincar sozinho!). É carinhoso, atencioso e interage bem com os bebês com os quais convive. Sabe que são menores que ele e que não conseguem fazer o que ele faz. Mas tudo isso é a teoria. Ter um bebê dentro da casa dele, no colo dos pais dele é algo que simplesmente não fazia parte da realidade dele.

E é esse é meu maior receio. Se saberei conciliar as necessidades de ambos, se conseguirei atender aos dois filhos, sem preterir nenhum. Se conseguirei demonstrar a eles que ambos fazem parte de mim, ambos são meus amores, ambos são minha vida.

 "Haverá muitas ocasiões nas quais você achará que falhou. Mas nos olhos, coração e mente de seu filho, você é uma super mãe"

Imagens: We heart it.
 
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